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Morre o psicanalista e escritor Contardo Calligaris, aos 72 anos

De Splash, em São Paulo

30/03/2021 14h19Atualizada em 04/04/2021 14h15

Contardo Calligaris morreu hoje, aos 72 anos. A informação foi confirmada por Max Calligaris, filho dele, em publicação no Instagram. O escritor e psicanalista, colunista da Folha de S.Paulo, enfrentava um câncer.

No domingo (28), se espalhou pelas redes sociais a informação de que Calligaris havia morrido, e foi desmentida por sua equipe, que agradeceu a preocupação do público. Segundo pessoas próximas ao escritor, o estado de saúde dele era delicado. Ele estava internado no Hospital Albert Einstein, em São Paulo, onde estava em tratamento.

"'Espero estar à altura'. Diante da proximidade da morte, essa foi a frase do meu pai. Ele se foi agora. 1948-2021", contou Max Calligaris, em sua postagem no Instagram. A ex-mulher do psicanalista, a atriz Mônica Torres, também lamentou a morte dele na rede social. "Italiano amado, Você fez bom serviço, bom conosco. Inesquecível! Ah, é claro que você está à altura!"

Contardo Luigi Calligaris nasceu em Milão, na Itália. Ele estudou na Suíça e na França, onde teve aulas com os filósofos Roland Barthes e Michel Foucault. Em 1975, tornou-se membro da Escola Freudiana de Paris e acompanhou seminários do psicanalista Jacques Lacan, que se tornaria uma de suas grandes referências.

Doutor em psicologia clínica, Calligaris morou em Paris até 1989, quando se radicou no Brasil. Sua relação com o país havia começado em 1986, quando ele veio para divulgar seu primeiro livro, "Hipótese Sobre o Fantasma".

Apesar de, no meio tempo, ter lecionado nos Estados Unidos, o psicanalista construiu uma extensa carreira por aqui e publicou, inclusive, um livro de crônicas e reflexões sobre sua vida em terras brasileiras: "Hello, Brasil".

Em 1999, se tornou colunista da "Folha de S. Paulo" - seu último texto lá, sobre o ex-presidente norte americano Donald Trump, foi publicado no dia 17 de fevereiro.

Calligaris também entrou na ficção com os livros "Conto de Amor" (2008) e "A Mulher de Vermelho e Branco" (2011), ambos protagonizados pelo personagem Carlo Antonini.

Também psicanalista, Carlo viria a ser a estrela da série "Psi", criada por Calligaris e dirigida por seu filho, Max. A produção, realizada pela HBO, teve quatro temporadas entre 2014 e 2019 e chegou ao concorrer ao Emmy Internacional de melhor série dramática em 2015.

O escritor chegou a falar com o UOL sobre as semelhanças entre ele e seu personagem, à época.

"Ele tem vários lados parecidos comigo. Mas não sei se é comigo ou com qualquer um que realmente tenha um tipo de experiência clínica, que seja um cara que não tem muitas emoções, que dificilmente acha surpreendente qualquer coisa que seja, que tem um olhar para o mundo que não é, mas poderia facilmente ser cínico. É quase um olhar de compaixão e empatia, mas ao mesmo tempo sem sentimentalismo".

Em abril de 2020, o psicanalista participou do UOL Debate sobre saúde mental em tempos de pandemia:

Errata: o texto foi atualizado
Diferentemente do informado nesta matéria, Mônica Torres não era mulher, mas, sim, ex-mulher de Contardo Calligaris. A informação já foi corrigida.