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Luciano Huck critica juíza que negou aborto a menina: 'Criança não é mãe'

Luciano Huck fala sobre caso de menina grávida após estupro que teve aborto negado por juíza em SC Imagem: Reprodução/TV Globo

Colaboração para Splash*, em São Paulo

26/06/2022 21h04

Luciano Huck criticou a juíza que negou o direito ao aborto para uma menina de 11 anos, que engravidou após ser estuprada, em Santa Catarina (SC). Com a repercussão do caso, a criança conseguiu realizar o procedimento na quinta-feira (23), segundo o Ministério Público Federal (MPF).

No final do "Domingão", Huck disse que precisava falar sobre algo que o "incomodou demais" nesta semana, pois "criança não é mãe". "Esse é um programa com opinião, eu tenho opinião sobre as coisas, e quando me incomoda quero falar e acho importante compartilhar", iniciou.

"Eu não poderia deixar manifestar neste domingo meu repúdio à tortura a que uma juíza de Santa Catarina submeteu uma criança de 11 anos, grávida, fruto de um estupro", continuou Huck.

O apresentador, então, seguiu dizendo que não estava querendo "propor uma discussão sobre aborto". "Não quero falar de ideologia, de religião, quero falar da lei brasileira, onde garante o direito de interromper uma gravidez como essa", disse.

Como alguém que estaria para proteger pergunta para uma criança se ela suportaria 'ficar mais um pouquinho'? Se ela não quer escolher um nome? Como assim, cara, que mundo a gente está?" Luciano Huck

Huck prosseguiu afirmando que, no Brasil, parece que "as violências estão se acumulando". "A linha do que é aceitável, digno, vai sendo empurrada cada vez para mais longe."

"É duro encarar, mas semana após semana, estamos tendo que enfrentar o lado mais sombrio da nossa sociedade. E não é esse o Brasil que a gente sonhou, que a gente sonha. Para encerrar, vamos deixar claro: criança não é mãe."

Entenda o caso

A juíza Joana Ribeiro Zimmer, da Justiça estadual de Santa Catarina, induziu, em audiência, a menina de 11 anos, vítima de estupro, a desistir de fazer um aborto legal. A história foi revelada na segunda-feira (20), em reportagem publicada pelo The Intercept Brasil e pelo Portal Catarinas.

Em vídeos publicados pela reportagem, a juíza tenta convencer a menina a seguir com a gravidez, mesmo com respostas claras da vítima de que ela não queria. Ela chegou a falar para a criança que a gravidez precisaria continuar para que o bebê fosse colocado para adoção.

A mãe procurou apoio médico quando descobriu a gestação da filha, no momento em que completava 22 semanas. No hospital, a afirmação foi de que seria necessária uma autorização judicial. Ao procurar a Justiça, tanto o aborto foi negado como a menina foi afastada da família e colocada em um abrigo, fazendo com que o procedimento não fosse realizado. Zimmer chegou a afirmar que o aborto após esse prazo "seria uma autorização para homicídio".

Após o caso vir à tona, o TJ-SC (Tribunal de Justiça de Santa Catarina) divulgou, por meio de nota, que a Corregedoria-Geral do órgão instaurou um pedido de análise da conduta de Zimmer.

O acesso ao aborto legal é autorizado no Brasil em três situações: quando a gestação é decorrente de estupro, quando oferece risco de vida à gestante e em caso de anencefalia do feto —essa última adicionada pelo STF (Supremo Tribunal Federal) em 2012.

(*Com informações de Rafaela Polo, de Universa, em São Paulo)

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