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Cientistas descobrem nova espécie de Hominídeo de Denisova

11/04/2019 22h13

Washington, 11 abr (EFE).- O estudo de 161 genomas humanos de 14 grupos de ilhas do Sudeste Asiático e de Papua Nova Guiné revelou a existência de uma nova espécie de Hominídeo de Denisova.

O estudo, publicado nesta quinta-feira na revista médica "Cell", indica que o DNA dos papuásios modernos contém, além do material genético do homo sapiens - os humanos modernos - e dos neandertais, genes de duas espécies de Hominídeo de Denisova, um deles desconhecido até agora. Os pesquisadores, o professor Murray Cox, da Universidade de Massey, da Nova Zelândia, e uma equipe do Instituto Eijkman de Biologia Molecular, da Indonésia, acrescentaram que os dois grupos de Hominídeo de Denisova, cujo material genético sobrevive nos papuásios modernos, se separaram há 350 mil anos.

Os Hominídeos de Denisova são uma espécie, ou subespécie, de homo descoberta em 2010, quando foi analisado o DNA de um fragmento do osso de dedo achado na Caverna Denisova, na Sibéria, na Rússia. Os pesquisadores apontaram que a descoberta publicada hoje indica a existência de pelo menos três linhagens, ou espécies, de Hominídeos de Denisova, já que outros cientistas apontaram que o genoma de siberianos modernos, indígenas americanos e asiáticos contém indícios de um terceiro grupo denisovano.

Por isso, os cientistas liderados pelo professor Cox disseram que "os humanos modernos cruzaram com várias populações de denisovanos, que ficaram isoladas geograficamente" durante longos períodos de tempo nos quais evoluíram de forma distinta. De fato, o material genético das duas espécies de denisovanos achadas no genoma dos papuásios modernos é tão diferente uma da outra que poderia ser consideras como uma nova espécie de hominini. Os hominini são a tribo que inclui o gênero Pan, ao qual pertencem chimpanzés e bonobos, e o gênero homo, ao qual pertencem o homo sapiens, os neandertais e os denisovanos.

Em comunicado, Cox, disse que quando o homo sapiens deixou o continente africano e se espalhou pelo resto do planeta, entrou em um mundo totalmente diferente do que existe hoje em dia.

"Costumávamos pensar que só existiam humanos modernos e os neandertais. Agora sabemos que havia uma grande diversidade de grupos em todo o planeta. Nossos ancestrais estiveram em contato com eles todo o tempo", explicou.

Cox também disse que a descoberta do material genético de um dos grupos de denisovanos nos papuásios modernos indica que o centro da diversidade não esteve na Europa ou no norte, mas nas zonas tropicais da Ásia.

"As pessoas acreditavam que os denisovanos viviam nas terras continentais da Ásia e no norte, mas o nosso trabalho mostra que o centro da diversidade arcaica não era a Europa ou as terras congeladas do norte, mas a Ásia tropical", acrescentou.

Cox explicou que a visão que o centro da diversidade esteve no norte e no oeste é fruto da falta de informação genética, tanto antiga quanto moderna, procedente das ilhas do sudeste da Ásia e de Nova Guiné, assim como porque os ossos sobrevivem melhor em climas frios. EFE

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