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Em nova fase do Mirante 9 de Julho, MIRA foca no feminino e no social

Divulgação
Imagem: Divulgação

Sté Reis

Colaboração para o Urban Taste, em São Paulo

22/08/2019 19h02

Quatro anos depois de ser reaberto como um espaço de cultura e gastronomia no coração da Avenida Paulista, o Mirante 9 de Julho dá início a uma nova fase. Prezando pela diversidade e com novo cardápio, o ponto agora se chama MIRA. Gerenciado por uma equipe de sócias já envolvidas na cena cultural de São Paulo, Dulce Santos, Roberta Youssef, Priscila Nonaka e Lívia Calixto, promete uma programação cultural com foco no feminino e suas facetas, sem deixar de ser um espaço inclusivo, um palco para a pluralidade de manifestações culturais que São Paulo contempla.

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Quando o projeto surgiu, em 2015, ele era parte de um termo de cooperação público/privado entre a Regional da Sé e a empresa Belvedere. Em entrevista ao Urban Taste, a gerente Dulce Santos diz que a oportunidade surgiu quando, em agosto de 2019, o Mirante conseguiu assumir o CNPJ majoritariamente da administração. "A gente estava no lugar certo, na hora certa", diz Dulce. "O Mirante nasceu para ser um centro multicultural para a cidade. Ele é administrado agora por nós, mas pertence à cidade, é da cidade. Queremos que todas as pessoas se sintam à vontade para vir ao Mirante, para ocupá-lo e para cuidar dele também."

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A reformulação mais feminina do Mirante se dá também por demanda do seu público. Atualmente, a maioria dos visitantes são mulheres de 25 a 35 anos, seguidas de homens na mesma faixa etária. "O que nós queremos agora é que o nosso conteúdo, e que o nosso atendimento e esse espaço seja de fato inclusivo. Queremos levantar a bandeira da diversidade, da arte, da música e da cultura enquanto agentes transformadores de padrões para incentivar o debate e o olhar respeitoso para o diferente", explica.

Cooperativas e reciclagem

Uma das propostas do Mira é o desenvolvimento social. Mas como isso será feito na prática? "Olhando com cuidado para quem na maioria das vezes é invisível para a sociedade", comenta Dulce. "Um dos nossos projetos é contratar e dar oportunidade para pessoas que não têm experiência ou formação e as preparar para o mercado de trabalho."

O outro projeto é o Mira Recicla. Todo o lixo reciclável será separado e limpo por parceiros que vivem em situação de rua no entorno do Mirante. Depois, esse lixo é recolhido por uma cooperativa de mulheres da Zona Leste que se chama Filadélfia. "Tudo está tomando corpo nessa nova fase."

Arroz, feijão e picadinho

Com ingredientes comprados de pequenos produtores, assentamentos e agroflorestas, o Mira terá entre seus pratos principais um clássico paulistano: arroz, feijão e picadinho. Além de pratos urbanos famosos pelo mundo como Pad Thai (comida de rua tailandesa) e o Philly Cheese Steak (sanduíche de queijo e carne famoso como fast food na Filadélfia).

"A mistura arroz e feijão é o alimento de todas as classes", diz Pri Nonaka, à frente do Cozinha Urbana. "Não adianta ter um discurso e não conseguir sustentá-lo na prática. E isso chega na experiência do cliente, que tem a chance de escolher junto com a gente estar mais próximo de temas tão importantes como reforma agrária, assentamentos, agricultura orgânica, agricultura familiar. Consumo é um ato político, e escolher essas parcerias fortalece elos."

Para a chef, é importante ter um cardápio que pensa em todos os públicos. O mesmo prato será servido na versão com carne, vegetariana e vegana. "Olhamos para as comidas do mundo e nos inspiramos. O serviço, a montagem e os utensílios são simples, o foco é o ingrediente. Aos finais de semana vamos ter cardápio especial e contar a história de outras culturas através da comida."

Projetos culturais femininos

Eren Castellano
Imagem: Eren Castellano

No dia 21 de agosto, o MIRA apresentou sua nova versão ao público, com seu cardápio completo de almoço e jantar, discotecagem do grupo Feminine Hi-Fi (coletivo de soundsystem focado no reggae e do Pindorama Discos). A abertura também apresentou a exposição "Mira, Prazer", com treze mulheres que produziram obras específicas para o espaço. Entre elas, Eva Uviedo, Mag Magrela, Hanna Lucatelli, Dolorez, V Nuvem, Crica e Moara Brasil.

Roberta Youssef, à frente da programação cultural, explica que esse é só o início da nova programação e que vai receber projetos musicais e culturais feitos por mulheres. "Sentimos forte esse movimento das mulheres se unindo para ocupar os espaços, se manifestar. É também o que fazemos nas nossas vidas e agora estamos fazendo por aqui. Estamos abertas para receber projetos, grupo, coletivos, artistas que conversem com o nosso modo democrático e livre de olhar e fazer", comenta.

Com ponto privilegiado na Avenida Paulista, que recebe milhões de turistas durante o ano, o Mirante "é uma janela para a cidade", explica Roberta. "Gostaríamos muito de receber conteúdos de todas as regiões, manifestações artísticas diversas em suas múltiplas expressões, assim como São Paulo é."

Vai lá:
MIRA - Mirante 9 de Julho
Rua Carlos Comenale, s/n, Bela Vista, São Paulo.
Mais informações pelo Instagram do MIRA.

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