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Por que o Polo Norte Magnético da Terra está migrando do Canadá para a Rússia

O campo magnético da Terra é gerado em seu núcleo externo Imagem: ESA

Jonathan Amos

Correspondente de ciência da BBC

11/05/2020 10h00

A equipe, liderada pela Universidade de Leeds, na Inglaterra, diz que comportamento é explicado pela competição entre duas massas magnéticas no núcleo externo da Terra.

Um grupo de cientistas europeus acredita que finalmente descobriu porque o Polo Norte magnético está se deslocando.

Nos últimos anos, ele se afastou do Canadá e seguiu para a Sibéria, na Rússia.

O deslocamento foi tão rápido que tem obrigado os cientistas a fazer atualizações mais frequentes nos sistemas de navegação por GPS, incluindo aqueles que são usados nos mapas dos smartphones.

A equipe, liderada pela Universidade de Leeds, na Inglaterra, diz que o comportamento é explicado pela competição entre duas massas magnéticas no núcleo externo da Terra.

Mudanças nos fluxos de material derretido no interior do planeta têm alterado a força das áreas de fluxo magnético negativo.

"Essa mudança no padrão de fluxos enfraqueceu a parte abaixo do Canadá e aumentou ligeiramente a força da faixa abaixo da Sibéria", explicou Phil Livermore.

"É por isso que o Polo Norte deixou sua posição histórica sobre o Ártico canadense e cruzou a Linha Internacional de Data. O norte da Rússia está vencendo o cabo de guerra", disse ele à BBC.

Três polos

A Terra tem três polos na sua parte superior.

Um Polo Geográfico, que é o ponto na superfície do eixo de rotação do planeta. O Polo Geomagnético, que é o local que melhor se encaixa a um dipolo clássico (sua posição muda pouco).

E depois há o Polo Norte magnético, onde as linhas de campo são perpendiculares à superfície. Este é o que está se movendo.

Foi identificado pela primeira vez na década de 1830 pelo explorador James Clark Ross quando este se encontrava em Nunavut, território autônomo no nordeste do Canadá.

Naquela época, esse polo não se movia muito longe, nem muito rápido.

Mas, nos anos 1990, começou a se mover para latitudes cada vez mais altas, cruzando a Linha Internacional de Data no final de 2017. No processo, ficou a algumas centenas de quilômetros do Polo Geográfico.

O modelo anterior não se encaixava

Usando dados de satélites que têm medido e acompanhado a evolução do campo magnético da Terra nos últimos 20 anos, Livermore e seus colegas tentaram modelar as oscilações do Polo Norte Magnético.

Dois anos atrás, quando apresentaram suas ideias pela primeira vez na reunião da União Geofísica Americana, no Estado de Washington, sugeriram que poderia haver uma conexão com um jato (fluxo em alta velocidade) de ferro derretido na região mais externa do núcleo do planeta avançando em alta velocidade rumo a oeste sob o Alasca e a Sibéria.

Mas os modelos não se encaixavam completamente e a equipe agora revisou sua avaliação para se alinhar com um outro regime de fluxo.

"O jato está ligado a latitudes setentrionais muito altas e a alteração do fluxo no núcleo externo, responsável pela mudança na posição do polo, está, na realidade, mais ao sul", explica Livermore.

"Há também o problema do momento das ocorrências. A aceleração do jato ocorre nos anos 2000, enquanto a aceleração do polo começa nos anos 90".

O modelo mais recente da equipe indica que o polo continuará avançando em direção à Rússia, mas, em algum momento, começará a ir mais lento. Em sua velocidade máxima, ele percorre de 50 a 60 km por ano.

"Ninguém sabe se isso retrocederá ou não no futuro", disse o cientista britânico à BBC.

O recente deslocamento do polo levou o Centro Nacional de Dados Geofísicos dos Estados Unidos e o Serviço Geológico Britânico a emitir uma atualização antecipada do Modelo Magnético Mundial em 2019.

Este modelo é uma representação do campo magnético da Terra em todo o mundo. Ele é incorporado a todos os dispositivos de navegação, incluindo smartphones modernos, para corrigir erros de bússola.

Livermore e seus colegas se apoiaram fortemente nos dados registrados pelos satélites da missão Swarm da Agência Espacial Europeia.

A equipe publicou sua pesquisa na revista Nature Geoscience.

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