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Telescópio espacial Webb chega a seu destino, a 1,5 milhão de km da Terra, diz Nasa

24/01/2022 21h13

Washington, 25 Jan 2022 (AFP) - O telescópio espacial James Webb alcançou sua órbita final, a 1,5 milhão de quilômetros da Terra, de onde poderá observar as primeiras galáxias do Universo, confirmou a Nasa nesta segunda-feira (24).

Por volta das 19h00 GMT (16h de Brasília), ativou seus propulsores para alcançar o ponto de Lagrange 2, ideal para observar o cosmos.

"Bem-vindo a casa, Webb!", exclamou o chefe da agência espacial americana, Bill Nelson, em um comunicado.

"Demos um passo a mais para descobrir os mistérios do Universo. E tenho vontade de ver as primeiras novas imagens do Universo do telescópio Webb neste verão!", acrescentou.

Nesta região do espaço, permanecerá alinhado com a Terra enquanto se move ao redor do Sol, o que permitirá ao guarda-sol que o Webb leva proteger o equipamento sensível ao calor e à luz.

Esta é a terceira vez que o telescópio ativa seus propulsores desde que foi lançado em um foguete Ariane 5 em 25 de dezembro.

O grande impulso do foguete reduziu-se deliberadamente para evitar que o instrumento ultrapassasse seu objetivo e assegurar-se de que chegasse ali por etapas.

Sob essas condições, o Webb deve ser capaz de exceder facilmente sua vida mínima planejada de cinco anos, disse Keith Parrish Webb, gerente do observatório, a repórteres em uma chamada.

A duração da missão pode ser de cerca de 20 anos, acrescentou. "Achamos provavelmente é uma boa faixa, mas estamos tentando refinar isso", esclareceu.

É hipoteticamente possível, mas não está previsto, que uma futura missão possa ir até lá e reabastecê-lo.

O telescópio James Webb, cujo custo para a Nasa chega a cerca de 10 bilhões de dólares, é um dos equipamentos científicos mais caros já construídos, comparado a seu antecessor, Hubble, ou ao acelerador de partículas do CERN.

- "Halo" -Enquanto o telescópio espacial Hubble estava na órbita da Terra, o Webb está em uma área do espaço chamada Lagrange 2 (L2), onde as forças de atração da Terra e do Sol são compensadas pela força centrífuga do telescópio, o que permite uma trajetória estável usando menos combustível.

O novo telescópio não estará exatamente no ponto L2, mas sim oscilará em torno dele como um "halo", a uma distância semelhante à da Terra e da Lua, em um ciclo de seis meses.

No passado houve outras missões espaciais na L2, como o telescópio espacial infravermelho Herschel, desenvolvido pela Agência Espacial Europeia, e um satélite da Nasa destinado a estudar o Big Bang.

O posicionamento do James Webb também permitirá que ele esteja em constante contato com a Terra por meio da Deep Space Network, uma rede de três grandes antenas na Austrália, Espanha e Califórnia.

No início de janeiro, a Nasa conseguiu colocar em funcionamento o enorme espelho do telescópio que possibilitará a recepção de radiação emitida pelas primeiras estrelas e galáxias, formadas há mais de 13,4 bilhões de anos, menos de 400 milhões de anos após o Big Bang.

Com a expansão do Universo, essa luz viaja mais e, assim, "se avermelha". Assim como o som de um objeto é abafado quando se afasta, a onda de luz é esticada e passa da frequência visível a olho nu para o infravermelho.

No entanto, o Webb, ao contrário do Hubble, está equipado para perceber esses sinais infravermelhos, de forma que ele poderá ver não apenas objetos mais antigos, mas também as nuvens de poeira interestelar que absorvem a luz das estrelas e as escondem do olhar do Hubble.

Também ajudará a explorar exoplanetas, que orbitam outras estrelas além do Sol. Examinará sua atmosfera, procurando condições favoráveis ao surgimento de vida.

Agora que está em sua posição definitiva, será preciso que esperar que seus instrumentos científicos esfriem antes de serem calibrados com alta precisão. Espera-se que suas primeiras imagens estejam disponíveis em junho ou julho.

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