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Análise: "Shadow of the Tomb Raider" é linear e traz poucas novidades

Rodrigo Lara

Colaboração para o UOL Jogos

16/09/2018 04h00

Após uma dezena de horas jogando "Shadow of the Tomb Raider", o pensamento que mais se repetia em minha cabeça era: "Falta alguma coisa".

Disponível para PC (R$ 179,90), PlayStation 4 (R$ 249,90) e Xbox One (R$ 250), o game é o terceiro dessa nova fase da franquia e volta a mostrar uma Lara Croft jovem, mas cada vez mais experiente e capaz de lidar com situações adversas.

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E, convenhamos: desde o game de 2013, que marcou esse reinício para a série, o que mais vemos é Lara coberta de arranhões, hematomas e machucados diversos, levando tombos variados e apanhando de inimigos.

Essa situações, que se repetiram em "Rise of the Tomb Raider", de 2015 - game que explora o lado "MacGyver" da personagem -, aos poucos criaram uma aventureira casca-grossa e cheia de recursos. "Shadow of the Tomb Raider", portanto, nos dá o controle de uma Lara que já não é tão novata assim.

Talvez até por isso acabamos esperando um pouco mais do que o jogo, de fato, oferece. A principal novidade aqui é a mecânica de camuflagem, que permite que Lara utilize o ambiente para evitar ou surpreender inimigos.

Sim, é muito legal ver a heroína passando lama pelo corpo e se misturando a partes do cenário e assumindo o lugar de predador, ou em vez de ser a presa como vinha ocorrendo.

50 tons de verde

Esse posicionamento da personagem, por outro lado, acaba deixando a aventura em si um pouco enfadonha quando nos referimos ao combate.

Aqui a reclamação não é por conta de uma suposta ênfase às abordagens furtivas - o que faz sentido, afinal Lara enfrenta o exército da Trindade sozinha, ocupando o lado mais frágil da disputa. O problema é que qualquer forma de combate que não envolva se misturar com o ambiente, separar os inimigos e acabar com eles um a um acaba sendo frustrante.

Imagem: Divulgação

Seja na "porrada" ou no tiro, o combate de curta distância é péssimo. Frequentemente o jogador se verá dando golpes no ar, enquanto se enrola para sacar uma arma de fogo para tentar resolver a situação. 

Diversas situações do tipo me fizeram pausar o jogo e soltar palavrões. Não por estar apanhando, mas por passar por momentos frustrantes que não ocorriam nos jogos anteriores.

A ambientação do jogo, em si, é bacana: ele se passa, em sua maior parte, na porção peruana da Amazônia, com a personagem explorando ruínas de povos pré-colombianos na tentativa de evitar um cataclisma que ela ajudou a começar.

Tem planta que não acaba mais, é verdade, mas elas aparecem intercaladas com belos cenários que envolvem montanhas, desfiladeiros, cachoeiras, rios e, claro, ruínas.

História que não compromete

Em qualquer um desses lugares, no entanto, os jogadores se sentirão guiados o tempo todo: "Shadow of the Tomb Raider" segue a cartilha de boa parte dos exemplares do gênero (sim, "Uncharted" é um deles) e é um jogo extremamente linear. Mesmo tendo um certo componente de "mundo aberto", com a presença de vilarejos nos quais Lara pode comprar itens e interagir com a população local, é uma sensação que nunca deixa de existir.

Essa linearidade é, sobretudo, vista nas missões principais do jogo. Para quebrar um pouco essa sensação, o game aposta em missões paralelas, tumbas de desafio e criptas. É um conteúdo bem-vindo e que dá um toque adicional de exploração ao jogo --um movimento iniciado por "Rise" após o game de 2013 se concentrar exageradamente no tiroteio.

Imagem: Reprodução

A história, em si, não traz momentos de tirar o fôlego, mas é interessante de ser acompanhada tanto jogando o game em si quanto lendo a descrição de itens coletados. Há um folclore rico que permeia o jogo e essas descrições acabam premiando quem tiver a paciência de ler todas essas informações.

O game mescla cenários belíssimos com uma Lara que se movimenta bem, mas tem um visual que remete a um boneco de plástico. É um ponto que parece uma certa involução em relação a "Rise", game que ainda tem os melhores gráficos dessa nova fase da série.

"Shadow of the Tomb Raider" traz diálogos e textos em português, com uma dublagem que pode ser considerada boa - especialmente se comparada ao áudio original, que traz momentos um tanto quanto estranhos.

Imagem: Divulgação

Os tropeços não tornam "Shadow of the Tomb Raider" um jogo ruim: é provável que você se divirta com ele, se empolgue com a história ou, ainda, fique ansioso por mais.

Diante de toda a expectativa gerada pelo game, contudo, ele acaba sendo um jogo que cumpriu menos do que havia prometido. O "falta alguma coisa" era justamente isso: encontrar algo no game que tirasse a sensação de se estar jogando um game um tanto genérico.

Infelizmente, foi algo que não encontrei.

Nota 7

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