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Thelma Assis interpreta Clementina de Jesus em desfile da Mocidade Alegre

Desfile Mocidade Alegre - Ricardo Matsukawa/UOL
Desfile Mocidade Alegre Imagem: Ricardo Matsukawa/UOL

Do UOL, em São Paulo

24/04/2022 02h42

A Morada do Samba é a terceira escola a desfilar no Anhembi na segunda noite do grupo especial em São Paulo. A Mocidade Alegre passa pela avenida para homenagear a cantora Clementina de Jesus, e propõe uma pergunta: quem são as Clementinas de hoje?

Com o enredo intitulado "Quelémentina, Cadê Você", a Mocidade explora as muitas faces da cantora, para "reverenciar de joelhos a figura de uma mulher que é a cara do Brasil." O tema foi composto por Márcio André, Fabiano Sorriso, China da Morada, Marquinhos Biel, Lucas Donato, Daniel Katar, Bello e Marcelo Valência, e interpretado por Igor Sorriso.

Sob a bateria do Mestre Sombra, a escola veio com 16 alas, quatro alegorias e 1850 componentes. O carnavalesco Edson Pereira acredita que "a essência do desfile da Mocidade é a emoção de trazer para a avenida uma mulher que só aos 60 anos foi reconhecida com uma grande cantora, e com a importância da ancestralidade de uma mulher negra."

A surpresa da noite foi com Thelma Assis, médica anestesiologista e campeã do "BBB 20". A sambista veio interpretando Clementina de Jesus na Comissão de Frente da escola, um segredo que foi mantido até os minutos finais.

Thelma, que há anos desfila pela escola do Bairro do Limão, passou ontem pela Marquês de Sapucaí como musa da São Clemente. A escola carioca homenageou a vida do ator e humorista Paulo Gustavo, morto no ano passado por covid-19.

Ontem eu passei a maior emoção na Sapucaí. Hoje, com a minha escola da qual faço parte desde os 15 anos de idade, foi muito significativo, sobretudo ver a força e o poder da mulher preta sendo representados.
Thelma Assis, Comissão de Frente da Mocidade Alegre

Quem foi Clementina de Jesus

Nascida na periferia de Valença, no sul do Rio de Janeiro, Clementina mudou-se para a capital carioca aos oito anos de idade. Aos 20 anos, começou a frequentar circuitos de carnaval.

Sua relação com a folia é uma parte importante de sua vida. Clementina chegou a acompanhar o surgimento da Portela, e também participou de diversas atividades na Estação Primeira de Mangueira. Em 1940, quando já era mãe solteira, casou-se com Albino Corrêa, e mudou-se com ele para o morro da Mangueira. Os dois tiveram uma filha ficaram casados até a morte dele, em 1977.

Ela trabalhou como doméstica e lavadeira por mais de 20 anos, e foi descoberta como artista com mais de 60 anos, pelo compositor Hermínio Bello de Carvalho. Em 1966, representou o Brasil no tradicional Festival de Cannes, na França, e participou de concertos, lançou LPs e foi homenageada com um espetáculo no Teatro Municipal do Rio de Janeiro.

Apesar da relevância, Clementina teve um fim de vida difícil, e foi esquecida pela classe artística. Ela caiu na pobreza e morreu em decorrência de um derrame, em 1987.

Homenagens e referências

O desfile da Mocidade atentou-se aos detalhes e fez grandes homenagens e referências às duas escolas cariocas que marcaram a vida da Rainha Quelé.

Um dos carros traz a gigantesca águia que é símbolo da carioca azul e branco. O mesmo carro traz representada a comunidade da Mangueira, com diversas fantasias nas cores verde e rosa.

Além disso, os carros contaram a história de Clementina desde o seu início de vida difícil e conturbado até os momentos em que começou a ganhar notoriedade na música.

Tudo isso aconteceu de forma muito reverente. Durante o desfile, a escola impressionou com os paradões da bateria. Nesses momentos, todos os componentes ficaram de joelhos para Clementina de Jesus, e continuaram entoando o samba-enredo.

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