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Valcke admite a possibilidade de os estudantes obterem ingressos mais baratos em 2014

Valcke admite a possibilidade de os estudantes obterem ingressos mais baratos em 2014

08/11/2011 - 11h38

Secretário-geral da Fifa admite meia entrada para estudantes na Copa de 2014

Maurício Savarese*
Do UOL Notícias
Em Brasília

Em um encontro na Câmara dos Deputados nesta terça-feira (8) para discutir a Lei Geral da Copa do Mundo de 2014, o secretário-geral da Fifa, Jerôme Valcke, afirmou nesta terça-feira (8) que estudantes e idosos poderão ter quase um quarto das entradas nos estádios na primeira fase do mundial, com exceção da partida de abertura. Ele disse ter discutido o assunto com a presidente Dilma Rousseff e o novo ministro do Esporte, Aldo Rebelo.

RELATOR DA LEI DA COPA DIZ QUE INCLUIRÁ NO TEXTO PERMISSÃO DE VENDA DE BEBIDAS EM ESTÁDIOS

O deputado federal Vicente Cândido, relator da Lei Geral da Copa na Câmara dos Deputados, afirmou nesta segunda-feira, após conversa com Jérôme Valcke, que vai incluir no texto da norma a permissão para venda de bebidas alcoolicas nos estádios de futebol e arredores durante as partidas válidas pela Copa do Mundo de 2014.

Este é um dos pontos de contrariedade entre a Fifa e o governo brasileiro. Pelo Estatuto do Torcedor e segundo as legislações de alguns Estados do país, não é permitido a venda de bebida alcoolica nas arenas esportivas e em seus entornos. A Fifa, que tem como uma de suas principais patrocinadoras a Inbev, cervejaria multinacional, pressiona o país para que esta probição seja derrubada.

Valcke admitiu que a Fifa “não gosta da ideia” da meia-entrada, como exige a legislação brasileira. Mas disse que a criação de uma categoria especial, assim como aconteceu na África do Sul, viabilizaria a entrada de estudantes por esse preço reduzido em pelo menos 12% dos assentos disponíveis em cada partida. Outros 12% poderiam ser dedicados aos idosos. O preço da entrada na fase de grupos partiria de US$ 25 – R$ 43 em valores atuais.

“Não queremos mexer na lei nacional (que garante meia-entrada aos idosos). Dissemos à presidente que temos um problema técnico, não financeiro. Em vez de haver diferentes grupos com direito a meia-entrada, propus que implantemos uma categoria 4, especial, reservada apenas para os brasileiros. Trabalharemos com o governo brasileiro para assegurar, inclusive, acesso a estudantes dentro dessa categoria”, disse.

Uma das razões para as restrições, disse Valcke, é o preço dos ingressos de Copa do Mundo no mercado negro. Dirigentes da Fifa, em especial o ex-vice-presidente Jack Warner, são acusados de ganharem milhões de dólares comercializando entradas no mercado negro. Documentos obtidos pela BBC apontam que Warner foi obrigado a restituir a entidade por causa disso.

Valcke estimou em 3 milhões o número de ingressos do mundial de futebol. A Fifa deseja que os bilhetes da categoria 4 resolvam o impasse sobre as meias-entradas  - cobradas hoje em todos os setores dos estádios e que na Copa do Mundo ficariam restritos a uma área específica.

“É uma questão técnica, não é financeira. Os estudantes compram meia-entrada com uma identificação que é apresentada na hora da retirada. E nós imprimimos nossos ingressos pouco antes dos jogos, por questões de segurança. Mas estamos trabalhando com o governo brasileiro para chegarmos a um acordo sobre isso”, afirmou o secretário.

Mais tarde, o ministro do Esporte, Aldo Rebelo, disse que a questão da meia-entrada não é “nenhum problema incontornável”. O partido de Aldo, o PCdoB, tem controle da direção da UNE (União Nacional dos Estudantes), que emite documentos que viabilizam a meia-entrada em eventos culturais e esportivos.


Críticas ao Brasil

Também presente no encontro, o presidente da CBF (Confederação Brasileira de Futebol), Ricardo Teixeira, foi sucinto. Disse apenas que a livre entrada de funcionários da Fifa no Brasil e as isenções fiscais aos patrocinadores da entidade “não fazem parte de uma discussão ideológica ou de soberania, mas sim de flexibilidade para um evento global e único”.

Vários deputados criticaram a Fifa e a CBF exatamente por isso nas últimas semanas. Com a expressão fechada por quase duas horas, Teixeira cobrou os parlamentares para acelerarem a aprovação da Lei Geral da Copa. “A democracia é saudável, mas o tempo não está mais ao nosso lado. O Brasil tem um compromisso com a Fifa e agora tem o dever de fazer uma Copa inesquecível”, afirmou.

O presidente da Câmara, Marco Maia (PT-RS), afirmou que espera votar a legislação ainda neste ano. Ele receberá os dirigentes ainda nesta tarde. Valcke pediu colaboração do meio político e rejeitou as acusações de que a Fifa está aumentando suas exigências em relação ao Brasil. “Nunca exigimos garantias suplementares às pedidas ao presidente Lula. Não mudamos nada, nem uma palavra”, disse. "Nós decidimos viabilizar que as equipes viajem pelo Brasil, ao contrário do que aconteceu na África do Sul. Não damos declarações pelo prazer de dar declarações. Viajar no Brasil não é fácil.”

Questionado por um deputado, o secretário-geral da Fifa disse que estudará restrições à venda de bebidas nos estádios da Copa. Uma cervejaria comprada recentemente pela belgo-brasileira InBev está entre as principais patrocinadoras do evento. “Não vou assumir compromisso de que não será vendido álcool nos estádios, mas esse pedido será levado em consideração. Sei que essa resposta não é satisfatória, mas é a que posso dar”, disse.

O secretário-geral da Fifa também se comprometeu a aplicar princípios transparentes para conceder credenciamento a jornalistas. “Não haverá nenhum sistema diferente de credenciamento”, disse. Em entrevista à revista “Piauí”, Teixeira afirmou que poderia cometer “as maiores maldades” para dificultar o acesso de veículos de comunicação críticos a ele.

* Atualizado às 12h52

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