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ONGs expõem "tanque coberto de pães" para pedir o fim das armas

No Rio de Janeiro

19/06/2012 17h29

Um grupo de entidades civis expôs nesta terça-feira um tanque de guerra coberto de pães no Morro Santa Marta, em Botafogo, na Zona Sul do Rio de Janeiro, para chamar a atenção da comunidade internacional e pedir a redução de gastos públicos em defesa e o consequente aumento de investimentos na área social.

Dentro do tanque, os ativistas fizeram um jardim simbólico para exemplificar o que os governos poderiam fazer com os gastos públicos que usam para a área militar. Também destruíram armas para simbolizar a causa. E os pães sírios que cobriam o tanque seriam distribuídos entre os moradores da comunidade.

"As pessoas devem mudar seus conceitos de paz e guerra. Há um longo caminho a percorrer, mas acreditamos que seja possível fazer esse apelo através da conscientização", declarou a ativista Annette Willi, coordenadora de programas da ONG International Peace Buraeu, uma das promotoras do ato paralelo à Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável (Rio+20).

Em entrevista à Agência Efe no evento, ela alertou que a situação atual não apresenta melhoras, e criticou a falta de compromisso dos países que participaram da conferência Eco-92, realizada no Rio de Janeiro 20 anos atrás para promover o conceito de desenvolvimento sustentável.

O movimento de ONGs lembra que a chamada Agenda 21 - compromisso resultante da Eco-92 que inclui diversas metas para solucionar problemas sócio-ambientais - prega a realocação dos gastos em defesa da época. No entanto, os ativistas ressaltam que, enquanto os governos investiram US$ 1,08 trilhão em defesa em 1992, as despesas militares registradas em 2011 pularam para US$ 1,74 trilhão.

Pol Heanna DHuyvetter, conselheiro-executivo do prefeito de Hiroshima e membro da ONG Prefeitos Pela Paz, destacou à Efe que o ato simbolizava o início de um projeto para reivindicar aos governos que reduzam em 10% por ano os gastos em defesa. "As pessoas precisam de desenvolvimento, de educação, de saúde. Não precisam de armas".

Para ele, trata-se de um objetivo muito claro e viável, e menciona o exemplo da Costa Rica como país que, mesmo sem investir na área de defesa, é pacífico e tem indicadores sociais razoáveis. DHuyvetter reconheceu a dificuldade de implementar a meta, mas não a considera idealista demais.

Tião Santos, coordenador dos programas de meio ambiente da ONG Viva Rio, indicou à Efe que o movimento de entidades busca incluir o objetivo de reduzir os gastos militares no documento final que será aprovado pelos chefes de Estado e de governo ao término da Rio+20.

"Mesmo com a crise econômica internacional, as comunidades precisam da sensibilidade dos governos", afirmou o ativista.

Cristina Obredor, integrante da ONG Mundo Sem Guerras e Sem Violência, contestou a falta de representatividade da sociedade civil nas decisões políticas e disse não são as pessoas que querem as armas, mas os governos. "Este é um apelo da maioria da população mundial".

Segundo ela, é "esquizofrênico" o fato de as pessoas desejarem a paz e os governos investirem cada vez mais em equipamentos militares. "Trata-se de um problema estrutural. São necessárias ações simultâneas tanto sociais como individuais"

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