Topo

BAW: marca brasileira domina o Instagram ao vestir influencers e globais

A atriz Bruna Marquezine vestindo BAW Clothing. Lançada em 2013, a marca é considerada a terceira etiqueta de streetwear mais conhecida do Brasil e aposta nas redes sociais para impulsionar sucesso Imagem: Reprodução/Instagram

Gustavo Frank

De Nossa

28/01/2022 04h00

Seja em um rolê voltado para o público mais jovem ou em publicações nas redes sociais, é bem provável que a BAW Clothing apareça a sua frente.

Cada vez mais presente nos looks dos Millennials e da Geração Z, além de vestir influenciadores e celebridades globais, como recentemente a atriz Bruna Marquezine, a marca acumula mais de 1,4 milhão de seguidores no Instagram e já é considerada a terceira etiqueta de streetwear mais conhecida do Brasil, de acordo com a pesquisa Top of Mind.

Comparada pelo grupo Arezzo&Co em 2021, a BAW nasceu de fato em 2012 a partir de uma visão de Lucas Karra, que pouco tempo depois se uniu ao irmão, Bruno, para dar passos mais largos com a label.

"Eu e meu irmão viemos de uma família isralense. O lance têxtil está na nossa raiz, eu brinco que nosso berço é um bolo de tecido", conta Lucas em entrevista para Nossa. "Desde moleque sempre tive essa ambição de ter a minha própria marca".

Tudo começou de forma minimalista, como já propunha o próprio nome da marca, que significa "black and white", ou seja, "preto e branco". O primeiro lançamento foram cinco camisetas nessas cores que traziam "estampas engraçadinhas", como menciona Lucas.

"Eu sentia falta disso aqui no Brasil e queria mirar no online. Fazer um site legal", comenta.

Essa decisão acabou por ser o grande triunfo da BAW em 2013 — época em que o e-commerce ainda não era tão difundido como hoje em dia. Das cinco camisetas, o designer passou então a produzir dez, quinze e o número continuamente cresceu. Foi quando Bruno Karra, seu irmão, se juntou a ele.

A parte criativa sempre partiu de Lucas, embora atualmente ele esteja mais por trás do negócio em si, como do planejamento e produção: "Tenho estilistas muito fodas à frente da BAW, mas não é minha função primaria", complementa.

Além de Lucas e Bruno, a BAW Clothing atualmente tem mais dois sócios Fernando Frizzatti e Celso Ribeiro, responsáveis pela programação e gerenciamento de marketing, respectivamente.

A moda para as ruas
E inspirada por elas

Focando no street style, BAW Clothing aposta em inspirações do mundo do skate para as coleções Imagem: Divulgação

Ao entrar na loja digital da BAW, a estética da marca já se apresenta por si só. As inúmeras estampas pulam à tela na gama de produtos oferecidos pela etiqueta — que, mais recentemente, começou a apostar na moda praia e nos sneakers.

"Hoje em dia, a gente olha para marcas para grandes marcas de streetwear internacional, marcas nichadas no street e no skate", comenta Lucas. "Eu enxergo que é um mercado que flui, até as grandes grifes, como a Balmain, Louis Vuitton e Fendi, estão lançando tênis de skate".

A grife está deixando de ser uma grife raiz para ter peças mais tradicionais e cada vez mais voltadas para o street."

Campanha de swimwear da BAW Clothing Imagem: Divulgação
Linha de tênis lançada pela marca brasileira Imagem: Divulgação

Gênero também é um ponto para a label. Ou melhor, a ausência dele. Isso porque a grande maioria das peças vestem tanto modelos femininos como masculinos: "A pegada de não ter gênero já nasceu com a gente. Começamos a pensar nas camisetas e fazer foto com homem e mulher, tratando a silhueta como uma só".

Sobre o lançamento dos tênis, algo aconselhado por Alexandre Birmann, CEO da Arezzo, Lucas pontua a intenção: não foi feita para competir com grandes marcas, como a Adidas e Nike.

"Ninguém bate de frente com eles, mas demos esse pontapé inicial para ser uma marca nacional que tem um público bom, qualidade boa e preço atrativo", comenta.

"Casaco de pelinhos"
O carro-chefe da marca

O "moletom de pelinhos" da BAW Clothing se tornou uma das peças mais intragamáveis entre o público jovem na rede social Imagem: Divulgação

É impossível falar da BAW sem citar o famoso "casaco de pelinhos". A peça, disponibilizada como "moletom faux fur", provavelmente foi uma das mais bombadas entre os influenciadores e globais — vestindo desde Luísa Sonza até Jade Bicon, a personagem mais fashionista da 22ª edição do Big Brother Brasil.

"Foi um produto muito estratégico para a BAW e não tem como não falar da nossa história sem ter um tópico do moletom de pelinho", diz o fundador.

A cantora Luísa Sonza com "moletom de pelinhos" da BAW Clothing Imagem: Reprodução/Instagram

Feito a partir de um tecido sintético e importado, "com valor caro", o casaco, assim como as camisetas que deram origem à etiqueta, começaram aos poucos, com duas cores. Hoje, a paleta de cores é quase incontável, além de trazer diferentes modelagens — como em versões cropped e de dupla-face.

"Começamos com certo receio, porque era um moletom de pelo, sendo que no inverno aqui do Brasil não bate nem 10 graus", relembra. "Há quatro anos produzindo a peça, a gente sente que tem muita aderência. Ela é muito a cara da BAW, imprime a nossa personalidade".

Sucesso no Instagram

A influenciadora e participante do BBB 22 Jade Picon vestindo BAW Clothing Imagem: Reprodução/Instagram

Quando questionado sobre a relevância da rede social em questão para a BAW, Lucas não hesita em dizer: "é o nosso carro-chefe". O número milionário de seguidores já era um desejo antigo da dupla de irmãos: "Não queríamos ser só uma marca de camiseta, queríamos ser um dos maiores e-commerce de moda no Brasil." E assim foi feito.

Em 2013, quando influencers não eram tão influenciadores como hoje em dia, a aposta dos fundadores foi alta. Além de cupons divulgados por personalidades das redes sociais, Lucas relembra ter pegado toda a verba do marketing e investido em publicações do ator Felipe Titto. Tiro e queda.

"Na época, a gente pagou uma baita grana para o cara e foi. Sabe quando você sente que vai", questiona ele. "Tinha uma negócio ali e a roda começou a girar".

A gente trabalha muito com influenciadores e globais, sempre cruzando entre esses dois tipos de perfil".

Whindersson Nunes | BAW Clothing Imagem: Reprodução/Instagram
Giovanna Ewbank | BAW Clothing Imagem: Reprodução/Instagram

Mirando no futuro da moda, o fundador da BAW comenta já ter planos para inserir a etiqueta no metaverso — um dos campos considerados mais promissores dessa indústria.

"Estamos começando a dar uma cutucada no metaverso, para ver o que vai sair", revela. "Estamos conversando com uma galera para poder expandir um pouco mais. O Instagram não é mesmo de 5 anos atrás, as coisas são muito cíclicas e a gente precisa ir além".

Ludmilla | BAW Clothing Imagem: Reprodução/Instagram

Sobre os últimos anos de pandemia, em que muitas marcas precisaram se reinventar, Karra conta que esse período acabou por se tornar um divisor de águas para a label.

"O moletom é o nosso grande forte, que foi uma categoria de produtos que ganhou uma aderência enorme da pandemia. Afinal, todo mundo queria se vestir de forma confortável (...) Financeiramente dizendo, o saldo foi positivo, embora a gente tenha vivido algo extremamente ruim".

Em novembro de 2021 a BAW Clothing abriu sua primeira loja física no bairro Bom Retiro, na região central de São Paulo — local conhecido por ser um polo da indústria têxtil e de diversidade cultural.

"Tudo acontece aqui no Bom Retiro, desde a compra do tecido até a costura. O que dá uma agilidade muito boa para nós, uma vez que nossos drops [lançamento de coleções] acontecem em dois meses", cita Lucas. "A BAW foi nascida e criada aqui".

Comunicar erro

Comunique à Redação erros de português, de informação ou técnicos encontrados nesta página:

BAW: marca brasileira domina o Instagram ao vestir influencers e globais - UOL

Obs: Link e título da página são enviados automaticamente ao UOL