Volkswagen up!

Origem popular ficou no passado. Mas modelo mais sofisticado e divertido compensa o preço mais caro?

Vitor Matsubara Do UOL, em São Paulo

A Volkswagen fez fama mundial fabricando carros baratos e confiáveis. Era essa a intenção da marca quando lançou o up! no Brasil, mas as coisas não aconteceram do jeito que a fabricante esperava.

Resultado: o up! foi reposicionado e virou um carrinho mais sofisticado. E caro também: o modelo nascido para ser popular virou um carro de nicho.

Diante de tudo isso ainda vale a pena comprar um? A resposta está logo abaixo.

Murilo Góes/UOL Murilo Góes/UOL

Carro de imagem?

O up! TSI virou o "queridinho" de muitos gearheads por ser um dos carros mais divertidos de dirigir do país.

A "culpa" é do motor 1.0 turbinado que entrega até 105 cv e 16,8 kgfm quando abastecido com etanol.

As respostas podem não ser tão imediatas de início, mas o hatch consegue ser bem empolgante.

O câmbio manual de cinco marchas tem engates justos, embora as relações longas possam desanimar quem vê no pequeno VW um aspirante a esportivo - algo que a própria fabricante já sugeriu com o SpeedUp!.

O compacto foi pensado para ser econômico, e neste aspecto ele não decepciona ninguém. Médias aferidas pelo Inmetro indicam 9,6 km/l na cidade e 11,1 km/l na estrada quando morreu a etanol. Os números melhoram para 14,1 km/l e 16 km/l, respectivamente, com gasolina.

A suspensão tem a calibragem firme dos carros da marca, embora seja dura demais. O up! dá pancadas secas e até fim de curso em valetas mais profundas, e isso tem efeito direto no conforto dos passageiros.

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Itens avaliados

Design (4): pode chamar até de "pote de sorvete", mas não diga que o up! é feio ou velho - duas coisas que ele nunca foi.

Custo/benefício (3): originalmente um popular, o hatch mais encareceu do que evoluiu.

Desempenho (5): principal virtude do carro, o motor turbinado entrega desempenho empolgante com bom consumo de combustível.

Itens de série (4): o up! ficou bem recheado para justificar o maior preço, mas ainda escorrega em alguns pontos.

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Design ainda agrada

O up! já tem quase oito anos de mercado, mas permanece atual. Méritos vão para a equipe liderada pelo brasileiro Marco Pavone, que fez um projeto com linhas limpas e simples que resistiram bem com o passar dos anos.

A reestilização de 2017 deu um ar mais jovial ao compacto com retoques simples e baratos de serem executados, caso do novo para-choque mais bicudo.

O interior segue a proposta minimalista de fora, mas aí não há muito milagre. Falta espaço para uma central multimídia (item fundamental em praticamente todos os veículos novos do país), substituída por um rádio convencional com mais recursos.

Mesmo com as melhorias, o up! não consegue disfarçar sua origem humilde. Há plásticos rígidos por todos os lados e o projeto perdeu um pouco de esmero ao dispensar ideias brilhantes, como a bandeja que criava um alçapão no porta-malas.

A falta de acabamento do compartimento também é decepcionante para um carro que não é barato.

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Bem recheado, mas...

Se a etiqueta está longe de ser uma pechincha, pelo menos o up! compensa com um bom pacote de equipamentos.

A versão X-Treme vem com ar-condicionado, direção elétrica, computador de bordo, faróis de neblina, ganchos para cadeirinhas Isofix e sensores de estacionamento traseiros.

Há, porém, algumas mancadas. Apenas as bolsas infláveis frontais equipam o carro, algo que já não ocorre em modelos como o Renault Kwid, atuante em uma faixa de preço inferior à do up!.

Além da ausência da central multimídia, o up! traz vidros elétricos só nas portas da frente. A abertura das janelas de trás é feita apenas por manivela e os vidros não descem por completo.

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Vale a pena?

Dono de um motor econômico e empolgante, além de uma dirigibilidade elogiável, o Volkswagen up! ainda é um carro interessante.

Porém, o preço elevado o coloca em comparação com modelos maiores, mais sofisticados e caros.

Assim, só fãs de carteirinha de compactos vão abraçar um sem medo de ser feliz.

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Concorrentes

Divulgação Divulgação

Volkswagen Polo MSI

Preço: R$ 53.590
Motor: 1.0, 12V, 3 cilindros em linha, flex
Câmbio: manual de cinco marchas
Potência: 84 cv a 6.350 rpm / 75 cv a 6.250 rpm
Torque: 10,4 / 9,7 kgfm a 3.000 rpm
Aceleração de 0 a 100 km/h: 13 segundos
Velocidade máxima: 170 km/h
Consumo (urbano / rodoviário): 8,8 km/l / 10 km/l (etanol) / 12,9 km/l / 14,3 km/l (gasolina)
Dimensões: comprimento, 4,06 m; altura, 1,47 m; largura, 1,75 m; distância entre eixos, 2,56 m
Porta-malas: 300 litros
Tanque: 52 litros
Peso: 1.058 kg

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Fiat Argo 1.3 Drive

Preço: R$ 54.590
Motor: 1.3, 8V, 4 cilindros em linha, flex
Câmbio: manual de cinco marchas
Potência: 109 cv a 6.250 rpm / 101 cv a 6.000 rpm
Torque: 14,2 / 13,7 kgfm a 3.500 rpm
Aceleração de 0 a 100 km/h: 10,8 segundos
Velocidade máxima: 184 km/h
Consumo (urbano / rodoviário): 9,2 km/l / 10,2 km/l (etanol) e 12,9 km/l / 14,3 km/l (gasolina)
Dimensões: comprimento, 4,00 m; altura, 1,50 m; largura, 1,72 m; distância entre eixos, 2,52 m
Porta-malas: 300 litros
Tanque: 48 litros
Peso: 1.140 k

Ficha técnica

Câmbio: manual de cinco marchas
Torque: 16,8 kgfm a 1.500 rpm
Aceleração de 0 a 100 km/h: 9,5 segundos
Velocidade máxima: 181 km/h
Consumo (urbano / rodoviário): 9,5 km/l / 10,4 km/l (etanol) / 13,7 km/l / 14,7 km/l (gasolina)
Dimensões: comprimento, 3,68 m; altura, 1,50 m; largura, 1,64 m; distância entre eixos, 2,42 m
Porta-malas: 285 litros
Tanque: 50 litros
Peso: 951 kg

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