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Nunca emplacado e 0 km: Fusca mantém cera de fábrica e vale uma fortuna

Alessandro Reis

Do UOL, em São Paulo (SP)

23/05/2022 04h00Atualizada em 23/05/2022 18h59

Comprado zero-quilômetro por cerca de R$ 10 mil, um Volkswagen Fusca 1996 permanece guardado no Espírito Santo do jeito como saiu da concessionária.

O exemplar vermeho Dakar da Série Ouro, que marcou o fim da produção do modelo no Brasil há 26 anos, ainda exibe a cera de fábrica e apenas 20 km no hodômetro. Seu dono não quer saber de passá-lo adiante, enquanto especialistas dizem que o carro hoje poderia ser vendido por mais de R$ 200 mil.

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Autor das fotos que ilustram esta reportagem, o comerciante de carros antigos Reginaldo Gonçalves, o Reginaldo de Campinas, conta que o atual proprietário prefere o anonimato. Especializado em garimpar automóveis nacionais originais e pouco rodados das décadas de 1980 e 1990, Gonçalves diz que o Fusca hoje pertence a um empresário e colecionador que é o segundo dono da raridade.

"O primeiro proprietário adquiriu o veículo para guardar. Por isso, manteve a cera de fábrica, que era aplicada para proteger a pintura e retirada somente na entrega, com água quente e querosene. Por isso, o Fusca até hoje tem esse aspecto de empoeirado, mesmo limpo", explica Reginaldo de Campinas.

Detalhe do painel, cujo hodômetro exibe apenas 20 km rodados; carro foi comprado para ser guardado Imagem: Reginaldo de Campinas/Arquivo pessoal

Reginaldo acrescenta que o Série Ouro estava guardado em um galpão no Espírito Santo, juntamente com outro Fusca 1986, quando em 2001 o atual dono adquiriu o veículo, "após muita insistência". Desde então, permanece com ele.

"O carro pertencia a um grande amigo do pai desse empresário. Além da cera de fábrica, traz manual, plástico nos bancos e até o preço pelo qual foi vendido, impresso em uma folha de papel afixada no para-brisa", destaca Reginaldo, segundo o qual esse VW poderia atingir o preço de R$ 300 mil, se estivesse à venda.

Por que é tão caro

Aspecto sujo e empoeirado da pintura é, na verdade, a cera de fábrica que até hoje não foi removida Imagem: Reginaldo de Campinas/Arquivo pessoal

De acordo com negociantes de carros clássicos, o Fusca Itamar, que marcou o breve retorno do modelo e foi produzido entre 1993 e 1996, tem subido de preço e unidades padrão originais em bom estado podem ser vendidas por mais R$ 100 mil.

O exemplar desta reportagem é um ponto fora da curva, por ser da Ultima Série, cuja produção teria sido de 1,5 mil unidades - das quais apenas 250 exibem a rara e cobiçada cor vermelho Dakar.

"Série Ouro vermelho Dakar é um dos mais desejados e valorizados pelos colecionadores. Se tiver 20 km rodados e cera de fábrica, o dono pode pedir o preço que desejar, dentro da realidade do mercado, é claro, que vai ter gente disposta a pagar", diz Robson Cimadon, o Alemão, dono da loja Século 20, localizada em Santo André (SP).

Dono atual e primeiro proprietário nunca removeram os plásticos dos bancos, preservados 26 anos após fabricação Imagem: Reginaldo de Campinas/Arquivo pessoal

Ele vendeu há cerca de cinco anos um Série Ouro nessa tonalidade, com aproximadamente 9.000 km por R$ 60 mil, e diz nunca mais ter encontrado outro tão bom e pouco rodado à venda com as mesmas características.

"O Série Ouro sempre teve muita força e o preço só tem subido. Traz como diferenciais a tapeçaria luxuosa, o volante de Gol, o emblema na lateral e o painel com fundo branco. Também tem faróis de milha e não traz as faixas laterais", esclarece.

Silvio Luiz, proprietário da loja Old is Cool Motors, concorda com o colega e também aponta o Série Ouro Vermelho Dakar como o queridinho dos antigomobilistas.

"Um exemplar original e zerado não é mais tratado apenas como Fusca. Os colecionadores pagam muito bem por uma unidade nessas condições e com essa cor, que pode facilmente custar mais de R$ 200 mil. Dificilmente aparece no mercado e, quando um Fusca desse troca de mãos, a transação costuma acontecer diretamente entre colecionadores".

Fusca Itamar é a bola da vez

VW Fusca também preserva folha no para-brisa com o valor pago pelo veículo na concessionária em 1996 Imagem: Reginaldo de Campinas/Arquivo pessoal

Joel Picelli, leiloeiro da Picelli Leilões, explica a megavalorização do Fusca Itamar em geral - o apelido é uma referência ao ex-presidente Itamar Franco, defensor do retorno do modelo e entusiasta do carro da VW - cuja primeira aposentadoria aconteceu em 1986, com o lançamento da edição Última Série.

"Fuscas mais antigos, incluindo os Última Série, de 1986, estão todos com colecionadores. No máximo, trocam de coleção. Já o Itamar ainda tem unidades em excelente estado esperando para ser encontradas, compradas zero-quilômetro e que até hoje estão com a mesma família. Não apenas Série Ouro, mas da versão comum, principalmente modelo 1996, podem custar bastante dinheiro", diz Picelli.

Faróis de milha estão entre os diferenciais da edição que marcou a despedida do Fusca do mercado brasileiro Imagem: Reginaldo de Campinas/Arquivo pessoal

Segundo o leiloeiro, um Itamar padrão com mais de 100 mil km, porém bem cuidado, hoje está custando na faixa de R$ 20 mil a R$ 25 mil. Já o Série Ouro pode partir de R$ 100 mil, dependendo da cor, da quilometragem e do estado de conservação.

Série Ouro atualmente sai pelo dobro do preço do Última Série, considerando veículos nas mesmas condições, complementa Picelli.

"Outro apelo do Itamar é ser o Fusca mais bem construído e utilizável de todos. Sua confiabilidade é muito superior. Especialmente os fabricados em 1995 e 1996. É um carro com o qual dá para rodar tranquilamente no dia a dia".

Lanternas traseiras têm lente fumê; atual proprietário não pretende vender a raridade que mantém na garagem Imagem: Reginaldo de Campinas/Arquivo pessoal

O leiloeiro acrescenta que não só o Fusca, como também outros modelos nacionais produzidos nos anos 90, têm apresentado alta valorização.

"Os preços de automóveis brasileiros dessa época estão subindo exponencialmente. Pessoas que eram crianças ou adolescentes há cerca de 30 anos e sonhavam com determinados carros hoje têm dinheiro para comprá-los e saúde para mantê-los e curti-los. Por outro lado, veículos dos anos 30 a 50 têm sofrido desvalorização, pois seu público já morreu ou tem outras prioridades, por conta da idade avançada".

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