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Cuba critica oposição dos EUA em seu programa de proteção costeira

26/03/2021 12h59

Havana, 26 Mar 2021 (AFP) - Cuba criticou nesta sexta-feira (26) os Estados Unidos por terem sido o único oponente ao seu programa de proteção costeira, aprovado pela Junta do Fundo Verde do Clima da ONU, que permitirá ao país acessar maiores recursos para recuperar manguezais, florestas de pântano e pastagens.

"A hostilidade (dos EUA) contra Cuba alcança todos os âmbitos e contradiz as prioridades declaradas de política externa dessa nação", disse o chanceler Bruno Rodríguez em sua conta do Twitter.

A esperança de que a tensa relação entre Cuba e Estados Unidos mudaria com a chegada ao poder de Joe Biden está desaparecendo à medida que a ilha não parece ser uma questão prioritária para o novo governo americano.

Dias atrás, o Departamento de Estado dos EUA disse que uma mudança de política com Cuba não era uma prioridade do novo governo, mas afirmou que iria revisar as decisões tomadas sobre a ilha pela gestão de seu antecessor, Donald Trump.

Rodríguez afirmou que os Estados Unidos foram o único país que se opôs à iniciativa cubana "Minha Costa" para fortalecer a adaptação à mudança climática na Junta do Fundo Verde do Clima (GCF).

Um total de 23 dos 24 membros da GCF aprovaram o programa cubano e alocaram um fundo de 23,9 milhões de dólares, durante o encontro internacional de 16 a 19 março.

"Minha Costa" deve beneficiar 1,3 milhão de pessoas de 24 municípios e sete assentamentos costeiros, segundo a imprensa local.

Concebido para ser aplicado durante 30 anos, o "Minha Costa", que conta com um apoio local de 20,3 milhões de dólares, fortalecerá a adaptação das comunidades nas áreas vulneráveis da costa sul de Cuba, mediante a reabilitação das costas, das paisagens marítimas, dos ecossistemas e da hidrologia.

O projeto "Resiliência costeira à mudança climática em Cuba, Minha Costa" prevê restaurar 11.000 hectares de manguezais, 3.000 de florestas de pântano e 900 de pastagens.

Segundo os cientistas, isso deve melhorar a saúde de mais de 9.000 algas marinhas e de cerca de 134 km de recifes de corais - barreiras protetoras essenciais devido à elevação do nível do mar, um perigo vigente para muitas ilhas do Caribe.

A governamental Agência do Meio Ambiente (AMA) será a responsável por desenvolver o programa com o apoio do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD).

Segundo os especialistas locais, se o programa não for aplicado, cerca de 20 comunidades costeiras poderão desaparecer até o fim deste século e quase 100 serão gravemente afetadas pela mudança climática.

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