Marketing de influência no SXSW: qual a idade certa para virar influencer?

É raro assistir a um painel no SXSW, o maior festival de inovação do mundo, que não menciona a inteligência artificial e as transformações que ela vem fazendo em nossas vidas. Porém, é inegável a importância das pessoas de verdade nesse processo - que usam a tecnologia, mediam debates e os assistem. A jovem influencer Audrey Boos, de 23 anos, tem meio milhão de seguidores no TikTok e falou sobre isso no painel "Arrase como um influenciador, não importa a sua geração".

Quando você olha para influencers feitas por inteligência artificial, sabe que há times criativos por trás delas. São mentes humanas idealizando criações desde o corte de cabelo. A gente precisa de pessoas reais para fazer acontecer
Audrey Boos, influencer

Também participaram da roda de conversa Shana Davis, empresária que trabalha com marketing de influência há anos, Alex Devine, presidente de agência, e Jeanne Grey, quem tem 500 mil seguidores no Instagram ansiosos para ver suas fotos artísticas de moda e lifestyle.

O marketing de influência está em alta faz tempo. Só nesse ano, a economia que gira em torno desse tipo de negócio está avaliada em US$ 21,1 bilhões, segundo dados da consultoria McKinsey. Mas, em um mercado saturado como esse, em que todo mundo quer tirar um pedacinho de lucro, o que é preciso ter? E dá tempo de fazer isso se não for jovem como Audrey Boos?

"A gente sempre quer falar com os amigos sobre alguma coisa. Se achar o tema que todo mundo adora conversar com você a respeito, comece a postar sobre isso. Encontre o seu nicho. Você já sabe que é bom em algo", aconselha Devine.

A partir dessa descoberta-chave, é preciso consistentemente postar. O conselho das especialistas é encarar como um canal de mídia de verdade: não dá para postar uma vez por mês. "Estava postando seriamente há alguns meses e recebendo ofertas de marcas, mas estava tão assustada com os contratos... escolhi profissionais para me ajudarem e hoje trabalho com minhas marcas favoritas", conta Audrey, sobre quando estourou, na Universidade. No final das contas, as marcas procuram talentos que amam seu produto.

"Quando aparece a primeira campanha - e eu nem posso chamar de campanha - me ofereceram US$ 10 e uma camiseta. Eu achei aquilo o máximo e percebi que se acontecesse dez vezes pagaria minha conta de gás. Ainda demorou muito para que aquilo pudesse ser meu trabalho integral", lembra Jeanne.

Para isso, é preciso escolher um segmento. "Meu namorado naquela época, que é meu marido agora, disse para eu ver onde isso ia dar. O segundo trabalho foram meias, por US$ 50. A pergunta é: como posso transformar isso em meu próprio post e torná-lo criativo para a marca? Postei. Eles me deram os US$ 50. E assim foi", ela conta.

Shana Davis afirma que muitos talentos só não conseguem contratos por não terem os contatos certos. "Eles não sabem por onde começar e acham isso estranho. É como se dissessem 'não quero me vender como um computador'. Mulheres mais velhas podem falar de choque geracional, por exemplo."

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A conclusão é que qualquer pessoa pode ser uma influenciadora. "Amo mulheres nas redes sociais que têm 55 anos mostrando um cabelo incrível para jovens", diz Shana.

Jeanne completa que o segredo é buscar inspiração. Quando ela começou, via muitas inspirações de looks no Tumblr e no Pinterest e pensava: como as pessoas conseguem? Hoje, a mistura de tudo isso impacta centenas de milhares de pessoas. O segredo, elas garantem, é começar. Não importa sua idade.

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