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Jornalista lembra entrevista com serial killer: 'Meigo, educado, sensível'

Renato Lombardi entrevista Percival de Souza para o podcast "Arquivo Vivo" - Youtube/Arquivo Vivo
Renato Lombardi entrevista Percival de Souza para o podcast 'Arquivo Vivo' Imagem: Youtube/Arquivo Vivo

Colaboração para Splash, em São Paulo

27/11/2021 21h47

O jornalista Percival de Souza foi entrevistado por Renato Lombardi para o podcast "Arquivo Vivo" para falar sobre Francisco da Costa Rocha, serial killer que ficou famoso pelo apelido de "Chico Picadinho" depois de matar e esquartejar duas mulheres em 1966 e 1976. Tanto o convidado quanto o apresentador do programa cobriram os casos na época. Percival de Souza chegou a entrevistar o criminoso.

O convidado disse que, logo depois que Chico Picadinho cometeu seu primeiro assassinato, contra Margareth Suida, ele foi até a residência onde o crime aconteceu. "Eu confesso a você que não consegui ficar muito tempo dentro do apartamento ao contemplar aquele cenário. O delegado ficou, peritos continuaram, mas eu, sinceramente, não resisti. O corpo foi picado, retalhado", detalhou Percival.

Lombardi falou que também foi ao local depois e ainda havia sangue no banheiro. "Parte [do corpo] ele tentou se desfazer através do vaso sanitário e parte ele colocou em uma mala".

Chico Picadinho foi preso no Rio de Janeiro, onde permaneceu encarcerado por quase 9 anos. Lombardi, que acompanhou o seu julgamento, recorda a frieza do homem: "Ele comeu um hambúrguer contando detalhes a respeito do crime".

Menos de uma década depois, no entanto, o serial killer deixou a prisão após uma avaliação médica que o declarava apto. "Com esse laudo psiquiátrico inacreditável, ele foi colocado em liberdade. Solto, ele voltou a praticar outro assassinato nas mesmas circunstâncias. E, desde então, os psiquiatras têm medo até hoje de dar um laudo favorável a ele", conta o entrevistador. A segunda vítima era Ângela Silva. Assim como Margareth, ela atuava como prostituta.

Ele continua:"Ao contrário de outros criminosos, Chico Picadinho nunca deu problema nenhum [na prisão]. Inclusive, passou a pintar quadros e aquarelas".

Percival lembra quando ficou frente a frente com o homem: "Eu fiz uma entrevista com ele tentando entendê-lo, porque eu não conseguia entender um homem de fala mansa, meigo, educado, bem comportado, com pinturas de aquarela de qualidade, sensível [que cometia assassinatos]...".

"Se eu tivesse aqui, conversando com ele, e eu não soubesse quem é Francisco da Costa Rocha, eu jamais imaginaria que aquela pessoa na minha frente fosse o Chico Picadinho. Nós conversamos e, na verdade, eu não conseguia arrancar segredos. Só me chamou atenção uma coisa: ele me pediu que eu não o chamasse, na matéria, de 'monstro'. 'Por favor, não me chame de monstro'. E eu atendi".

Lombardi diz que conversou com psiquiatras que apontaram que Chico Picadinho "esquece" os crimes de sua memória depois que os comete: "Depois que ele pratica o crime, ele apaga e, no dia seguinte, é como se nada tivesse acontecido".

Percival desenvolveu uma teoria sobre a possível motivação por trás dos assassinatos: "Eu percebi que ele tinha um ressentimento sobre o comportamento sexual da mãe dele. Ele carregava isso na cabeça. Então eu percebi que, simbolicamente, ao matar a Margaret e a Ângela, ele estava matando a mãe no imaginário".

"E ele era muito sensível ao consumo de bebidas alcoolicas - aliás, isso foi analisado psiquiatricamente, ele não podia tomar nada. Então um gole era suficiente pra alterar o comportamento por completo", acrescenta. Chico Picadinho hoje tem 79 anos e continua preso.