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Arqueólogo descobre pelo Google Earth estruturas de milhares de anos na Arábia Saudita

David Kennedy via The New York Times
Imagem: David Kennedy via The New York Times

Nicholas St. Fleur

30/11/2017 04h00

Por quase uma década, David Kennedy se maravilhou com milhares de estruturas de pedra misteriosas espalhadas pelo deserto da Arábia Saudita que via na tela de seu computador. Com as imagens de satélite do Google Earth, o arqueólogo examinou milhares de cemitérios e outras obras antigas criados por tribos nômades há milhares de anos.

Mas não conseguiu permissão para visitar o país e observar o que ele e arqueólogos amadores haviam estudado nas telas dos computadores.

No mês passado, depois de anunciar que identificou quase 400 "portões de pedra", Kennedy recebeu o convite da sua vida das autoridades sauditas para investigar as estruturas a partir de um helicóptero.

"A 150 metros, você já pode ver os detalhes vitais das estruturas que são invisíveis na imagem embaçada do Google Earth", disse Kennedy, que se aposentou recentemente da Universidade da Austrália Ocidental.

Ao longo de três dias, ele tirou mais de seis mil fotos aéreas, revelando segredos das maravilhas antigas.

Foto - David Kennedy/The New York Times - David Kennedy/The New York Times
Imagem: David Kennedy/The New York Times

Na Arábia Saudita, explorou do alto 200 sítios nas regiões de Harrat Khaybar e Harrat Uwayrid. As estruturas observadas, que ele descreve como portões, variaram em formato e tamanho –losangos, triângulos, círculos e buracos de fechadura.

Das 400 descritas como "portões" que ele havia identificado no Google Earth, Kennedy estudou cerca de 40 do helicóptero e descobriu que não estavam agrupadas aleatoriamente.

Em vez disso, cada barra longa era composta de duas linhas paralelas de lajes planas colocadas nas extremidades, uma de frente para outra, com pedras pequenas preenchendo o espaço no meio.

"Elas são muito mais sofisticadas do que eu imaginava", disse ele.

Algumas tinham mais de 300 metros de comprimento e 75 metros de largura. Ele suspeita que o mais antigo dos portões pode ter nove mil anos de idade, e pode ter sido usado para fins agrícolas.

Huw Groucutt, arqueólogo da Universidade de Oxford, afirmou que as novas imagens podem ajudar a mostrar como as sociedades humanas modificavam a paisagem.