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CEO da Copa do Qatar diz que mortes de operários não seriam 1% do divulgado

Visão externa do estádio Al Bayt, em Al Khor, que será palco da abertura da Copa do Mundo de 2022 Imagem: UOL

Gabriel Carneiro

Do UOL, em Doha

03/12/2021 04h00

Presidente do comitê organizador da Copa do Mundo de 2022, Nasser Al Khater recebeu ontem (2), em Doha, 15 jornalistas de dez diferentes países para defender a organização local sobre pontos delicados da preparação para o evento, que começa em menos de um ano. O posicionamento do CEO de Qatar-2022 ocorre na esteira de uma declaração à "CNN Internacional", que causou polêmica nos últimos dias.

Khater disse nesta entrevista que o público LGBTQIA+ não poderia demonstrar afeto em público durante o torneio no país, assim como o heterossexual. O tema veio novamente à tona ontem. "Temos um compromisso de algum tempo de que será uma Copa do Mundo que receberá bem a todos, independentemente de gênero, raça, religião ou orientação sexual. É algo que sempre reforçamos", afirmou Khater.

Outros assuntos igualmente polêmicos também entraram na roda, como a reportagem do jornal The Guardian, de fevereiro de 2021, que revelou que 6.500 imigrantes de países como Índia, Paquistão, Nepal, Bangladesh e Sri Lanka que trabalhavam nas obras da Copa do Mundo morreram desde dezembro de 2010, quando o país foi confirmado como sede do Mundial.

Nasser Al Khater é presidente do comitê organizador da Copa do Mundo de 2022 Imagem: Divulgação

Em novembro, dois novos elementos foram adicionados à discussão: enquanto a Organização Internacional do Trabalho (OIT) negou este número de mortes de operários, a Anistia Internacional fez relatório apontando "milhares de mortes" e problemas no esclarecimento delas pelo governo do Qatar. O UOL Esporte já publicou uma grande reportagem sobre a realidade dura dos trabalhadores da Copa.

Segundo Nasser Al Khater, foram apenas três mortes, aproximadamente 0,04% do número divulgado. Ele chamou a reportagem do "The Guardian" de "jornalismo irresponsável".

Eu posso te dizer os fatos: são três fatalidades com mortes de trabalhadores envolvidos no projeto da Copa do Mundo. Três trabalhadores tiveram incidentes. Ao The Guardian ou qualquer outro meio que tenha difundido as notícias de 4.000 ou 6.500 mortes nos estádios, temos a posição consistente de que estes números são falsos e não os reconhecemos. Nós pesquisamos e temos segurança em dizer que os números não são contextuais, são incorretos.

Mas é parte da educação sobre direitos humanos contextualizá-los e não criar nas pessoas uma imaginação negativa e controversa segundo interesses particulares. É algo que publicamos em nosso site, somos transparentes. O que aconteceu é que associaram com algo nada a ver com a Copa do Mundo. Pegaram os números de mortes de 2010 em todo o país e multiplicaram pelo número de anos. Penso que é um jornalismo irresponsável."

Dos oito estádios preparados para a Copa do Mundo, só falta ser inaugurado o Lusail, que receberá a final do torneio em 21 de dezembro de 2022. O restante já está pronto e em funcionamento. Porém, Doha é um canteiro de obras por causa da parte de infraestrutura e muitos trabalhadores são vistos pelas ruas todos os dias.

O UOL está na cidade a convite do Comitê Supremo para Entrega e Legado, órgão que organiza o Mundial.

Estádio de Lusail, em Doha, receberá a final da Copa do Mundo de 2022 Imagem: UOL

Leia outras respostas de Nasser Al Khater:

Consumo de álcool na Copa

"É preciso entender onde se está. Somos um país muito internacional, Doha é uma cidade internacional, só 20% de sua população é nativa, então somos tolerantes e recebemos outras culturas. Haverá espaços para pessoas de outros lugares do mundo consumirem bebidas alcoólicas. Não faz parte da cultura do Qatar, mas temos isso em restaurantes e algumas áreas, não é um problema."

Boicote de federações

*Dinamarca e Noruega têm movimentos de boicote à Copa do Mundo de 2022. No caso da Dinamarca, é comercial;

"Quando se boicota, independentemente do motivo, é contraprodutivo. Mas é a opção deles. Trabalhamos para ter um grande evento e que cada um faça o que quiser, as federações e jogadores são livres para pensar como quiserem."

Polêmicas recentes

"Acredito que precisamos responder a essas críticas porque é o nosso trabalho esclarecer situações. O grosso das notícias que vende são controvérsias ou aquilo que a audiência quer ouvir. Isso nos dá mais responsabilidade. É a primeira Copa do Mundo no Oriente Médio, o Qatar é um país pequeno e tem uma lacuna histórica no futebol, então foi muito fácil nos tornar alvo e nos acusar. Sim, somos um país pequeno, mas também há vantagens nisso. O fato de não sermos relevantes na história do futebol não é verdade, temos contribuições dentro do contexto do Oriente Médio. Mas as críticas são algo que fazem parte."

O que não fazer no Qatar?

"O Qatar é um país ao mesmo tempo tolerante e conservador. É muito importante que as pessoas entendam o país para onde vão, as leis gerais do país. Mas temos certeza de que estaremos muito felizes em mostrar de forma pública informações neste sentido. Também trabalhamos comunicação com as federações e embaixadas sobre o que pode ou não ser feito."

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