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'Foi torturada até a morte', diz pai de médica achada morta em hotel no ES

Samir Sagi El-Aouar ao lado da filha, a médica Juliana Pimenta Ruas El-Aouar, e o esposo dela, Fuvio Luziano Serafim Imagem: Reprodução/Redes sociais

Do UOL, em São Paulo

04/09/2023 18h22Atualizada em 04/09/2023 18h38

O pai da médica encontrada morta em um hotel de Colatina (ES) disse que a filha foi "torturada até a morte". O marido da vítima, Fuvio Luziano Serafim, 44, ex-prefeito de Catuji (MG), e o motorista dele, Robson Gonçalves dos Santos, foram presos.

O que aconteceu:

Samir Sagi El-Aouar, ex-prefeito da cidade mineira de Teófilo Otoni, disse que o genro já tinha agredido a vítima, Juliana Pimenta Ruas El-Aouar, "algumas vezes". As declarações foram dadas à InterTV, afiliada da Globo em Minas Gerais, e à Rádio Teófilo Otoni.

O pai da vítima contou que Juliana estava tentando terminar o relacionamento com Fuvio, mas era ameaçada pelo companheiro, que não aceitava o fim da relação. "Ele realmente programou o que ele fez", disse.

O pai também declarou ao jornal O Tempo que começou a desconfiar da relação abusiva do casal quando o genro teria afirmado, em 2019, que Juliana teria tido uma parada cardiorrespiratória e ele quebrou sete costelas da médica ao "fazer massagem cardíaca".

Samir ressaltou que a filha era "amada" e foi criada "com todo o carinho do mundo". "Uma pessoa maravilhosa, que morava no nosso coração. Angelical, linda. O que vai ser da minha vida a partir de agora?"

Estamos arrasados. Pensar que uma filha de 39 anos, médica, com futuro todo pela frente, uma pessoa maravilhosa, um amor de pessoa, de repente, é submetida a uma tortura. Porque o que aconteceu com ela foi uma tortura durante a noite toda. Não tem justificativa, mais um feminicídio. Eu acho que nosso país tem que acabar com essa matança de esposas, de namoradas, que isso é um absurdo.
Samir Sagi El-Aouar, pai de Juliana

Laudo aponta que médica sofreu 'graves lesões'

Segundo a decisão que manteve a prisão da dupla, o laudo do SML (Serviço Médico Legal) apontou que a vítima sofreu "graves lesões".

As causas da morte de Juliana foram: hipoxemia (baixa oxigenação no sangue), asfixia mecânica, broncoaspiração (entrada de substâncias estranhas, como alimentos e saliva, na via respiratória) e traumatismo cranioencefálico.

No local do crime, foram encontrados diversos medicamentos, entre eles, morfina, além de seringas e agulhas. Um "pó branco" também foi achado e encaminhado para análise pericial.

A reportagem tenta contato com a defesa da dupla. A matéria será atualizada tão logo haja manifestação.

Trata-se de crime de homicídio (feminicídio), perpetrado de maneira fria e desprezível, imputado ao marido da vítima e ao outro custodiado. Em razão da reprovabilidade das condutas em tese praticadas pelos autuados e para a garantia da ordem pública, entendo que a segregação cautelar é medida que se impõe no presente caso.
João Carlos Lopes, magistrado

Entenda o caso:

A Polícia Militar foi acionada no sábado (2) pela gerência do hotel em que Fuvio estava hospedado com a esposa, Juliana Pimenta.

Aos policiais, o gerente do hotel informou que hóspedes reclamaram do barulho vindo do quarto do ex-prefeito na madrugada.

Pela manhã, o homem foi até a portaria "bastante alterado, querendo pagar a conta e dizendo que a esposa estava passando mal".

O Samu foi acionado e constatou a morte da vítima. Ela tinha sinais de agressão e o estado do quarto fez com que os peritos suspeitassem que a vítima tinha sido assassinada.

Fuvio e o motorista dele foram levados para a delegacia. A Polícia Civil foi acionada para fazer perícia no local. Os dois foram detidos em flagrante. Fuvio pelo crime de feminicídio e Robson por homicídio. O corpo de Juliana foi enterrado na tarde de ontem, em Teófilo Otoni (MG).

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