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Vão cair no buraco? Usar os AirPods nas ruas rende momentos tensos

AirPods da Apple na versão com estojo de carga sem fio - Rodrigo Lara/UOL
AirPods da Apple na versão com estojo de carga sem fio Imagem: Rodrigo Lara/UOL

Rodrigo Lara

Colaboração para o UOL, em São Paulo

02/07/2019 04h00

Resumo da notícia

  • AirPods foram lançados para minimizar a dor de cabeça que os fones com fios podem causar
  • Gadget vendeu, somente em 2018, mais de 35 milhões de unidades
  • UOL Tecnologia testou qualidade sonora, conforto e design do produto

Quem é usuário de transporte público sabe bem: poucas coisas são melhores do que ouvir música com seu smartphone e um fone de ouvido para encurtar --ao menos psicologicamente-- as viagens diárias. Mas fones com fio costumam ser problemáticos: se enroscam, quebram e caem do ouvido com frequência.

Lançados em 2016, os AirPods da Apple tinham a missão de reinventar a forma como nos relacionamos com os fones de ouvido. Eles não foram o primeiro modelo com Bluetooth, mas ajudaram a popularizar a tecnologia que nos livra de cabos. Como um grande bônus, os Airpods são inteligentes, pois respondem a nossos gestos e comandos de voz, integrados à assistente Siri.

Tudo isso nos leva a acharmos que eles seriam práticos o suficiente. Mas é isso mesmo? Foi com essa dúvida que transformei um par de AirPods de segunda geração em meus companheiros por uma semana. Será que ele resistiria aos testes da vida real nas ruas brasileiras?

Teste das ruas: os fones não caíram, mas o som ficou sem isolamento no metrô - Rodrigo Lara/UOL
Teste das ruas: os fones não caíram, mas o som ficou sem isolamento no metrô
Imagem: Rodrigo Lara/UOL

Encarando o mundo

Antes, um resumo rápido da trajetória dos Airpods até aqui. Somente em 2018 o produto vendeu 35 milhões de unidades, por isso você já deve ter visto alguém usando um desses por aí. A segunda geração do gadget, lançada neste ano, traz uma bateria maior, permite usar a assistente Siri e se conecta ao Bluetooth 5, versão mais atual da tecnologia sem fio.

Mas o alto preço continua: R$ 1.349 para a versão com estojo de recarga com fio ou R$ 1.679 para o modelo com estojo de recarga sem fio.

Antes de levar o gadget para a rua, resolvi testar a qualidade sonora. Não sou exatamente um audiófilo ou um expert com ouvido treinado, mas a qualidade sonora da música reproduzida pelos AirPods me agradou. Falta um pouco de graves, mas isso é algo típico de fones do tipo. De maneira geral, o som é cristalino e bastante natural.

Como estamos falando de um produto caro, o receio foi minha primeira sensação. Não sou a pessoa mais coordenada do mundo e usar um par de fones totalmente "soltos" nas orelhas não parecia algo muito inteligente no meu caso. Até iniciei uma contagem, na pegada do "'X' dias sem acidentes", para saber quanto tempo levaria até que um dos AirPods --ou os dois-- encontrasse seu triste fim em um buraco, na privada ou algo do tipo.

Conheço, por exemplo, uma colega que teve um dos fones literalmente atropelado por um carro após cair no asfalto da rua e que ficou inutilizável.

Aí veio a minha primeira surpresa: apesar de "soltos" e extremamente leves, os AirPods ficam firmes na orelha a ponto de não terem se mexido nem mesmo na corrida que eu dei para pegar o metrô. Ponto para o gadget.

Outro ponto positivo dos fones é o conforto. Com o passar do tempo, você acaba esquecendo que está com eles na orelha, ainda que os olhares curiosos se encarreguem de te lembrar disso o tempo todo. Eles não pesam, não promovem atrito com a sua orelha e tampouco machucam após horas de uso.

A realidade das ruas

O primeiro problema dos AirPods surge na hora de usá-los em ambientes mais barulhentos. Apesar de ficarem bem encaixados nas orelhas, eles praticamente não isolam os sons ao redor.

Por um lado isso é algo bom, já que você não fica totalmente alheio ao que ocorre à sua volta. Por outro lado, ouvir música com AirPods dentro do metrô sem ser afetado pelo barulho externo é uma tarefa quase impossível.

Uma solução seria aumentar o volume, mas a falta de isolamento acústico é tão grande que você teria que ouvir música quase no máximo. E além de desconfortável, sabemos que isso não é algo que fará bem para a sua audição ao longo do tempo.

Considerando que estamos falando de um fone de preço alto, o fato de ele não trazer nenhuma tecnologia de cancelamento de ruídos não é bom. Em sites como a Amazon é possível encontrar fones Bluetooth consideravelmente mais baratos que têm esse tipo de recurso e são de boa qualidade.

Outro ponto que me incomodou nos AirPods é a ausência de controles físicos. Sim, parece um contrassenso, mas explico: eventualmente você vai querer avançar uma música, aumentar ou diminuir o volume ou, simplesmente, parar a reprodução.

Nos AirPods isso é feito por meio de gestos, e há dois deles. O primeiro consiste em dar dois toques com a mão no AirPod direito ou no esquerdo e pode ser configurado. Isso é feito por meio do menu "Bluetooth" do iPhone e há opções para alternar entre reproduzir ou pausar a música, ativar a assistente Siri e ir para a próxima música ou para a anterior. Também é possível desativar o gesto.

Sentiu falta da opção de aumentar ou diminuir o volume? Pois é: não existe. O que implica que você terá que pegar o seu smartphone com frequência para usar os controles virtuais.

O segundo gesto consiste em tirar um dos fones da orelha, o que faz com que a música em reprodução pause automaticamente. Na verdade, fazer isso é usar de forma "criativa" uma das funções do gadget, que é a de detectar quando ele está ou não na sua orelha.

Pode ser útil, por exemplo, para ouvir o que alguém está falando, mas por outro lado abre a possibilidade do fone escapar da sua mão e acabar se perdendo para sempre.

Fones no estilo "colar" são práticos, mas Airpods (em branco) eliminam qualquer fio ou apoio - Rodrigo Lara/UOL
Fones no estilo "colar" são práticos, mas Airpods (em branco) eliminam qualquer fio ou apoio
Imagem: Rodrigo Lara/UOL

O fone-assistente

A função de viva-voz dos Airpods funciona bem: não faz milagres, claro, mas não foge muito do visto em outros fones. O mesmo vale para o uso da assistente Siri, que agora pode ser acionada com um comando de voz diretamente, sem a necessidade de qualquer movimento com os fones ou comando com o celular.

Especialmente no caso do uso da Siri, é interessante notar que eu conseguir ativar a assistente mesmo em ambientes com barulho e sem precisar, por exemplo, gritar "E aí, Siri" dentro de um metrô ou no meio da rua --o que pode ajudar quem tem uma certa vergonha de usar esses assistentes virtuais.

A lista de funções "inteligentes" dos AirPods 2 é limitada pelo que a assistente Siri pode fazer, como por exemplo ouvir a previsão do tempo, marcar lembretes e escrever textos e responder emails usando sua própria voz, entre outras coisas. O que não é pouco, mas nada além do que você não faria com o próprio smartphone.

Se você é o tipo de pessoa que usa e abusa da assistente, os AirPods ajudarão a evitar que você tenha que tirar o aparelho do bolso para "conversar" com ela. Como não é exatamente o meu padrão de uso, acabei utilizando pouco a função.

A lista de funções inteligentes desses fones será ampliada com a chegada do iOS 13, quando serão capazes de ler e responder mensagens e também compartilhar qual música você está ouvindo ao tocar rapidamente os fones ao mesmo tempo.

Vale a pena?

Diante de prós e contras, justificar a compra de um par de AirPods depende da questão do status e do perfil "antenado em tecnologia" voltado para este gadget. Afinal, falamos aqui de um fone de ouvido de R$ 1.349, mais caro do que muito smartphone por aí.

Puxando pelo lado racional, os AirPods acabam tendo um uso bastante restrito. A qualidade sonora é ótima, mas você não conseguirá ouvir música em ambientes mais barulhentos. A ausência total de fios é legal, mas isso implica em conviver com a constante ameaça de perdê-lo depois de um movimento descuidado. E ele não ter comandos físicos implica que você terá que tirar o seu smartphone do bolso mais do que gostaria.

Se nenhuma dessas questões te incomoda e, claro, a sua conta bancária esteja bem saudável, vá em frente. Do contrário, é possível encontrar opções de fones Bluetooth de boa qualidade e por uma fração do preço. Só que eles provavelmente terão fios, como os tipo "colar". Há ainda outras opções 100% sem fio da Samsung, Sony e Philips, mas também um pouco caras.

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