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Colégio do Rio de Janeiro adota neutralização de gênero em vocabulário

Iniciativa foi anunciada pelo colégio em circular; ideia é enfrentar o machismo e o sexismo no discurso Imagem: Divulgação

Tatiana Campbell

Colaboração para Universa, no Rio de Janeiro

11/11/2020 16h02

Os pais de alunos do colégio Liceu Franco-Brasileiro, que fica em Laranjeiras, na Zona Sul do Rio de Janeiro, acordaram hoje com uma circular da escola informando sobre a "adoção de estratégias gramaticais de neutralização de gênero na instituição". Ou seja, a escola substituiu expressões como "queridos alunos" por "querides alunes".

A mudança gerou bastante repercussão entre os responsáveis. Segundo a direção da escola, a neutralização de gênero gramatical tem o objetivo de enfrentar o machismo e do sexismo no discurso quanto à inclusão de pessoas não identificadas com o sistema binário de gênero.

A alteração permite que, de acordo com o texto, "docentes e estudantes manifestem livremente sua identidade de gênero contribuindo para uma representação mais digna e igualitária dos diferentes gêneros". Na circular enviada aos pais, o colégio diz que o Comitê da Diversidade e da Inclusão realizará palestras sobre a questão.

Pais divergem da mudança

Universa conversou com alguns responsáveis sobre a mudança divulgada pelo colégio. Alguns foram favoráveis e outros nem tanto. O pai de um aluno do 7º ano, que pediu para não ser identificado, disse que não é contra que os professores e alunos se tratem em um "terceiro gênero".

"Essa circular gerou muita repercussão entre os pais dos alunos. Todos foram pegos de surpresa. Eu não sou contra a escola aceitar esse tipo de comunicação. Desde que eu nasci, me reconheço como homem, heterossexual, mas eu penso naquelas pessoas que nascem e não se enquadram em um padrão. Não consigo imaginar como deve ser para essas pessoas ouvir outras pessoas falando com ela, se referindo a ela de uma maneira que ela não acha adequada", disse o pai.

Decisão do Liceu Franco-Brasileiro dividiu pais de alunos Imagem: Divulgação

"Eu consigo pensar fora da minha bolha. Se o colégio tiver algum aluno ou for receber alunos que vão se sentir melhor com esse tipo de comunicação eu não tenho como ser contra. Isso não vai mudar os valores do meu filho. Se vai fazer as outras pessoas se sentirem bem, OK. Se o professor chegar na sala de aula e ao invés de falar 'oi, meninos', falar 'oi, menines', isso não vai mudar a minha vida nem a do meu filho", acrescentou.

Entretanto, a questão que tem gerado bastante repercussão negativa entre os responsáveis é a possibilidade da mudança do ensino da língua portuguesa. Uma mãe de uma aluna do 6º ano também conversou com a reportagem e pediu para não ter o nome divulgado. Para ela, não existe motivos para o colégio adotar este tipo de mudança.

"Estamos cobrando um posicionamento da escola, todos foram pegos de surpresa. Eu sou contra o ensino da mudança da língua portuguesa. Isso eu sou absolutamente contra. Até porque tem palavras que quem define o gênero é artigo. O português é muito complexo e eu acho que não tem necessidade dessa mudança. É uma corrente que está ganhando força nos ambientes escolares, debates sobre a neutralização, vídeos circulam e defendem isso. Eu não sou a favor do ensino disso na sala de aula. A maioria dos pais não está aceitando isso. Eu não gostaria que a mudança de português fosse ensinada e cobrada dos alunos", falou a mãe.

Procurada, a direção do Liceu Franco-Brasileiro disse ser uma instituição "comprometida com a qualidade da educação e o respeito à diversidade e à inclusão". A direção falou ainda que "em comunicado recente, o colégio afirmou o respeito à autonomia de professores e alunos no uso da neutralização de gênero gramatical na escola. Em nenhum momento, informou que passaria a adotar essa prática em avaliações e em sua comunicação oficial".

Ainda por meio de nota, enviada a Universa, a instituição reafirmou que "continuará a seguir o padrão da norma culta do português, como tem feito desde sua fundação". "Como demonstração disso, comunicados e avaliações desta semana usaram os termos 'alunos' e 'alunas'", concluiu.

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