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Glamour dos famosos e um mundo mais positivo: o que marcou o 2º dia da SPFW

Alinne Moraes foi um dos grandes nomes que desfilaram para a grife Torinno; marcas mostraram ainda um olhar mais festivo para o mundo pós-pandemia Imagem: Divulgação/SPFW

Gustavo Frank

De Nossa

18/11/2021 09h37

O dia de desfiles do segundo dia da São Paulo Fashion Week ontem foi marcado pela presença de grandes nomes dos holofotes e uma visão mais otimista, e menos lamentável, dos tempos que estão por vir.

Com o retorno dos desfiles presenciais, o glamour das passarelas esteve mais vivo do que nunca — pelo menos, em referência às últimas duas edições, realizadas de forma digital. Prova disso foram as celebridades que marcaram presença nos desfiles de duas marcas, em especial: a Torinno e Lilly Sarti.

A primeira delas, comandada por Luis Fiod, levou a atriz Alinne Moraes, uma das protagonistas da novela "Um Lugar ao Sol" no horário nobre da TV Globo, e os tops internacionais Marlon Teixeira e Laís Ribeiro para a passarela no Pavilhão das Culturas Brasileiras, em São Paulo.

Alinne Moraes | Torinno Imagem: Divulgação/SPFW
Marlon Teixeira | Torinno Imagem: Divulgação/SPFW

Lançando sua primeira coleção feminina, após três anos voltada ao público masculino, a Torinno se inspirou no verão de grandes metrópoles à beira-mar, "num misto do calor extravagante de Dubai com o lifestyle cool effortless de Los Angeles".

Lilly Sarti, por sua vez, não ficou para trás. Comemorando seus 15 anos de vida, a grife vestiu a modelo Isabella Fiorentino e a atriz Mônica Martelli com suas peças, imersas no universo das pinturas rupestres.

Tons terrosos e primitivos, sugerindo pigmentos naturais e temperos, sugiram nas roupas em figuras de animais que foram bordadas nas jaquetas de couro e nos casacos de pele sintética.

Em contraponto a esses, quem abriu o dia foi a Cria Costura, um projeto que nasceu da parceria feita entre a prefeitura de São Paulo e o Instituto Nacional de Moda e Design (In-Mod).

A iniciativa busca potencializar o trabalho de mulheres em situação de vulnerabilidade social e, em vez de famosos, levou as 40 costureiras para as passarelas. O projeto tem o seu trabalho divulgado junto ao consultor e estilista Jefferson de Assis e prioriza novas técnicas de costura, além de usar a metodologia zero waste, voltada à sustentabilidade.

Emoções mais positivas

Anacê | SPFW N52 Imagem: Tauana Sofia

Deixando as lamentações de lado, as marcas do segundo dia mostraram ainda que é hora de olhar mais positivamente para o mundo fora de casa. Esse argumento foi o pilar para a coleção apresentada pela Aluf, intitulada "O tão sonhado lado de fora".

A coleção trazia um olhar mágico para o mundo, com o foco na estampa de nankin, com estampas em formas de flores, sendo vistas com "um olhar lúdico, inocente, de criança que vê tudo pela primeira vez".

Nessa mesma linha, a Anacê exibiu o fashion film "'Uma Noite e Meia", refletindo sobre a dualidade entre um otimismo da volta, do contato físico, porém ainda como um sonho, uma expectativa.

A coleção trazia cores vibrantes, relembrando os clássicos conjuntos da marca e explorando o tricot como ponto forte da coleção, mostrando como a matéria-prima é atemporal e versátil para todas as estações. As peças possuíam ainda uma silhueta mais justa e sensual, sem deixar de lado a não distinção de gênero, e mostrando diferentes maneiras de usar uma única peça.

A estreia da Mnsis, que tem Marina Costa como diretora criativa, explorou o tempo como forma abstrata de universos e sensações. Para as roupas, foi feito um "estudo sobre o tempo", como ela mesma se refere, explorando muitas construções com elásticos e babados em formas de ondas, com o intuito de "nos transportar" entre universos.

"Queremos sentir o tempo dentro da boca, comê-lo, viajar junto dele para novas dimensões. Propomos essa viagem para o universo Mnisis, onde nada é real além de uma linha do tempo difusa e complexa, um bololô danado", afirma Marina.

Matéria-prima

Ronaldo Fraga | SPFW N52 Imagem: Divulgação/SPFW

A riqueza dos tecidos e seus inúmeros fins na moda, como a inclusão, foi outro ponto que marcou o segundo dia de desfile da SPFW.

A Modem, por exemplo, incluiu uma maior variedade de peças para o público masculino, visando os anseios dos seus clientes. As formas amplas com cintura bem marcada, comprimentos midi e sobreposições de materiais, que misturam seda, linho e diferentes tipos de lãs, foram pensados para vestir homens e mulheres de diferentes regiões do país e biótipos.

A adaptação a diferentes tipos de corpos também foi pensada pela À La Garçonne, com Fábio Souza e Alexandre Herchcovitch por trás da marca.

Além de se inspirar em clássicos do terror, como os filmes "O Exorcista" e "Sexta-feira 13", a etiqueta trouxe uma nova visão para peças workwear dos anos de 1920 francesas, por meio do upcycling, para compor roupas feitas agora e a preocupação com peças variando de tamanho dos 4XP até o 7XG.

Por fim, sempre usando a moda como uma narrativa para contar as suas histórias de cunho social, Ronaldo Fraga apresentou o vídeo "Entre Tramas e Beijos", tecendo conexões entre a história da indústria têxtil e a história do Brasil.

Tudo começava pelas redes de algodão dos indígenas antes dos portugueses, passando pela primeira tecelagem de Brusque (SC), criada pelo alemão Karl Renaux, para vestir os colonos europeus e chegando aos dias atuais.

A coleção foi feita 100% de bases de jacquard, em fios de algodão, seda, linho e viscose. O estilista resgatou ainda desenhos florais criados há 100 anos, e também "a fantasia tão necessária nesses tempos cinzas e áridos".

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