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Fotógrafo da Efe e prêmio Rei de Espanha, Marcelo Sayão morre aos 55 anos

26/11/2020 22h18

Rio de Janeiro, 26 nov (EFE).- Coordenador de fotografia da Agência Efe no Brasil e vencedor do Prêmio Rei de Espanha de Jornalismo em 2001, Marcelo Sayão faleceu nesta quinta-feira, no Rio de Janeiro, aos 55 anos.

Profissional brilhante e com um olhar ímpar sobre os fatos a serem captados por suas lentes, Sayão era uma referência em fotografia para a Efe e colegas de veículos de imprensa.

Ele foi responsável pela criação do serviço de fotografia da Efe no Brasil, do qual era coordenador desde 2003. Ao longo desses anos, registrou mais de 30 mil imagens no Brasil e no mundo.

Pela Efe, Sayão trabalhou nas Copas do Mundo de 2006, na Alemanha, e 2014, no Brasil, e também nos Jogos Olímpicos de Pequim 2008, Londres 2012 e Rio 2016.

Na América do Sul, cobriu, entre outros eventos, a posse de Evo Morales como presidente da Bolívia, em 2005, e várias edições da Copa América, de Jogos Pan-Americanos e Cúpulas Ibero-Americanas e do Mercosul.

PRÉMIO REI DE ESPANHA.

Sayão nasceu em 11 de Janeiro de 1965, no Rio de Janeiro, mas passou parte da juventude em Natal, de onde parte de sua família é originária. A carreira como fotojornalista começou nos anos 80, ainda no Rio Grande do Norte.

Anos depois, voltou ao Rio, onde trabalhou em Última Hora, O Dia, Jornal do Brasil e O Globo, antes de chegar à Efe.

Sayão fez nome internacionalmente ao ganhar o Prémio Rei de Espanha de Jornalismo na categoria de fotografia em 2001, por uma imagem publicada na capa de O Globo em 21 de outubro de 2000 que mostra um policial militar que estava em um orelhão sendo acuado por moradoras do morro da Providência, uma delas ameaçando arremessar um tijolo em sua direção. O episódio aconteceu em um dia de protestos contra uma operação policial na comunidade.

A sensibilidade social e o compromisso do fotógrafo com a informação verídica o levaram a realizar várias coberturas de alto risco, como a da ocupação do Complexo do Alemão por militares, em 2010.

PRESENTE EM COBERTURAS DE DESTAQUE.

Além dos temas sociais, que eram os seus favoritos, e os carnavais do Rio - Sayão podia enviar diariamente até 300 excelentes imagens. Flamenguista fanático, ele também se destacou em várias coberturas futebolísticas.

Além do trabalho de campo, Sayão coordenou a equipe de foto da Efe no Brasil, que conta com profissionais fixos em Rio de Janeiro, São Paulo e Brasília, além de uma extensa rede de colaboradores em todo o país.

Entre as últimas grandes coberturas que coordenou, destacam-se a ascensão ao poder de Jair Bolsonaro (2018), a tragédia de Brumadinho (2019), a Copa América de 2019, os incêndios na Amazónia naquele mesmo ano e a crise do coronavírus em 2020.

O corpo de Sayão, que era pai de três filhos, será cremado nesta sexta-feira no cemitério do Caju, no Rio de Janeiro.