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Cinco picos para praticar parkour e desbravar São Paulo

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Imagem: Divulgação

Daiana Dalfito

Colaboração para o Urban Taste, em São Paulo

30/06/2019 07h00

Ir do ponto "A" ao "B" sem desviar dos obstáculos, vencendo-os. Parece uma frase de autoajuda, mas na verdade é a base do parkour, que acrescenta: o único equipamento que pode ser usado é o próprio corpo. Superação? Temos.

David Belle foi o pioneiro que aproveitou técnicas usadas por policiais, militares e bombeiros para criar a prática que une saltos, giros, escaladas e outros movimentos. A busca ia além da boa forma, queria "tornar o indivíduo autônomo e ser útil aos outros" - como ele mesmo afirma em um documentário sobre o tema. No Brasil, a modalidade só ganharia adeptos no início dos anos 2000. Leonard Akira Ribeiro, um dos primeiros praticantes no país, é há 13 professor de parkour. Ele conta ao Urban Taste que a técnica pode ser considerada um esporte competitivo ou não, além de uma filosofia: "Ocupamos a cidade e exploramos o espaço urbano", afirma.

Origens

Adaptado ao cenário das grandes cidades, o parkour nasceu na França, no final da década de 1980, e deriva da palavra "parcours" (percurso), que por sua vez vem da expressão "parcours du combattant". Como você já deve ter imaginado, o percurso do combatente faz parte da disciplina militar e se baseia no Método Natural de Educação Física criado por Georges Hébert (1875-1957). Nele, a busca era por aliar força, energia e uma moral útil. Mas como o esporte tomou as ruas? Na cidade de Lisses, David Belle - filho de um bombeiro -, David Malgogne e os irmãos Yahn e Frederic Hnautra começaram a prática, que ganhou mais interessados nos anos 90 com a divulgação de documentários para a TV.

Quem pratica?

Akira garante que "qualquer um", já que o treinamento é gradativo e leva em conta a idade e o condicionamento físico individual. "É importante ter acompanhamento profissional para evitar lesões e acidentes e, mesmo que for um praticante experiente, sempre levar alguém com você que possa prestar socorro em caso de acidentes", recomenda. A ressalva é válida. A técnica convive com tombos e escorregões. Para os que optam pela modalidade indoor, a vantagem é que os obstáculos podem ser adaptados à dificuldade do praticante. Para quem prefere o outdoor "raiz", a vantagem é o desafio e a beleza de aproveitar a cidade. Em teoria, o parkour pode ser feito em qualquer lugar, mas os treinamentos acabam se concentrando na região central de São Paulo e à noite, com menos movimento e grupos maiores de tracers (denominação dos praticantes), também por segurança. Mas dá para variar? Opa! Segue a letra de cinco picos certeiros com adrenalina garantida.

Praça da Liberdade

No bairro de mesmo nome, reduto oriental da metrópole, a praça atrai praticantes pela variedade de altura das paredes, o que facilita o treino de escaladas. Para quem quer uma atração além dos obstáculos, nos arredores é possível experimentar iguarias das culinárias japonesa, chinesa e coreana e visitar o Templo Lohan Shaolin Kung Fu.

Vai lá:
Praça da Liberdade, s/no, Liberdade, São Paulo.
Metrô Liberdade - Linha 1 (Azul).

Centro de Esportes Radicais

O centro municipal agrupa em uma área de quase 40 mil m² modalidades radicais e dificilmente vistas em outros equipamentos esportivos na capital paulista. O espaço de parkour tem diversos níveis de dificuldade para os movimentos e é acompanhado por outros núcleos, como um ginásio para sumô, pistas para bike (pump track) e skate, além de academia ao ar livre.

Vai lá:
Avenida Presidente Castelo Branco, 5.700, Bom Retiro, São Paulo.
Diariamente, das 8h às 22h.
Telefone: (11) 3224-9159

Vale do Anhangabaú e Largo da Memória

O centrão de São Paulo é cheio de bons lugares para o Parkour. Dá até pra aproveitar mais de um ponto por vez: escaladas com até 4 metros, vaults (ultrapassagens de obstáculos usando as mãos - sentido horizontal) e precisões (saltos de um muro ao outro) são algumas manobras possíveis tanto no Anhangabaú (foto), como no Largo da Memória.

O Anhangabaú é um espaço de manifestações culturais cercado de pontos turísticos importantes como a Prefeitura, o Theatro Municipal e o Edifício Martinelli. O largo era uma espécie de ponto de acesso para a São Paulo antiga, o Obelisco ali construído foi o primeiro monumento da cidade e o chafariz servia para abastecer pessoas e animais, como cavalos e burros. Em 1919, uma revitalização seria concluída pelo arquiteto Victor Dubugras e o desenhista José Wasth Rodrigues, responsável pelo painel de azulejos.

Vai lá:
Vale do Anhangabaú, s/n - República - Centro, São Paulo.
Metrô Anhangabaú - Linha 3 (Vermelha).

Largo da Memória - República - Centro, São Paulo.
Metrô Anhangabaú - Linha 3 (Vermelha).

Centro Cultural São Paulo

O CCSP e os arredores da Praça Santo Agostinho, próxima à estação Vergueiro, oferecem corrimãos e obstáculos altos para o treino de escalada, além de pontos propícios para a repetição das precisões. No centro cultural, aproveite para tomar um café, descansar no jardim da cobertura ou aproveitar a programação cultural, com peças de teatro, sessões de cinema, shows e exposições de arte em diversas plataformas.

Vai lá:
CCSP - Rua Vergueiro, 1000, Paraíso, São Paulo.
Metrô Vergueiro - Linha 1 (Azul).
Terça a sexta, das 10h às 20h.
Sábados e domingos, das 10h às 18h. Mais informações no site.

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