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Multidão vai ao Brás para ver Deolane, que sorteia iPhones por popularidade

Deolane Bezerra com a vencedora do sorteio do iPhone 13 Pro Max - Iwi Onodera/UOL
Deolane Bezerra com a vencedora do sorteio do iPhone 13 Pro Max Imagem: Iwi Onodera/UOL

Renata Nogueira

De Splash, em São Paulo

06/04/2022 04h00

Deolane Bezerra é eleitora declarada de Lula em 2022, mas não descarta também entrar para a política em um futuro próximo. "Estourada", como a própria se define, a advogada voltou às raízes ontem em um evento no Brás, região de comércio popular em São Paulo.

"Já trabalhei aqui no Brás, na 25 de Março, sei como é", disse a doutora ao público que esperou até cinco horas para vê-la de perto junto com as suas irmãs, Daniele e Dayanne, também advogadas. Quando a família veio de Pernambuco para São Paulo, elas vendiam brinquedos como ambulantes na região e chegaram até a montar uma loja.

Contratada para divulgar uma rede de assistência técnica de celulares, tablets e computadores, Deolane "fez seu corre" e convenceu o dono da empresa a sortear três iPhones 13 Pro Max só para o público, boa parte de fãs dela. Na divulgação do sorteio, tinham sido prometidos dois iPhones: um para o público presente e outro para um dos clientes da loja. Top de linha, o aparelho custa a partir de R$ 7 mil no Brasil.

Depois de mostrar sua capacidade de convencimento, a doutora brincou com o público: "Vote Deolane para presidente" e emendou com uma promessa. "Sabe o que eu vou liberar quando eu entrar na política?" Chegou a ouvir "maconha" do público. "Maconha não, fuma quem quer. Eu vou liberar iPhone, todo brasileiro vai ter iPhone."

Mil pessoas preencheram os cupons do sorteio, e cada uma recebeu uma pulseira com um número. Com o poder de escolher qualquer número, de um a mil, Deolane chamou o 13. "Meu número é 13, é Lula. Quem tem número 13 ganhou um iPhone." Curiosamente, o último número sorteado foi 17 (usado por Bolsonaro nas últimas eleições), escolhido por Martinha, que trabalha com Daniele. "Pô, assim vai ficar sem emprego, hein", reclamou Deolane sobre a escolha.

Deolane Bezerra e irmãs reúnem multidão no Brás

Janaína Silva, a sorteada com o número 13, estava com as filhas adolescentes no shopping popular desde as 7h30 da manhã. As meninas perderam o dia na escola para ter a primeira e talvez única chance de ver a influenciadora de perto. "Eu não teria condições de comprar um ingresso para o show dela", disse a mãe sobre as apresentações de Deolane como cantora e DJ.

Janaína contou que o iPhone 13 será usado pela sua filha mais velha, de 18 anos, que sonha em ser influenciadora assim como as irmãs Bezerra. A família da Vila Maria ainda ficou contente de conhecer Nego Jader, segurança particular de Deolane que já morou na mesma rua que elas no bairro da zona norte de São Paulo. Jader chegou até a posar para selfies com alguns fãs, mas negou entrevistas já que estava trabalhando e não podia tirar o olho de sua protegida.

Doutora no poder

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Deolane Bezerra com seu segurança, Nego Jader, que ficou famoso junto com ela nas redes sociais
Imagem: Iwi Onodera/UOL

Caso realmente decida entrar para a política, Deolane mostrou que já tem algumas pautas bem definidas. Recebendo toda a atenção dentro de um shopping de comércio popular, a advogada sabia com quem estava falando. Um público não só de São Paulo, mas gente do Brasil inteiro.

"Não vou me estender, sei que tem uma galera que tem horário no ônibus", disse apressando o sorteio, demonstrando consciência sobre as excursões que levam milhares de pessoas todos os dias para a região do Brás.

O evento estava marcado para começar às 9h. Deolane subiu no palco 360º em um estande vinte minutos antes do meio-dia. Assim que apareceu, ouviu um pedido dos fãs: "Faz o L". Interagiu com um grito de "Lula", seu candidato nas eleições de outubro, emendando com outra pauta que defende, a capacitação de mulheres.

"Hoje, estamos recebendo mulheres que sofreram abuso doméstico e estão aqui se especializando", disse sobre o centro de capacitação que forma novos técnicos para trabalhar com conserto de celulares e eletrônicos. A dois corredores dali, mulheres da ONG Reviva eram treinadas. "Quando a gente pede pra Deus uma saída, algo pra fazer, uma profissão. Vocês encontram aqui."

Conciliando a carreira de advogada com a de cantora, DJ e influenciadora, Deolane já fez muito dinheiro com o Direito —ela contou que sua primeira bolsa Louis Vuitton foi comprada há 14 anos— mas hoje foca na publicidade. No palco, a doutora ainda admitiu que "foi um chororô do cão" para negociar seu cachê.

O valor pago para a influenciadora não foi divulgado, mas a estratégia deu certo. Além de ter atraído centenas de pessoas para os arredores da loja, Deolane, Daniele e Dayanne divulgaram a marca nos stories do Instagram, onde elas somam 15 milhões de seguidores, sem contar seus perfis reserva. No final do evento, as irmãs ainda tiraram fotos com o público que enfrentou fila.

Nos corredores do shopping, funcionários de outras lojas comentavam sobre a presença da doutora. "Ela recebeu R$ 55 mil só para vir aqui hoje", especulava uma vendedora, enquanto outra desistia de esperar o sorteio do iPhone para voltar ao seu posto em uma lanchonete. "Vou voltar a trabalhar porque a Deolane não paga o meu salário."

Luxo no Brás

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Detalhe da sandália da grife italiana Dolce Gabbana usada por Daniele Bezerra, irmã de Deolane
Imagem: Iwi Onodera/UOL

Apesar do relacionamento conturbado que viveu com MC Kevin, Deolane Bezerra sempre faz questão de afirmar que nunca dependeu do dinheiro do funkeiro. Aos 34 anos, e quase um ano após a morte do noivo, diz que não se envolveu com mais nenhum homem desde então. Suas irmãs, Daniele, de 35, e Dayane, de 33, também estão fazendo seu próprio dinheiro.

Dinheiro que já foi escasso, mas hoje não é um problema. No evento, Daniele usava uma sandália Dolce Gabbana e um colar Prada. Deolane escolheu uma bota da Louis Vuitton e uma meia calça da Gucci. Dayanne ostentava um colar de ouro com as iniciais DB. As três são advogadas criminalistas, profissão escolhida pela mais velha, Daniele, que acabou atraindo as outras irmãs.

"No começo, como a gente é da área criminalista, o pessoal tinha muito medo, se apavorava. Achava que só lidávamos com bandido. Depois que começamos a explicar muita gente foi estimulada e hoje me diz que vai para a área criminalista", conta Dayanne.

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Dayanne, Deolane e Danielle, as irmãs Bezerra
Imagem: Iwi Onodera/UOL

Mais nova das três irmãs, ela já tinha um bom salário como empresária quando Deolane literalmente a arrastou para o curso de Direito. "Um dia a Deolane me chamou para ir lá na faculdade dela resolver um problema. Chegou lá era para me matricular. Aí acabei fazendo. Eu nem queria, e dentre elas fui a primeira a passar na OAB. Quando fui eu deslanchei."

Daniele, que é presidente da Comissão de Direito Penal - Subseção Tatuapé, diz ter muito orgulho da profissão dela e das irmãs. Ainda que encantada com a nova carreira de influenciadora, ela diz que jamais deixará de advogar. "Direito é a minha paixão, não conseguiria ficar sem ele".

As grifes internacionais hoje enchem o guarda-roupa das irmãs Bezerra, mas até a ostentação tem limite, revela Daniele. "Eu faço comprinhas aqui direto. Adoro. Tem lugar que vou, olho e penso: 'ah não, no Brás é mais barato'. Aqui tem ótimos produtos de preços acessíveis e justos."