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Cientistas de Cambridge descobrem novo método para combater Alzheimer

24/09/2018 21h59

Washington, 24 set (EFE).- Um grupo de cientistas da Universidade de Cambridge, no Reino Unido, descobriu uma nova estratégia para combater as particulas tóxicas que destroem as células cerebrais nas pessoas com Alzheimer, segundo um estudo publicado nesta segunda-feira na revista especializada "PNAS".

"Esta é a primeira vez que foi proposto um método sistemático para atacar os patógenos, a causa do Alzheimer, que foram identificados recentemente como pequenos grupos de proteínas conhecidas como oligômeros", afirmou o pesquisador principal, Michele Vendruscolo.

A nova estratégia se baseia em um enfoque inovador de cinética química desenvolvida nos últimos dez anos, que ajuda a descobrir fármacos contra as doenças de enovelamento de proteínas, como o Alzheimer.

Embora as proteínas sejam normalmente responsáveis pelos grandes processos celulares, quando as pessoas têm a doença de Alzheimer, estas proteínas se tornam "rebeldes", formam grupos e matam as células nervosas saudáveis, de acordo com o estudo.

Em geral, as proteínas precisam se submeter em uma estrutura específica para funcionarem corretamente, e quando este processo falha, a célula apresenta um "grave problema de enovelamento", e podem ser formados depósitos perigosos, que podem causar demência.

As proteínas mal ligadas formam grupos anormais que se acumulam entre as células nervosas, impedindo-as de sinalizar adequadamente.

Vendruscolo explicou que o cérebro perde a capacidade de se desfazer destes depósitos perigosos ao envelhecer, o que provoca doenças de demência.

O diretor científico do centro de pesquisa do Alzheimer no Reino Unido, David Reynolds, disse considerar vital a melhora em enfoques como o hoje revelado para ajudar a refinar o progresso da descoberta de fármacos e acelerar os novos tratamentos para pessoas com Alzheimer.

Outro dos autores principais do estudo, sir Christopher Dobson, da Universidade de Cambridge, afirmou que a pesquisa mostra que é possível "não só encontrar compostos que se dirijam aos oligômeros tóxicos que provocam transtornos neurodegenerativos, mas também aumentar sua potência de uma maneira racional".

Esta descoberta, segundo especialistas, abre caminho para que possam ser desenvolvidos novos remédios para o tratamento do Alzheimer e que eles podem chegar a testes clínicos em cerca de dois anos.