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Gal Costa, Caetano Veloso e Galvão Bueno relembram Ditadura Militar

Sergio Groisman, Caetano Veloso, Gal Costa e Galvão Buenos - Globo
Sergio Groisman, Caetano Veloso, Gal Costa e Galvão Buenos Imagem: Globo

Colaboração para Splash, em São Paulo

28/11/2021 10h24Atualizada em 28/11/2021 10h42

Caetano Veloso, Galvão Bueno e Gal Costa foram convidados do Altas Horas ontem. Durante participação no programa da Globo, os cantores falaram sobre o período da Ditadura Militar no Brasil [1964-1985].

"Era muito difícil aquela época, eu sentia muita angústia quando eu cantava. Eles [amigos e familiares] longe... e eu fiquei aqui. As pessoas eram agressivas na rua comigo. Eu andava com aquelas roupas [despojadas] e as pessoas me agrediam", relatou Gal.

Caetano, por sua vez, relembrou a prisão indevida. "Nos prenderam meio sem saber o porquê. Nos interrogatórios tinha uma ignorância muito grande do que estava acontecendo. Ficamos um mês presos sem ninguém explicar o que estava acontecendo, nada. Só me jogaram em uma solitária e Gil em outra", iniciou.

"No segundo mês começaram os interrogatórios, só então começamos a entender os motivos da prisão. O Major que me interrogava disse que um radialista tinha dado uma declaração que nós éramos subversivos, que tínhamos cantado o hino nacional com palavrões, uma porção de coisas que não tinha acontecido. Eu provei o contrário, mas não adiantou nada", continuou o cantor.

Após provar sua inocência, a liberdade era algo esperado por Caetano, porém, não foi algo tão simples. "Me disseram que seria solto, fiquei mais 15 dias preso. Depois me levaram a Salvador, ficamos mais quatro meses confinados na cidade, sem poder se apresentar em lugar nenhum ou dizer nada à imprensa. Depois disso, finalmente, veio o exílio em Londres. E Gal foi nos visitar". A cantora corroborou a história. "Sim, umas duas ou três vezes".

Galvão também falou sobre como encarou a ditadura na juventude: "Eu era um menino de 18 anos, morava em Brasília. No dia seguinte [ao golpe militar] eu lembrava muito de tentar respirar. Isso por conta do gás lacrimogêneo. Lembro de correr para não tomar mais porrada, lembro direitinho lamentavelmente", pontuou.

Caetano, por fim, falou sobre as pessoas que difundem ideias erradas sobre o período militar: "Hoje a gente vê muita confusão da parte de pessoas que relembram o período da Ditadura Militar como se fosse boa, organizada e produtiva para o Brasil, mas não era. Estão fazendo confusão aí", encerrou.