Para além do Sul do mundo

Sonha em viajar à Antártica? Mostramos como é um cruzeiro até lá

Mari Campos Colaboração para Nossa Divulgação

Conhecer a Antártica é, para grande parte dos viajantes, a viagem de uma vida. Afinal, mesmo sendo possível fazer turismo no continente gelado desde 1966, eis aí, até hoje, o local mais selvagem e intocado que podemos visitar no planeta.

Nos últimos anos, a Antártica passou a figurar também num rol importante para o chamado turismo de "última chance": com a crise climática avançando duramente e o derretimento das calotas polares, não sabemos ao certo por quanto tempo ainda será possível visitá-la. Não à toa, o número de visitantes vem crescendo consistentemente a cada temporada na última década — com aumentos de até 84% em algumas operadoras internacionais, como a Intrepid Travel.

De acordo com a Associação Internacional de Operadores de Turismo Antártico (IAATO), responsável por regulamentar e fiscalizar o turismo na região, mais de 74 mil turistas viajaram para a Antártida na última temporada pré-pandemia. E os tempos pandêmicos estimularam ainda mais o interesse pelo continente.

Sonha em fazer essa viagem? Pois embarcamos no mais novo navio a explorar a região, o SH Minerva, da armadora Swan Hellenic Cruises, inaugurado no último Réveillon, para contar em detalhes como é fazer um cruzeiro de expedição à Antártica.

Chegar à Antártica hoje em dia em nada se compara à dureza das expedições que grandes exploradores como Ernest Shackleton enfrentaram em outros tempos. Muitos deles morreram na tentativa de pisar no longínquo continente que chamavam de "última fronteira".

Hoje, turistas do mundo todo — dispostos a pagar alguns milhares de dólares pela aventura, é claro — aportam anualmente no continente durante o verão do Hemisfério Sul. Mas agora em confortáveis viagens feitas em modernos navios, com bom serviço, belas cabines, alimentação caprichada e diversas comodidades contemporâneas, que podem incluir até mesmo internet liberada a bordo.

A principal maneira de fazer turismo na Antártica é embarcar em um cruzeiro de expedição. Hoje, são 25 navios de diversas armadoras certificados para o turismo antártico. A maioria deles sai da cidade de Ushuaia, na Terra do Fogo argentina, e retorna também para lá.

Exceto pela dura travessia de cerca de 48 horas pela passagem de Drake, considerada a zona marítima mais instável do mundo e obrigatória nos deslocamentos de ida e volta, com ondas que não raramente chegam a 10 metros de altura, uma viagem à Antártica hoje em dia é apenas uma sucessão de belezas naturais e aventuras inesquecíveis (e muito seguras) para o viajante.

A travessia desde Ushuaia até o primeiro desembarque na Antártica costuma levar mais de dois dias. Alguns fazem roteiros binacionais envolvendo também a cidade de Punta Arenas, no extremo sul do Chile, e outros poucos incluem a opção de voar em aeronaves fretadas, geralmente até a base chilena de King George Island, para evitar a dura travessia do Drake.

Esta longa faixa do oceano Atlântico, situada entre a extremidade sul do continente americano e a Antártica, tem uma das piores condições marítimas do mundo e era o terror dos antigos exploradores.

Hoje, os navios têm estrutura suficiente para atravessar essas águas com segurança mas, com ondas frequentemente nos 10 metros, o desconforto do balanço constante ainda é grande para a maioria dos passageiros.

Os navios mais modernos, como o SH Minerva, contam com estabilizadores para tentar minimizar o problema. Ainda assim, os médicos a bordo recomendam medicamentos antienjoo antes do embarque.

Os dias em alto mar são geralmente recheados de palestras sobre história da exploração antártica e a vida selvagem do continente, além de passeios em terra firme. No caso do SH Minerva, há até uma pequena companhia de tango que faz performances noturnas no navio quando o mar está mais calmo.

Mas obviamente é a chegada no continente antártico o momento mais esperado pelos turistas.

Atravessado o Drake, a navegação em águas antárticas costuma ser suave. E é pontuada por uma série de desembarques em ilhas e trechos continentais da Península Antártica, que são previamente definidos e autorizados pela IAATO, a Associação Internacional das Operadoras de Turismo Antártico.

Com boas condições climáticas, os desembarques acontecem geralmente duas vezes ao dia, pela manhã e pela tarde. Algumas armadoras promovem até três desembarques, incluindo alguns "noturnos", aproveitando-se que durante o verão no continente é muito raro o céu "escurecer".

Há muito que ver no continente que é quase duas vezes o tamanho da Austrália — ainda que turistas possam visitar apenas uma parte muito pequena de seu território.

Engana-se quem pensa que na Antártica é tudo gelo: há muita rocha, montanhas e praias de seixos e pedregulhos. Montanhas são cobertas de neve, mas também de vegetação de tundra, incluindo fungos, musgos e líquens.

A beleza de algumas montanhas antárticas é similar à da Patagônia Chilena. Afinal, acredita-se que fossem uma continuidade da cordilheira dos Andes na época da Pangeia, o super continente da era Paleozóica.

As temperaturas nos locais de desembarque durante o verão ficam geralmente entre zero e dois graus, mas não são raros os dias ensolarados chegando a quase 10 graus Celsius.

As caminhadas acontecem sobre rochas e neve, em trilhas demarcadas pelos guias de expedição do navio, em lugares idílicos como Peterman Island, Neko Harbour, Cuverville Island, Port Lockroy e Elephant Island (famosa pelas gigantescas focas elefante).

O principal programa a cada desembarque é caminhar para observar diferentes espécies de focas, pinguins e pássaros, glaciares, vistas panorâmicas e visitar antigas bases militares desativadas.

Turistas devem manter pelo menos cinco metros de distância de qualquer vida selvagem, mas não precisam se afastar se os animais chegarem até eles espontaneamente — uma constante no caso dos pinguins, por exemplo.

Os passeios em zodiac, como são chamados os botes próprios para exploração, mostram icebergs em formatos alucinantes e "lakebergs", icebergs com pequenos "lagos" no seu interior, ou com grandes placas de gelo que servem de local de descanso para focas — inclusive a temida foca-leopardo, o maior predador antártico.

No local, há a chance de fazer o "polar plunge", que consiste em entrar brevemente nas gélidas águas antárticas. Com pagamento à parte, o viajante ainda pode optar por fazer algumas saídas guiadas em caiaques — podendo ver de perto as baleias minke.

O imperdível Port Lockroy, além da beleza, tem também uma agência de correios que permite que o turista mande postais direto da Antártica.

O itinerário do SH Minerva com saída em 8 de fevereiro infelizmente "pulou" esse esperado desembarque, sob o pretexto de tentar chegar mais ao sul do continente, em Marguerite Bay, região raramente visitada por outros navios.

Explorar a Antártica em um navio pequeno é fundamental. Afinal, em cada local visitado podem ser desembarcados apenas de 50 a 100 turistas por vez. E esse tipo de navio também consegue atravessar estreitos canais antárticos de singular beleza, como o Lemaire Channel.

O SH Minerva, da armadora Swan Hellenic Cruises, é o mais novo navio desse segmento, com capacidade para 152 passageiros.

Há razoável internet a bordo e todo passageiro recebe jaqueta, mochila e parka polar. Possui sauna, jacuzzi e uma pequena piscina externa.

Desenvolvido especialmente para a navegação polar, o SH Minerva deve navegar anualmente pela Antártica no verão do Hemisfério Sul e pelo Ártico durante o verão do Hemisfério Norte.

De suas 76 cabines, 60 contam com varandas. Operando em sistema tudo incluído, tem atualmente um único restaurante que serve café da manhã e almoço em sistema bufê e jantares à la carte.

Com sistema open bar, O Observation Lounge é o principal ponto de encontro dos passageiros e é ali que acontecem todas as palestras e atividades sociais a bordo. Logo em frente, o Club Lounge serve um pequeno bufê de chá da tarde todos os dias.

Há também serviço de quarto gratuito 24 horas por dia.

A temporada de turismo antártico vai do final de novembro ao começo de março, com a maioria dos navios saindo de Ushuaia, no sul da Argentina. A melhor época para visitar é entre a segunda quinzena de dezembro e o mês de janeiro. O tempo costuma ser mais estável para os desembarques e a vida selvagem é avistada com fartura. Por isso mesmo, são também as saídas mais caras dos navios.

As últimas saídas de cada temporada, entre fevereiro e começo de março, são menos procuradas e costumam ter descontos de última hora de 40% a 60% do valor de tabela dos cruzeiros.

O SH Minerva operou nesta temporada 2022 com valores promocionais desde US$ 6.600,00 (cerca de R$ 32,5 mil) por pessoa, incluindo também voos Buenos Aires-Ushuaia-Buenos Aires e todos os transfers.

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