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8 rolês divertidos para conhecer a história do Rio de Janeiro

4.abr.2019 - Cristo Redentor visto de Botafogo, zona sul do Rio de Janeiro (RJ) - Alessandro Buzas/Futura Press/Estadão Conteúdo
4.abr.2019 - Cristo Redentor visto de Botafogo, zona sul do Rio de Janeiro (RJ) Imagem: Alessandro Buzas/Futura Press/Estadão Conteúdo

Isabela Marinho

Colaboração para o Urban Taste, no Rio de Janeiro

04/07/2019 15h30

Turismo histórico no Rio provavelmente não é a primeira coisa que passa pela cabeça de quem visita a cidade pela primeira vez. Internacionalmente conhecida pelas suas famosas praias e belezas naturais, a capital fluminense não costuma ser procurada para este fim logo de cara.

Mas a cidade exala história em suas construções, avenidas e (por que não?) meios de transporte, que recuperam o período em que o Rio foi capital do Brasil colonial e imperial. Sobretudo o Centro da cidade, revitalizado recentemente, tem marcas dessa época e traz um pouco da história da construção do país por meio de suas vielas, avenidas e obras arquitetônicas, com influências marcantes da belle époque francesa. Então listamos oito lugares históricos e culturais na cidade, para sair da mesmice e aprender um pouco mais sobre o Brasil.

  • Biblioteca Nacional

    Primeira parada: estação Cinelândia. Chegando de metrô ou de bonde, não importa, o primeiro ponto turístico, a Biblioteca Nacional, é uma das construções mais bonitas do Centro do Rio. A instituição tem 209 anos, e sua história se iniciou com a vinda da família real e da corte portuguesa para a cidade em 1808. Mas o prédio atual foi inaugurado somente em 1910, um século depois da criação da biblioteca. Atualmente, ela está entre as sete maiores do mundo e a maior da América Latina. O gigantesco acervo abriga, entre outras raridades, a primeira edição de 1572 do livro "Os Lusíadas", de Luís de Camões, partituras originais das óperas de Carlos Gomes -- "O Guarani", "Fosca", "Maria Tudor" e "Salvador Rosa" --, além de um conjunto de atos dos governadores e capitães-gerais e dos vice-reis, incluindo correspondências com a Corte dos séculos XVII e XVIII. Junto com o Theatro Municipal e o Museu Nacional de Belas Artes, integra um lindo conjunto arquitetônico na Cinelândia.

  • Theatro Municipal

    Também na Cinelândia, outra referência arquitetônica conta a história do Rio. O Theatro Municipal foi inaugurado em 1910, data próxima à instalação do novo prédio da Biblioteca Nacional. Ambas as construções fizeram parte do projeto de reurbanização do prefeito Pereira Passos. Como toda a revitalização foi inspirada nos boulevards parisienses -- avenidas largas projetadas com entorno paisagístico --, o Municipal também recebeu influência da arquitetura francesa e teve seu desenho inspirado na Ópera de Paris, de Charles Garnier. Para além da nova composição urbanística carioca, a origem se deveu à intensa atividade teatral na cidade na segunda metade do século XIX. A efervescência teve início em 1894, mas a obra só foi concluída 16 anos depois. A casa está aberta para visitas guiadas e mantém seus três corpos artísticos (Orquestra Sinfônica, Coro e Ballet), além de uma programação renovada frequentemente com concertos, shows e recitais.

  • Centro Cultural Paço Imperial

    Antiga residência do governador e do Vice-Rei no século XVIII, o Paço Imperial foi o centro das movimentações políticas e sociais da época, registrando importantes fatos históricos do Brasil Colônia, Real e Imperial. Entre eles, o Dia do Fico, a Abolição da Escravatura e a Proclamação da Independência. Em 1808, com a vinda de Dom João VI, passou a se chamar Paço Real e recebeu o nome conhecemos em 1822, com Pedro I e Pedro II, até a Proclamação da República, em 1889. Hoje é um espaço multicultural com programação de artes visuais, artes cênicas, música, seminários e serviços de lojas e restaurantes. Abriga também a Biblioteca Paulo Santos, originária do acervo particular do arquiteto e historiador. Ela tem cerca de 8 mil volumes e 250 títulos de periódicos, além de obras raras dos séculos XVI a XVIII sobre arquitetura, engenharia e literatura brasileira e portuguesa.

  • Museu Nacional de Belas Artes

    Outro fruto da reforma de Pereira Passos, o prédio do Museu Nacional de Belas Artes é contemporâneo ao Theatro Municipal e à Biblioteca Nacional, com as mesmas influências arquitetônicas. Localizada também na Cinelândia, a construção foi inaugurada para ser sede da antiga Escola Nacional de Belas Artes. O museu, criado no governo Getúlio Vargas, ocupou o prédio desde então. O acervo teve origem com as coleções da escola e é constituído por mais de 70 mil itens, representativos de vários períodos da história da arte e da contemporaneidade. Isso inclui obras de artistas modernos como Cândido Portinari, Tarsila do Amaral, Di Cavalcanti e Lasar Segall.

  • Real Gabinete Português de Leitura

    Próxima parada: Estação Carioca. Um dos mais belos edifícios da cidade, o Real Gabinete Português de Leitura é o maior acervo -- cerca de 350 mil volumes -- de autores portugueses fora de Portugal. Não à toa, foi erguido na Rua Luís de Camões. Entre as obras mais raras da biblioteca estão a edição de "Os Lusíadas" de 1572, que pertenceu à Companhia de Jesus; as "Ordenações de Dom Manuel", por Jacob Cromberger, editadas em 1521; os "Capitolos de Cortes e Leys que sobre alguns delles fizeram", editados em 1539 e "A verdadeira informaçam das terras do Preste Joam, segundo vio e escreveo ho padre Francisco Alvarez", de 1540. Possui manuscritos do "Amor de Perdição", de Camilo Castelo Branco, e o "Dicionário da Língua Tupy?, de Gonçalves Dias, além de centenas de cartas de escritores.

  • Arcos da Lapa e Bonde de Santa Tereza

    Ainda ali na Estação Carioca, outra sugestão é pegar o Bonde de Santa Tereza, cuja história remonta ao final do século XIX, quando as ferrovias ofereceram esse serviço como meio de transporte. À época, os bondes movidos por tração animal começaram a ser modernizados e ter funcionamento elétrico. Esse é o único passeio de bonde (naqueles moldes) que ainda pode ser feito na cidade. O trajeto começa na Estação Carioca, passa por cima dos Arcos da Lapa -- reativados também no fim do século XIX para a passagem do veículo --, da escadaria Selarón, do Museu da Chácara do Céu, do Parque das Ruínas e dos charmosos largos de Santa Tereza, como o Curvelo, dos Guimarães e do França, para terminar no Dois Irmãos. Durante o passeio, tem-se a vista do Centro da Cidade, da Lapa e dos antigos casarios de Santa Tereza.

  • Rua do Ouvidor

    Colada ao Arco do Telles, a Rua do Ouvidor já foi o endereço mais importante do Rio, até que a Avenida Rio Branco lhe tirasse esse posto. Entre outros nomes, ela já atendeu por Rua Desvio do Mar, Rua do Gadelha, de Aleixo Manuel, do Barbalho, da Santa Cruz, da Quitanda, de Pedro da Costa e da Sé Nova. E lá funcionava a maioria dos jornais cariocas e era o lugar para o qual se dirigia grande parcela da população em busca de notícias. Machado de Assis, em seus textos, festejava a suntuosidade que era a rua no final do século XIX. Os cafés, as livrarias, tudo o que vinha de novidades do Velho Mundo passava pela Rua do Ouvidor. Após a construção da antiga Avenida Central (Avenida Rio Branco) e, posteriormente, a Avenida Presidente Vargas, a Rua do Ouvidor entrou em decadência, servindo de base para grande quantidade de pequenas lojas. Além de contar a história do Rio antigo, a rua é sede de um dos sambas mais famosos da cidade.

  • Arco do Telles (Praça XV de Novembro)

    Próxima parada: Estação Uruguaiana. Marco arquitetônico na Praça XV de Novembro, o Arco do Telles fica de frente para ela e é o que resta da antiga residência da família Telles de Menezes. Em 1743, a região do Paço Imperial foi valorizada com a construção da nova Casa dos Governadores. Vendo o crescimento da área, o juiz português Antônio Telles Barreto de Menezes resolveu comprar terrenos na área e construir um casario, a fim de alugar para comerciantes e moradores de classes mais altas. O Arco dá acesso à Travessa do Comércio e à Rua do Ouvidor, onde predominam bares e restaurantes. Além da beleza da construção, o local fica sempre movimentado nos happy hours e aos sábados, quando toca uma roda de samba e o lugar vira ponto de encontro de boêmios.

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