Renault Sandero R.S.

Esportivo ganha novo visual, fica mais seguro e mantém sua principal virtude: o prazer ao dirigir

Vitor Matsubara Do UOL, em São Paulo

Espécie rara

Houve um tempo em que Gol GTi, Kadett GSi e Fiat Uno Turbo povoavam os sonhos dos motoristas brasileiros de todas as idades. A fórmula do sucesso era simples e eficaz: motor grande (e potente) com carroceria pequena e mais conteúdo do que as versões comuns. Só que os anos se passaram e os esportivos nacionais foram sumindo pouco a pouco e deixaram saudade.

Em 2015, porém, a Renault trouxe um belo alento com o Sandero R.S. Primeiro projeto da Renault Sport feito fora da França, o hatch não é apenas um Sandero com uma carinha bonita - até porque a finada versão GT Line exerceu este papel por muito tempo

Ele é um esportivo à moda antiga com o mesmo motor 2.0 16V do Duster, mas com algumas modificações para se tornar mais bravo. A reestilização da linha 2020 trouxe novo fôlego ao modelo, que também ficou mais seguro.

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Bonito ele é

Se você não gostou muito da nova cara do Sandero, saiba que o visual caiu muito bem no R.S. Embora a versão esportiva seja a única a dispensar mudanças na dianteira, as lanternas alongadas combinaram com o estilo mais agressivo desta configuração. As peças também ganharam acabamento na cor preta (assim como no Stepway), bem mais harmoniosas do que as lentes vermelhas das demais versões.

O estilo esportivo do R.S. é bem equilibrado, sem ser muito discreto nem exagerado. O para-choque dianteiro tem um formato exclusivo inspirado no bico de um carro de Fórmula 1 e traz luzes diurnas de LED embutidas na parte inferior.

As antigas faixas laterais foram trocadas por grafismos mais discretos, que trazem o nome "Renault Sport" impresso nas portas de trás acompanhados de uma charmosa bandeirinha francesa. Atrás, o falso extrator de ar e a ponteira dupla de escapamento diferenciam o esportivo do restante da gama.

O interior traz painel de instrumentos com grafismo exclusivo, sendo que o velocímetro tem um discreto "Renault Sport" impresso no fundo. O volante de três raios é o mesmo do Clio R.S. europeu e tem ótima empunhadura, mesmo com o aro um pouco grosso. Os bancos dianteiros são do tipo concha e trazem bons apoios laterais na lombar e na base do assento. Além de confortáveis, eles seguram muito bem o corpo nas curvas.

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Pontos avaliados

Desempenho (5): o motor 2.0 do Duster transforma o pacato hatch em um legítimo esportivo.

Relação custo-beneficio (3): barato para um Sandero o R.S. nunca foi, mas para um esportivo (que não é uma compra racional) até que ele não é tão caro assim.

Equipamentos (4): a lista de itens de série não é extensa, mas ganhou os reforços de 4 airbags e controle de estabilidade.

Design (5): a reestilização caiu bem no R.S, que já tinha um visual invocado.

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À moda antiga

Esqueça turbocompressor, injeção direta ou qualquer outra novidade moderna que vemos tanto por aí. O Sandero R.S. é "old school", e isso é muito bom quando falamos de esportivos mais baratos.

Os engenheiros da Renault Sport fizeram um bom trabalho com os ingredientes que tinham ao alcance, pegando o motor 2.0 16V do Duster e acrescentando um pouco de pimenta. O conjunto ganhou coletor de admissão 20% mais largo, novo sistema de escape e remapeamento da central eletrônica. O resultado final? São 150 cv e 20,9 kgfm quando abastecido com etanol, números que caem para 145 cv e 20,2 kgfm se o combustível for gasolina.

Provoque o R.S. e você será recebido com um ronco grave e respostas bem ásperas do motor, que faz o hatch ganhar velocidade mesmo ao mais leve toque no acelerador. As trocas de marcha são feitas rapidamente no câmbio de seis marchas de relações curtas e engates justos - bem diferente da caixa que estamos acostumados a ver no Sandero. A Renault indica 8 segundos para acelerar de 0 a 100 km/h e velocidade máxima de 202 km/h.

Não foi só o motor que mereceu tratamento VIP dos franceses. A suspensão teve molas, amortecedores, batentes e barras estabilizadoras recalibrados, e ficou bastante firme. Chega a ser um pouco desconfortável na buraqueira do dia-a-dia, mas não incomoda excessivamente seus ocupantes. O lado bom é que o Sandero faz curvas com a competência de poucos esportivos por aí. E também freia muito bem, já que o R.S. ganhou freios a disco nas quatro rodas.

Já a direção com assistência eletro-hidráulica é bastante pesada (algo que já acontece com o Sandero "normal") e exige boa dose de esforço para realizar manobras de estacionamento. Em compensação, seu comportamento na pista é elogiável, com respostas rápidas.

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Bem equipado

Pagar quase R$ 70 mil em um Sandero parece exagerado, mas o R.S. tenta compensar o valor salgado com um bom pacote de equipamentos.

A linha 2020 trouxe quatro airbags em todas as versões e 14 quilos de reforços estruturais, que se somam a ar-condicionado digital, controles de estabilidade e de tração, vidros elétricos nas quatro portas, belas rodas de liga leve de 17 polegadas, abertura elétrica do porta-malas, sensores de estacionamento traseiros, piloto automático com limitador de velocidade, comandos de som e telefone atrás do volante e ganchos para fixação de cadeirinhas Isofix.

A central multimídia Media Nav Evolution suporta Android Auto e Apple CarPlay. Se não é lotada com os recursos de conectividade mais modernos, ela tem boa navegabilidade e é bem responsiva ao toque dos dedos.

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Vale a pena?

Esportivos nacionais desapareceram do mercado porque pouca gente se dispunha a desembolsar uma quantia alta por uma versão diferente de um popular que vemos aos montes pelas ruas.

Mesmo assim, a Renault resolveu bancar a aposta e convocou ajuda até da França para fazer o Sandero R.S. O resultado é um hatch esportivo de verdade, que vai muito além de um visual bonito. O compacto impressiona pela dirigibilidade elogiável e é capaz de deixar muita gente grande na saudade.

Barato o Sandero R.S. nunca foi, mas quem procura um carro esportivo para se divertir (com juízo) no dia-a-dia e eventualmente aliviar a tensão em track days (eventos de dia inteiro realizados em autódromos pelo país inteiro) nem vai se incomodar em desembolsar R$ 69.690. O R.S. é um carro para poucas pessoas, mas são elas que vão sorrir ao pisarem no acelerador.

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Ficha técnica

Preço: R$ 69.690

Motor: 2.0, 16V, 4 cilindros em linha, flex

Câmbio: manual de seis marchas

Potência: 150 cv / 145 cv a 5.750 rpm

Torque: 20,9 kgfm / 20,2 kgfm a 4.000 rpm

Aceleração de 0 a 100 km/h: 8 segundos

Velocidade máxima: 202 km/h

Consumo (urbano / rodoviário): 6,9 km/l / 7,7 km/l (etanol) / 9,9 km/l / 11,1 km/l (gasolina)

Dimensões: comprimento, 4,07 m; altura, 1,49 m; largura, 1,73 m; distância entre eixos, 2,59 m

Porta-malas: 320 litros

Tanque: 50 litros

Peso: 1.181 kg

Concorrentes

Reprodução Reprodução

Fiat Argo HGT

Preço: R$ 69.990
Motor: 1.8, 16V, quatro cilindros, flex
Câmbio: automático de seis marchas
Potência: 139 cv / 135 cv a 5.750 rpm
Torque: 19,3 kgfm / 18,8 kgfm a 3.750 rpm
Aceleração de 0 a 100 km/h: 10,4 s
Velocidade máxima: 191 km/h
Consumo (etanol/gasolina): 7,8 km/l / 9,2 km/l - 11,4 km/l - 13,3 km/l
Dimensões: comprimento, 4,00 m; altura, 1,50 m; largura, 1,75 m; distância entre eixos, 2,52 m
Porta-malas: 300 litros
Tanque: 48 litros
Peso: 1.279 kg

Divulgação Divulgação

Peugeot 208 GT

Preço: R$ 88.990
Motor: 1.6, 16V, turbo, quatro cilindros, flex
Câmbio: manual de seis marchas
Potência: 173 cv / 166 cv a 6.000 rpm
Torque: 24,5 kgfm a 1.400 rpm
Aceleração de 0 a 100 km/h: 7,6 s
Velocidade máxima: 222 km/h
Consumo (etanol/gasolina): 8,2 km/l / 9,5 km/l - 12 km/l - 13,8 km/l
Dimensões: comprimento, 3,97 m; altura, 1,47 m; largura, 1,70 m; distância entre eixos, 2,54 m
Porta-malas: 285 litros
Tanque: 55 litros
Peso: 1.196 kg

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