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Moto G8 Power manteve bateria duradoura em troca de desempenho irregular

Imagem: Divulgação

Wellington Arruda

Colaboração para Tilt

11/03/2020 04h00

O lançamento da nova geração de celulares da linha Moto G começou em 2019, e em março deste ano a Motorola trouxe também o Moto G8 Power. A proposta dele é se tornar aquele celular que vai aguentar o tranco sem necessidade de correr para uma tomada toda noite.

Foi exatamente para isso que a marca manteve os 5.000 mAh de capacidade da geração anterior na bateria do modelo atual. E podemos adiantar que ele tem uma ótima autonomia de bateria.

Mas em uma série de pontos o Moto G8 Power parece com outros celulares da mesma linha, como o G8 tradicional ou G8 Plus. Para o bem e para o mal, o Power segue com um bom custo-benefício, mas sem grandes destaques nas suas demais especificações além da bateria.

Moto G8 Power

Preço

R$ 1.599 R$ 1.407 (Shopping UOL - 11/03/2020 - preço à vista com desconto)
TILT
3,7 /5
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Pontos Positivos

  • Bateria de longa duração, podendo durar até dois dias
  • Chega ao mercado com Android 10 de fábrica
  • Som estéreo de alta qualidade e com bons níveis de volume

Pontos Negativos

  • Não é compatível com conexões Wi-Fi de 5 GHz
  • Seu carregador é mais limitado que o da geração anterior
  • Não traz um modo para fotografias noturnas

Veredito

O novo Moto G8 Power traz grande parte de suas características dentro de um padrão: desempenho razoável, câmeras boas e design sem "inventar" moda. O seu grande atrativo, porém, traz uma boa adição ao mercado: a bateria tem capacidade de manter o celular ligado por dois dias com uma única carga.

O design do Moto G8 Power segue o padrão de todos os outros da mesma linha. Por exemplo: seu corpo é em plástico, e na traseira, o conjunto de câmeras fica alinhado na lateral esquerda, mas apenas um sensor está separado dos outros —com o flash logo ao lado.

Ainda na traseira, há um leitor biométrico posicionado no símbolo da Motorola e que funciona muito bem. Ele é rápido e pode ser usado para "puxar" a Central de Notificações.

Em resumo, este é um aparelho bem grande e pesado (quase 200 g), porém com cantos arredondados e estrutura sólida. Por isso, seu uso é possível principalmente com duas mãos.

Para quem tem mãos pequenas, o gesto que diminui a área da tela (para facilitar o uso com uma mão) é um tanto complicado e causa lentidão na hora que o celular troca de resolução para fazer o ajuste.

Já na frontal, o aparelho traz poucas bordas e agora tem a certificação contra respingos d'água (IP52). Ele ainda não pode mergulhar, de fato, mas uma chuvinha não deve causar danos.

Quem curte assistir vídeos, filmes, editar fotos, jogar, ou mesmo só prefere uma tela grande tem no G8 Power uma tela generosa em tamanho. Ela tem 0,1 polegada a mais que o do G8 Plus e traz qualidade e conforto semelhantes, com resolução Full HD+.

Agora, diferente do G8 Plus, o G8 Power traz um entalhe-furo no canto esquerdo da tela para a câmera de selfies. Isso aumenta a proporção da tela em relação ao corpo, o que acaba resultando nas bordas menores. Apenas na área inferior ele tem uma área um pouco maior que as demais.

Sua tela tem brilho intenso, e mesmo sob o sol continua bem legível. A distribuição de pixels por polegada também traz imagens detalhadas. A propósito, essa tela traz uma ótima relação de cores e possui três modos distintos: o de cores naturais, realçadas (um pouco mais de contraste) e saturadas (muito mais contraste e cores vivas).

Também vale notar que alguns aplicativos não usam 100% do espaço da tela. Mesmo com o conteúdo esticado, uma barrinha preta aparece na posição da câmera frontal. Isso acontece especialmente com apps de vídeo, como o da Netflix.

Não, desempenho não é o forte do G8 Power. Mas isso não significa que ele apresente sérias dificuldades. Ele é capaz de reproduzir jogos e aplicativos pesados, mas tudo no seu tempo.

Não presenciamos travamentos durante os testes, mas houve alguma lentidão. Jogamos GTA: San Andreas, Call of Duty, Into the Dead II e outros games. Em alguns, a qualidade gráfica precisou ser reduzida para não afetar a jogabilidade. Em títulos de campo aberto, é perceptível um certo "atraso" para carregar objetos no horizonte.

Em uso diário, trocando de aplicativos constantemente, o celular também apresenta um pouco de lentidão. A Motorola trouxe o recurso "Desempenho adaptável", que promete reduzir o tempo de abertura dos apps, mas não sentimos uma mudança perceptível.

Desta forma, o G8 Power é capaz, sim, de executar tanto jogos quanto aplicativos pesados, mas não com total fluidez. Um ponto positivo, por outro lado, é que ele já vem atualizado para o Android 10 de fábrica.

Se no desempenho as expectativas precisam ser moderadas, na autonomia de bateria este celular não faz nada feio. Em um dos dias de testes, tirei o G8 Power da tomada por volta das 8h da manhã e ele só precisou de uma nova carga no dia seguinte perto das 20h, quando restava apenas 1% da carga.

O máximo que consegui foram 34 horas em uso com 10h37 de tela ligada. O primeiro desses dias foi o mais intenso, e o segundo mais equilibrado. Em relação ao G8 Plus, são 1.000 mAh a mais e que dão ao G8 Power também uma boa vantagem contra outros intermediários da mesma faixa.

Nos testes, o celular foi usado de forma intensa e variada —tanto para trabalho quanto para entretenimento, streaming de música, fotografias e redes sociais. O tempo de carregamento é de 2h30 em média, mas este é um ponto relativamente fraco. Na geração anterior, a Motorola enviou um carregador mais potente (27W) em relação ao atual (18W).

Também nas câmeras a Motorola trouxe um fôlego extra para o G8 Power. No total, são quatro sensores na traseira que trazem uma boa versatilidade ao modelo, com opções grande angular, telefoto (aproximação por zoom) e fotografias macro, além da câmera principal.

Em condições favoráveis de luz, as fotos do G8 Power ficam muito boas, cheias de detalhes, cores fortes e com bastante definição. E isto se traduz tanto para a câmera principal quanto para a de ângulo aberto. Mas usando o sensor telefoto (zoom 2x), muitos detalhes são perdidos no pós-processamento, que tenta suavizar as falhas.

A câmera principal é a que apresenta os melhores resultados e com menos ruídos. A vantagem do sensor de ângulo aberto é ser usado como um adicional: em um local bem iluminado, ele pode ser usado sem medo; caso contrário, a câmera primária é a mais recomendada.

Temos aqui um celular ok para fotografias, mas não o melhor da categoria. O modo para fotografias macro, que tem um sensor dedicado, é por vezes confuso e necessita de uma alta exposição à luz.

A maior crítica fica para os cenários noturnos: a Motorola deixou o G8 Power de fora dos modelos compatíveis com o modo Visão Noturna, visto em alguns modelos da linha One. Nestes ambientes, a câmera principal faz um trabalho apenas razoável; as câmeras telefoto e de ângulo aberto, por outro lado, fazem fotos pouco aproveitáveis durante a noite.

Já as selfies do G8 Power possuem boa definição e cores vivas, embora não tragam a mesma qualidade do G8 Plus. Elas podem ficar muito boas em ambientes iluminados, mas também cheias de borrões em situações de pouca luz.

O Moto G8 Power foi lançado no Brasil por R$ 1.599, mas já é possível encontrá-lo na faixa dos R$ 1.400. O valor é mais competitivo contra celulares como o Galaxy A50 (R$ 1.399) ou Redmi Note 8 com 128 GB (R$ 1.287), por exemplo. Outras opções, da própria Motorola, são os Moto One Vision (R$ 1.269) ou Moto One Zoom (R$ 1.583).

O smartphone da Motorola focado em autonomia de bateria manda bem em sua tarefa. Ele não tem as melhores câmeras do mercado e nem é o com desempenho mais rápido, mas se você precisa de um celular que possa durar até dois dias longe de tomadas, o G8 Power é uma das melhores opções atualmente.

Para quem curte assistir filmes, ouvir músicas ou jogar com frequência, ele traz som estéreo com tecnologia Dolby Atmos e fones de ouvido bastante convincentes. Também é válido tocar em outro ponto (negativo): não há compatibilidade com conexões Wi-Fi de 5 GHz, mais rápidas que as de 2,4 GHz.

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Especificações técnicas
  • Sistema Operacional

  • Android 10

  • Dimensões

  • 156 x 75.8 x 9.6 mm e 197 gramas

  • Resistência à água

  • IP52 (contra respingos d'água)

  • Cor

  • Azul e preto

  • Preço

  • R$ 1.599 (lançamento)

Tela
  • Tipo

  • IPS LCD

  • Tamanho

  • 6,4 polegadas

  • Resolução

  • Full HD+ (2.300 x 1.080 pixels)

Câmera
  • Câmera Frontal

  • 16 MP

  • Câmera Traseira

  • 16 MP (principal) + 8 MP (telefoto) + 8 MP (ângulo aberto) + 2 MP (macro)

Dados técnicos
  • Processador

  • Snapdragon 665 octa-core (2.0 GHz)

  • Armazenamento

  • 64 GB

  • Memória

  • 4 GB de RAM

  • Bateria

  • 5.000 mAh

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