Fiat Toro

Sucesso de vendas muda quase nada para 2020, mas melhora equipamentos

Por Vitor Matsubara Do UOL, em São Paulo (SP)

Quase igual

A Fiat deu uma tacada de mestre com a Toro. Lançada em 2016, a picape rapidamente caiu nas graças do consumidor e virou um dos modelos mais vendidos da marca italiana.

Passados quase quatro anos da estreia, a expectativa era que a Toro ganharia uma reestilização mais pesada, algo que não aconteceu. Pelo contrário: fica difícil ver o que mudou na linha 2020.

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Novo aonde?

Era natural imaginar que a Toro teria um design parecido com o do conceito Fastback, exibido no último Salão de São Paulo. Mas parece que aquele facelift com faróis redesenhados e uma grade maior ficou para depois.

Por enquanto, os designers decidiram apenas mudar o desenho do para-choque, que ganhou um aplique na parte inferior chamado de "overbumper". E só.

Mas justiça seja feita: o visual da Toro ainda é bastante atual e não mostra sinais de desgaste, fruto de um projeto bastante feliz da equipe liderada por Peter Fassbender.

Apesar das linhas ousadas, a picape não envelheceu rápido, como costuma acontecer com alguns modelos que adotam estratégia semelhante. O interior (que não teve mudanças estéticas) também agrada, embora, este sim, já esteja um pouco defasado

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Pontos avaliados

Design (5): a Toro mudou quase nada em quatro anos, mas ainda atrai olhares.

Custo/benefício (4): não dá pra chamar a Toro de barata, até porque ela custa o mesmo que modelos maiores e mais robustos.

Desempenho (3): a picape merecia um motor mais esperto e menos gastão do que o 1.8 flex.

Itens de série (4): a picape traz tudo que a gente espera de um veículo desta categoria, mas não tem tração 4x4.

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Custos de revisão e seguro

Revisões:

+ 10 mil km: R$ 444

+ 20 mil km: R$ 684

+ 30 mil km: R$ 712

+ 40 mil km: R$ 840

+ 50 mil km: R$ 700

Seguro: n/d

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Preço salgado

Se a linha 2020 atacou na ponta de baixo da tabela ao trazer uma inédita versão Endurance com câmbio manual, as configurações mais caras da Toro continuam com preço salgado.

A versão Volcano flex custa R$ 125.990 com o motor 2.4 Tigershark de até 186 cv, que vamos falar melhor mais adiante. Caso prefira o motor 2.0 turbodiesel de 170 cv será preciso desembolsar R$ 6 mil extras pela versão Endurance, que traz um pacote de equipamentos significativamente inferior ao da configuração Volcano.

De toda maneira, a faixa de preço da Toro Volcano coloca a picape para enfrentar as versões de entrada de Chevrolet S10 (LT 4x2 flex, por R$ 125.850) e Toyota Hilux (SR 4x2 flex, R$ 125.990), ambas maiores (porém menos equipadas) do que a representante da Fiat.

Embora seja cara, a Toro Volcano sai de fábrica com um bom pacote de equipamentos de série. Há 7 airbags, ar-condicionado digital com duas zonas de temperatura, controles de estabilidade e de tração, assistente de partida em rampas, destravamento das portas sem chave, partida do motor por botão, coluna de direção com regulagens de altura e profundidade, câmera de ré e sensores de estacionamento traseiros, entre outros itens.

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Conectividade nota 10

Pagar mais de R$ 120 mil em um carro com uma central multimídia tão pequena como a da Toro parecia brincadeira de mau gosto.

Felizmente isso acabou na linha 2020: agora a picape tem uma central multimídia de encher os olhos. Pela tela tátil de sete polegadas o usuário navega por todos os menus e acessa as principais funções sem dificuldades. A definição da imagem da câmera de ré também merece elogios. Faltou só um GPS mais esperto: o navegador tem respostas lentas e também sofre para encontrar a localização correta.

A posição de dirigir é alta, mas lembra mais a de um SUV do que uma picape média/grande, como Chevrolet S10 e companhia. Faz sentido, afinal a Toro aproveita a plataforma dos Jeep Renegade e Compass. A dirigibilidade também está mais próxima a de um automóvel de passeio, fazendo a picape ser relativamente ágil para um carro que tem quase 5 metros de comprimento. E isso pode ser muito útil para quem roda a maior parte do tempo na cidade.

Quem viaja atrás não sofre com a posição estranha de algumas picapes, nas quais você se senta em posição excessivamente ereta ou até com as pernas elevadas. O espaço para pernas e cabeça é adequado para dois adultos.

Já a caçamba tem capacidade de carga de até 750 quilos, pouco mais do que o limite de uma Strada Hard Working. A tampa com abertura vertical dividida em duas partes foi uma inovação da Toro e não foi copiada por ninguém até hoje. É uma pena, pois a solução é bastante prática e diminui consideravelmente o esforço necessário para carregar a picape.

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Apetite de... touro

Quem já dirigiu a Toro com motor 1.8 flex sabe que desempenho não é o seu forte. A situação melhora com o 2.4 Tigershark, mas não tanto assim. Mesmo entregando até 186 cv se abastecida com etanol, a picape não tem a agilidade esperada para um carro tão potente.

Pode botar a culpa no câmbio de nove marchas, que também não forma uma boa dupla com o motor. Falta um pouco de entrosamento para reduzir marchas na hora certa, o que atrapalha um pouco nas retomadas de velocidade.

Essa relação melhora se o motorista ligar o modo Sport, mas independente da escolha temos outro problema: o consumo de combustível. Durante o período em que avaliamos a Toro fizemos médias bem baixas: 4 km/l na cidade e 6 km/l na estrada, sempre abastecida com etanol - bem abaixo dos 6 e 7,7 km/l registrados com o mesmo combustível de acordo com as medições do Inmetro. Ainda segundo o órgão, os números sobem para 8,7 km/l e 10,8 km/l quando abastecidos com gasolina.

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Vale a pena?

A Toro não é feita para picapeiros de carteirinha, daqueles que usam o carro para trabalho pesado ou trilhas. E nem tem pretensão de ser: fãs de SUVs e até sedãs estão na mira da Fiat.

Para quem só roda com o carro na cidade e eventualmente curte pegar uma estrada de terra batida a caminho do sítio, a Toro é boa candidata à sua garagem.

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Concorrentes

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Chevrolet S10 LT 4x2

Preço: R$ 125.850
Motor: 2.5, flex, 4 cilindros em linha
Potência: 206 cv / 197 cv a 6.300/6.000 rpm
Torque: 27,3 kgfm / 26,3 kgfm a 4.400 rpm
Aceleração de 0 a 100 km/h: n/d
Velocidade máxima: n/d
Consumo (urb./rod.): 5,3 km/l / 6,4 km/l (etanol) - 7,9 km/l / 9,4 km/l (gasolina)
Dimensões: comprimento: 5,36 m; largura: 1,87 m; altura: 1,79 m; distância entre eixos: 3,09 m
Capacidade de carga: 940 kg

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Toyota Hilux SR 4x2 flex

Preço: R$ 125.990
Motor: 2.7, flex, 4 cilindros em linha
Potência: 163 cv / 159 cv a 5.000 rpm
Torque: 25 kgfm
Aceleração de 0 a 100 km/h: n/d
Velocidade máxima: n/d
Consumo (urb./rod.): 4,8 km/l / 5,6 km/l (etanol) - 6,9 km/l / 8,1 km/l (gasolina)
Dimensões: comprimento: 5,31 m; largura: 1,85 m; altura: 1,81 m; distância entre eixos: 3,08 m
Capacidade de carga: 860 kg

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Ficha Técnica

Fiat Toro Volcano 2.4 Flex

Preço: R$ 125.990

Motor: 2.4, flex, 4 cilindros em linha

Potência: 186 cv / 174 cv a 6.250 rpm

Torque: 24,9 kgfm / 23,5 kgfm a 4.000 rpm

Aceleração de 0 a 100 km/h: 9,9 s / 10,5 s

Velocidade máxima: 200 km/h / 197 km/h

Consumo (urb./rod.): 6 km/l / 7,7 km/l (etanol) - 8,7 km/l / 10,8 km/l (gasolina)

Dimensões: comprimento: 4,91 m; largura: 1,84 m; altura: 1,73 m; distância entre eixos: 2,99

Capacidade de carga: 750 kg

Tanque: 60 litros

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