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Diretor de cinema é indiciado por assédio sexual e divulgação de nudez

O diretor de cinema Givaldo dos Santos Serafim foi indiciado por assédio sexual, injúria por preconceito e divulgação de cena de nudez. - Divulgação
O diretor de cinema Givaldo dos Santos Serafim foi indiciado por assédio sexual, injúria por preconceito e divulgação de cena de nudez. Imagem: Divulgação

Ane Cristina

De Splash, em São Paulo

05/04/2022 14h56Atualizada em 06/04/2022 07h50

O diretor de cinema Givaldo dos Santos Serafim foi indiciado por assédio sexual, injúria por preconceito e divulgação de cena de nudez. A informação foi revelada pelo "O Globo" e confirmada por Splash.

Bruno Gilaberte, delegado titular da 5ª DP do Rio de Janeiro, disse que o diretor de 54 anos usava de sua posição para constranger e assediar atores que eram candidatos a papéis em suas produções.

"Ele dizia ter influência junto a produtores, empresas de mídia, e que podia 'fazer ou encerrar' a carreira de alguém. Então isso era tido pelos atores como uma forma de intimidação, esses atores acabavam anuindo com as cenas de sexo que ele ordenava que eles fizessem, por medo. Esses atores tinham medo de ser prejudicados em sua atividade profissional", disse o delegado em entrevista a Splash .

Ao jornal "O Globo", a atriz Priscila Helena Belgues, de 39 anos, contou que se candidatou para uma das vagas via Facebook e teve reuniões virtuais com Givaldo antes de encontrá-lo pessoalmente. O roteiro original não tinha abraços nem beijos, mas, ao ensaiar pessoalmente, o diretor sugeriu uma "improvisação".

"Já gravei outras cenas íntimas na carreira, afinal na arte temos que estar disponíveis, mas sempre foi com equipes que tinham uma preocupação grande em preservar os atores. Dessa vez, entretanto, havia uma pressão psicológica e, parecia que, se eu não fizesse, ficaria queimada no mercado", contou a atriz.

"Ele é um homem eloquente e demonstrava conhecimento com pessoas influentes no meio, fingindo conversar no telefone com produtores famosos no meio e até pessoas ligadas aos sindicatos de classe".

Bruno Gilaberte relata que Givaldo ainda tentou divulgar as cenas sem a autorização dos atores. "Mesmo sem autorização dos atores para divulgação, ele, para mostrar como era feito o trabalho dele, tentou mostrar essas cenas para um cliente em potencial. Só que esse cliente, quando percebeu que a cena iria retratar a nudez dos atores, pediu para interromper".

Splash entrou em contato com o SATED-RJ (Sindicato dos Artistas e Técnicos em Espetáculos de Diversões do Estado do Rio de Janeiro), que informou que Givaldo nunca fez parte do quadro de associados.

"Não obstante, rechaçamos veementemente tal comportamento abusivo e criminoso", disse Hugo Gross, presidente do sindicato, em nota.

A reportagem tenta contato com o diretor, ainda sem sucesso. Ao "Globo", ele negou as acusações.

"Realizei diversos trabalhos e preparação de elenco nessa época, mas não houve nenhum tipo de assédio sexual, estupro ou outros crimes dessa natureza. Houve a gravação de cenas fortes, mas nada que ultrapassasse o limite do audiovisual, como cenas de penetração ou qualquer coisa que vulgarizasse as artes cênicas", disse Givaldo.

Em nota, a polícia civil do Rio de Janeiro informou que o inquérito foi concluído e relatado ao Ministério Público.