Topo

Bombeiros dão orientações sobre como agir em caso de enchentes

Do UOL Ciência e Saúde

Em São Paulo

29/01/2010 07h00

As inundações provocadas por extravasamento de rios e córregos são um dos perigos mais comuns no Brasil nos meses de muita chuva, segundo o Corpo de Bombeiros. Algumas inundações desenvolvem-se lentamente, enquanto outras acontecem em poucos minutos, por isso é bom ficar atento.

Leonardo Wen/Folha Imagem
Moradores carregam seus pertences em barco improvisado durante enchente em São Paulo
COMO AGIR EM DESLIZAMENTO DE TERRA
ESPECIAL PRIMEIROS SOCORROS

“As cheias repentinas geralmente começam com uma onda e podem transportar lama, lixo, carros e até pedras, podendo varrer a maioria das coisas no seu caminho”, alerta o Capitão da PM Herbert Meyerhof, Chefe da Seção de Operações e Instrução do Comando de Bombeiros Metropolitano, em São Paulo. O oficial recomenda que todas as pessoas estejam cientes dos riscos das inundações e de como proceder nesses casos.

Previna-se

Nunca construa em áreas sujeitas a enchentes. Pergunte aos vizinhos antigos, veja marcas nas paredes, verifique a proximidade com rios e córregos antes de comprar um imóvel para morar ou construir. Caso não tenha como deixar de morar em local de enchente, construa a casa acima do maior nível já registrado de enchentes e inundações e reforce as fundações. Novamente verifique marcas em paredes, pergunte a vizinhos e consulte órgãos públicos.

Caso não seja possível reforçar as fundações, eleve o máximo possível durante a construção os locais para colocar o forno e o fogão elétricos, o painel elétrico e aquecedores, uma vez que, quando há inundações, eles podem entrar em curto e eletrificar a água.

Converse com as lideranças de sua comunidade para que se verifique junto aos órgãos públicos se existem projetos para construção de barragens, açudes ou piscinões que impeçam inundações em seu bairro.

Verifique, da mesma forma, se a manutenção e a limpeza dos sistemas de drenagem existentes (córregos, piscinões, tubulações, bueiros etc) foram feitas no período de seca.

Durante uma enchente

Se você vive ou trafega em áreas passíveis de inundação, esteja atento(a) às notícias de rádio, TV ou internet para obter informações antecipadas sobre o problema. Se você foi informado(a) de que vai haver chuva em sua região, tome as providências para se manter seguro.

As enchentes podem acontecer de forma rápida, por isso, ao menor sinal de inundação, procure sair imediatamente para ruas ou andares mais altos. Não espere instruções específicas para se mover, pois o tempo corre contra você.

Esteja ciente dos locais próximos que podem inundar, como córregos, rios, canais, ruas muito inclinadas, fundos de vales etc. Se você souber onde está o perigo, será mais fácil evitá-lo.

Se você estiver em casa

Se houver tempo, leve itens essenciais (água potável, alimentos prontos e roupas secas) para um andar superior, ou um local onde a água não deve chegar. Lembre-se que é mais importante você estar a salvo do que preservar seus pertences.

Desligue a energia elétrica na caixa de força de sua casa: a água pode conduzir eletricidade e provocar choques elétricos em pessoas e animais. Você não deve tocar em equipamentos elétricos se tiver descalço ou com os pés molhados.

Feche os registros de água, para preservar a tubulação das águas geralmente sujas das inundações.

Não ande pela água: apenas dez centímetros de profundidade, em uma enxurrada, podem fazer você cair e ser carregado pela correnteza.

Se for imprescindível andar na água, caminhe por onde há menos movimento e use uma vara, um cabo de vassoura, um rodo invertido ou qualquer outra haste rígida para verificar de o solo a sua frente é firme e raso.

Se você estiver dirigindo

Não dirija em áreas inundadas: vá sempre para um lugar seco. Se a água começar a tomar a rua e for possível abandonar o carro com segurança, abandone-o e siga para lugares altos e secos, conforme recomendações acima. Permanecendo no veículo, você e ele podem ser levados rapidamente por uma enxurrada.

Dez centímetros de profundidade são suficientes para a água chegar ao assoalho do seu carro, causando perda de controle, se o carro estiver em movimento, e podendo danificar seu veículo, fazendo-o "morrer". Na dúvida, não arrisque.

Cerca de 50 centímetros de profundidade de água (altura dos nossos joelhos) são suficientes para fazer um carro flutuar.

Um metro de profundidade de água (altura de nossos umbigos) é o suficiente para levar a maioria dos veículos, inclusive caminhonetes e utilitários esportivos.

Veja outras dicas sobre como agir em alagamentos

Após uma enchente

Ouça noticias para saber se não houve qualquer tipo de problema com o abastecimento de água potável: ela pode ter sido contaminada.

Se você não fechou os registros de sua casa ou comércio, terá que providenciar uma descontaminação dos seus encanamentos com equipe especializada. As companhias de abastecimento de água podem informar dos procedimentos a serem adotados.

Evite poças e trechos de ruas alagados, pois as águas podem ter sido contaminadas por óleo, gasolina, esgoto ou algum outro produto químico. Ela também pode estar eletrificada devido a alguma fiação existente no subsolo da rua ou da região.

Informe-se sobre a extensão da enchente, pois supermercados podem ter produtos contaminados, entradas e construções podem estar com suas estruturas danificadas e podem cair com seu peso ou o do seu carro.

Fique longe de linhas elétricas caídas e, se encontrá-las, comunique à companhia de energia, informando o local da queda.

Volte para casa somente quando as autoridades informarem que é seguro.

Fique fora de qualquer construção que tenha sido atingida por uma enchente, até que a autoridade local a considere segura.

Fossas assépticas, poços, caixas d´água e cisternas devem ter prioridade nos reparos, pois representam um grande risco à saúde caso não estejam cumprindo sua função corretamente.

Limpe e desinfete tudo o que foi molhado e jogue fora o que não pode ser limpo: lama e água proveniente de inundações e enchentes podem conter esgoto e produtos químicos.

Evite doenças

O contato com água suja e lama, durante inundações, expõe as pessoas a doenças como diarreias, leptospirose e hepatite A, além de problemas de pele. Após enchentes, portanto, é preciso desinfetar os estabelecimentos afetados e redobrar os cuidados com a higiene, a água e a comida.

A médica Isabella Ballalai, vice-presidente da Associação Brasileira de Imunizações (Sbim), lembra que nem todo mundo já foi vacinado contra a hepatite A, já que a imunização ainda não faz parte do calendário oficial do governo e, portanto, não é gratuita.

O vírus é contraído quase sempre pela ingestão de água e alimentos contaminados. A doença se manifesta com sintomas como febre, vômitos, mal-estar, pele e olhos amarelados, urina escura e fezes esbranquiçadas. Entretanto, muitas vezes os sintomas são leves ou inexistentes (principalmente nas crianças) e a pessoa pode contaminar outras sem saber.

O cuidado com água e alimentos também ajuda a prevenir diarreia e outras doenças. “As enchentes podem contaminar as redes de abastecimento, por isso é preciso ficar atento e ‘potalizar’ a água para consumo com pastilhas de cloro ou comprar água mineral”, recomenda a médica.

A medida vale não apenas para a água que será consumida, mas também a usada para lavar os alimentos, tomar banho e escovar os dentes.
Outra ameaça comum a vítimas de enchentes é a leptospirose, transmitida pela urina de rato. Os sintomas são parecidos aos da dengue: febre, diarreia, náuseas, dores musculares e de cabeça. A infecção pode atingir órgãos vitais e, por isso, requer internação.

Para prevenir a leptospirose, Ballalai lembra que é útil usar botas ou luvas de borracha, e mesmo sacos plásticos, ao lidar com a água de enchentes, já que pequenas feridas podem permitir a entrada do agente causador da doença pela pele. Se isso não for possível, lave bem o corpo com água e sabão.

Fontes: Capitão da PM Herbert Meyerhof, Chefe da Seção de Operações e Instrução do Comando de Bombeiros Metropolitano, em São Paulo, Agência norte-americana de gerenciamento de emergências (Federal Emergency Management Agency – Fema) e Isabella Ballalai, vice-presidente da Associação Brasileira de Imunizações (Sbim)

Mais Tilt