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Em desfile, Baixo Augusta faz manifesto por Carnaval livre e arte nas ruas

Alessandra Negrini -- a rainha da bateria do bloco Acadêmicos do Baixo Augusta -- que em 2016 protestou pela igualdade de direitos e pelo casamento homoafetivo - Raphael Castello/AgNews
Alessandra Negrini -- a rainha da bateria do bloco Acadêmicos do Baixo Augusta -- que em 2016 protestou pela igualdade de direitos e pelo casamento homoafetivo Imagem: Raphael Castello/AgNews

Colaboração para o UOL

22/01/2017 15h00

Maior bloco de São Paulo, o Acadêmicos do Baixo Augusta, que arrastou em 2016 mais de 150 mil pessoas pela Rua da Consolação, se prepara para dobrar de tamanho. A organização está montando uma estrutura para receber 300 mil foliões no domingo de pré-Carnaval, dia 19 de fevereiro. Com o tema “Primeiramente, a Cidade é Nossa”, o bloco fará um manifesto pela garantia da realização e liberdade do Carnaval de rua e em favor da arte urbana.

“O tema tem a ver com a compreensão de que o direito ao Carnaval e de ocupar a cidade é uma conquista da sociedade e não uma decisão político-partidário”, diz o produtor cultural Alê Youssef, presidente do Baixo Augusta.

O desfile, segundo o produtor, quer chamar a atenção para a ameaça de mudança que o modelo atual de Carnaval de rua sofreu no fim do ano passado, com o projeto de lei 279/2016 do vereador Aurélio Nomura (PSDB). O PL recebeu emenda do vereador Milton Leite (DEM), que obriga os blocos a abrirem um CNPJ e se afiliar a uma associação de entidades carnavalescas. Os blocos fizeram manifestação e a votação foi adiada.

“O Carnaval em São Paulo é livre, democrático e descentralizado. E isso não foi uma decisão da gestão do Fernando Haddad (PT). Foi uma escolha da cidade”, diz Youssef, que defende a criação de uma legislação que assegure o direito ao Carnaval como ele é realizado hoje. Atualmente, as regras para a festa nas ruas são estipuladas por decreto do prefeito e podem ser alteradas e revogadas em qualquer tempo. “O Carnaval de São Paulo não tem dono, não tem patrão. São várias iniciativas, coletivas e espalhadas, e precisamos de uma legislação que consagre esse modelo”, completa.

Outra bandeira que será defendida no desfile é a arte urbana em São Paulo. O novo prefeito, João Doria (PSDB), em mais uma ação do projeto de zeladoria “São Paulo Cidade Linda”, decidiu apagar grafites e painéis na Avenida 23 de Maio e nos “Arcos do Jânio”, na região central.  

No desfile, o Baixo Augusta levará um “abre-alas” com grafites. “Será um manifesto ambulante, uma reflexão sobre a arte urbana”, explicou Youssef. Ainda no dia do cortejo, o bloco quer entregar à capital um painel da artista plástica Rita Wainer. A ideia é que ele fique exposto em um prédio da Rua da Consolação, que ainda negocia receber a obra.

A criação do Parque Augusta, que já foi reivindicado em anos anteriores, também estará na pauta do manifesto folião. Para Alê Youssef, o ativismo do bloco, que todo ano traz um tema relacionado à cidade, é um dos fatores que o fazem ser o maior de São Paulo. Criado em 2009, o Baixo Augusta, um dos grupos que ajudaram a alavancar a retomada da folia nas ruas, chegou a ser proibido e ameaçado de não desfilar

“Apesar disso, todo ano dobrávamos de tamanho. O Carnaval representou um desejo natural do paulistano de se reconectar com a cidade e hoje, como festa popular, ele é a celebração dessa reconexão.”

Um bloco, dois trios elétricos
Para receber o público estimado em 300 mil pessoas, o Baixo Augusta vai cruzar a Rua da Consolação com dois trios elétricos para melhorar a capacidade de distribuição de som durante o desfile.

O cantor Wilson Simoninha segue liderando a banda do bloco. A atriz Alessandra Negrini continua no posto de rainha, e a cantora Tulipa Ruiz, de madrinha. Já confirmaram presença no desfile Fafá de Belém, Max de Castro, Paula Lima, China, Edgard Scandurra e Taciana Barros.


Desfile do Acadêmicos do Baixo Augusta
Data: 19 de fevereiro de 2017 
Horário: 14h
Local: Rua da Consolação
 

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