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30/08/2011 - 07h00

Itaquerão faz aniversário de 90 dias sem contrato com Odebrecht e sem dinheiro do BNDES

Roberto Pereira de Souza
Em São Paulo

Esta terça-feira, dia 30 de agosto, é aniversário do Itaquerão: a obra completa 90 dias, mas ainda não tem  contrato assinado entre a construtora Odebrecht e o Corinthians. Nas últimas três semanas, as equipes de negociação aceleraram os encontros na tentativa de eliminar conflitos até esta quarta-feira, como prevê o cronograma. Sem contrato com o clube, a Odebrecht não pode sequer pedir o empréstimo-padrão junto ao BNDES.

Como sangue novo às negociações, o ex-presidente Lula foi escalado para comandar uma espécie de churrasco-piquete, na porta do estádio, no próximo sábado. O churrasco pode ter a força de um piquete em um momento de dificuldade para assinatura de contrato. O presidente do clube, Andrés Sanchez, está tendo uma uma queda de braço para assinar quatro contratos administrativos para financiar e construir o estádio: um documento criará a SPE (sociedade para fins específicos), outro criará o fundo de investimento (de gestão financeira), o terceiro será só com a construtora e o último com o BNDES.

Para evitar confusões em um sábado festivo, pessoas ligadas a Odebrecht se apressaram em explicar de onde partiu o convite a Lula: “ o convite ao ex-presidente Lula partiu do Corinthians e não da construtora. É aniversário do clube (na quinta-feira) e o churrasco será feito na parte externa, não no canteiro de obras, que é um lugar com sérias restrições ao uso de bebidas alcoólicas, por motivo de segurança”.

As obras do Itaquerão
As obras do Itaquerão

Sem contrato, sem dinheiro do BNDES

Há duas semanas, um executivo financeiro que acompanha as negociações entre a construtora e o Corinthians disse que “tinha a expectativa de remover os últimos obstáculos entre as partes para que o contrato fosse assinado até o último dia de agosto. Está quase tudo certo”, disse o financista, na condição de anonimato.

Restam apenas dois dias para o mês de agosto chegar ao fim e o dinheiro do BNDES ainda não chegou. A obra da nova arena corintiana, no bairro de Itaquera, Zona Leste da capital paulista, custará ao clube R$ 820 milhões e terá capacidade fixa de 45 mil lugares. Outros 20 mil lugares removíveis serão patrocinados pelo Governo do Estado a um custo aproximado de R$ 70 milhões e isso deixaria o estádio em condição de abrir a Copa-2014.

O financiamento do BNDES deverá colocar R$ 400 milhões no caixa da empresa SPE, formada pela Odebrecht e o clube para gerenciar todo o processo financeiro. Mas o prazo para pedir esse dinheiro ao BNDES expira em 31 de dezembro.

A outra parcela restante de R$ 420 milhões será injetada no negócio com a venda de título públicos, emitidos pela prefeitura de São Paulo. Esses papéis serão vendidos no mercado e os compradores poderão ficar parcialmente isentos do pagamento do Imposto sobre Serviços (ISS) e do IPTU (Imposto Territorial Urbano).

A parte que deve estar dificultando as negociações entre Odebrecht e Corinthians pode ser resumida em três módulos principais: 1) o clube será sócio minoritário da arena até 2026, quando será feito o pagamento da última parcela do financiamento de 12 anos. 2) o clube terá de pagar cerca de R$ 340  milhões em juros, para retirar R$ 400 milhões do BNDES.  3) a gestão da nova arena será feita preferencialmente pelo banco repassador do dinheiro (porque o BNDES só empresta diretamente a estados e municípios) e pela Odebrecht; o Corinthians seria  o terceiro no comando.

Os negociadores esperam fazer a receita do clube saltar dos R$ 180 milhões para a casa dos R$ 300 milhões/ano. Outra fonte geradora de receitas é a venda do nome do estádio para uma empresa privada.

Cálculos de mercado sugerem que arenas como Itaquerão e Mineirão podem faturar até R$ 30 milhões/ano com os direitos sobre o nome do patrocinador fixado no estádio.

Mesmo com dinheiro só da construtora em seu aniversário de 90 dias, o Itaquerão avança:  426 estacas foram instaladas a 18 metros de profundidade, onde serão erguidos os edifícios Leste e Oeste. A cada 5 estacas, é construída uma caixa de concreto, como se fosse a cabeça de uma coluna. Essas cabeças formam a estrutura principal de sustentação do estádio.

No total, cerca de 3  mil estacas serão fundadas no terreno, até março ou abril de 2012. No auge da obra, a Odebrecht espera contratar até 2 mil operários. Em 90 dias de trabalho, 400 homens ocupam suas posições entre remoção de terra, concretagem, operação de tratores, caminhões e serviço administrativo.

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