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Ditadura das telas: por que os carros vão trazer de volta os botões físicos

Imagem: Divulgação

Julio Cabral

Colaboração para o UOL

13/03/2024 08h00

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Distrações ao volante vão além do uso do celular. Telas sensíveis ao toque também se tornaram alvo de preocupação há alguns anos, algo que se intensificou com a adoção em massa de tais dispositivos.

Agora, segundo o jornal britânico "The Times", o Euro NCAP, que avalia a segurança de veículos novos comercializados na Europa, passará a exigir que os automóveis tenham comandos físicos à moda antiga para ganharem as cobiçadas cinco estrelas no teste de segurança. O novo padrão de avaliação deve entrar em vigor em 2026 e terá efeitos em outros mercados, inclusive o brasileiro.

Pode parecer um retrocesso, mas não é. Usar telas à vontade é um artifício de design que deixa a cabine mais moderna e clean. Além disso, o uso de comandos integrados na tela touchscreen é mais barato, gerando economia de escala e reduzindo a fiação, dentre outros benefícios financeiros.

Por outro lado, os comandos concentrados na central multimídia exigem mais etapas e mais tempo para seu acionamento na comparação com botões reais no painel.

Muitas vezes, comandar funções simples exige o acesso a outros menus, uma distração que leva mais tempo e, com isso, acaba fazendo com que o carro rode por uma distância maior até o motorista voltar a se concentrar na pista. Isso pode valer para tudo, até mesmo para regular o ar-condicionado.

A própria Tesla foi uma das primeiras montadoras a eliminar quase todos os comandos físicos, uma ideia que deixou o painel "limpo". Talvez por design, talvez por economia pura, talvez por confiarem demais no sistema de controle de cruzeiro avançado, embora não à prova de falhas. A moda pegou.

Manter alguns botões - ou voltar a usá-los - é uma tendência que ameniza um pouco a distração. Não é por acaso que tem fabricante que suprime quase todas as teclas, mas não a de controle de volume - comando que, normalmente, pode ser acionado diretamente no volante, ainda que seja mais intuitivo esticar o braço para ajustá-lo.

Quanto mais botões, melhor?

Por muito tempo, ter o máximo possível de botões no carro era símbolo de status, um sinal de que o habitáculo se assemelhava a um cockpit de aeronave. Entretanto, até os aviões passaram a integrar mais funções nas respectivas telas. Sim, mas se tornaram mais seguros, uma vez que os sistemas touchscreen não dispensaram os botões principais, além de reunirem funções de segurança e navegação - sem complexos menus secundários.

Algumas marcas já estão abandonando comandos nas telas e voltando aos físicos, como é o caso da Volkswagen. A marca alemã já anunciou, no ano passado, que seguirá essa nova/antiga tendência.

Não é apenas uma questão de se adaptar aos futuros critérios do Euro NCAP: o risco de acidentes causado pelo excesso de telas é sabido. Em um teste de 2022, a revista sueca "Vi Bilägare" selecionou 11 carros para fazer um teste prático em uma pista de aeródromo. Um dos modelos era uma perua Volvo V70 que, então, tinha 17 anos de idade.

No teste, cada um dos automóveis rodou a 110 km/h, velocidade na qual os condutores tinham de acessar comandos diferentes, no caso, acionar o aquecimento do banco do motorista, elevar a temperatura em dez graus, acionar o desembaçador; ligar o rádio e escolher um canal específico, resetar o computador de bordo, baixar o nível de iluminação do painel e desligar o display central.

Por incrível que pareça - ao menos em um primeiro momento -, o Volvo exigiu apenas 10 segundos, tempo no qual o carro percorreu 306 metros. Mérito dos botões grandes e intuitivos.

Na outra ponta, o elétrico MG Marvel R exigiu 44,6 s e rodou 1.372 m, tudo por causa de sua enorme e complexa central multimídia vertical. Foi bem mais do que os 928 m e 30,4 s do penúltimo colocado, o BMW iX, SUV elétrico com um belo pacote eletrônico, porém, muito complexo, de acordo com a publicação.

A fundação para a segurança do tráfego da AAA (American Automobile Association, ou Associação Americana do Automóvel) afirmou que a distração na operação das telas touchscreen pode gerar até 40 segundos de desatenção.

Na mesma direção, um estudo da NHTSA (National Highway Traffic Safety Administration, ou Administração Nacional de Segurança do Tráfego em Rodovias), autoridade norte-americana de segurança viária, recomendou aos fabricantes que um motorista deveria completar qualquer função de touchscreen em menos de dois segundos, sendo que 12 segundos seria o tempo máximo permitido. Curiosamente, a recomendação foi em 2013, ou seja, tempo suficiente para as montadoras agirem.

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