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12/10/2011 - 06h00

MPF exige interrogatório de irmão de Ricardo Teixeira para provar lavagem de dinheiro

Roberto Pereira de Souza
Em São Paulo

Má notícia para Ricardo Teixeira: o Ministério Público Federal exige que Guilherme Teixeira,  irmão do presidente da CBF, também seja interrogado no inquérito policial por lavagem de dinheiro. Guilherme atua como procurador de Ricardo no comando de empresas suspeitas por evasão de divisas., há mais de dez anos.

Para piorar o cenário para os irmãos Teixeira, outro fato oficial:  o Conselho Nacional de Justiça determinou uma apuração na conduta de juízes federais que se relacionam com a Confederação Brasileira de Futebol, no momento em que seu presidente Ricardo Teixeira está sendo investigado por lavagem de dinheiro. A corregedoria não gostou de saber que juízes federais vão participar de torneio de futebol no campo da CBF, na Granja Comary, em novembro. Teixeira também dirige o Comitê Organizador da Copa 2014.

A Delegacia de Crimes Financeiros, da Superintendência da PF do Rio de Janeiro, começará a investigação contra Teixeira e seu irmão Guilherme ainda esta semana.

 O CNJ teme que as ligações de amizade e favorecimentos possam atrapalhar o fluxo dos trabalhos dos juízes que deverão julgar o caso, após possível denúncia.

A Ajufe, que representa os juízes federais e que será analisada pelo CNJ, explicou em duas  notas que o apoio da CBF à entidade é "institucional e não é ilícito":

“A licitude da parceria institucional entre a Ajufe e CBF, para a realização de eventos como Futebol Cidadão e Projeto João de Barro, é incontestável e idêntica à realizada entre a CBF e o próprio Conselho Nacional de Justiça”.

Esse trecho da nota varou os andares do CNJ como uma bala perdida. “é um equívoco dizer isso, porque não temos convênio com a CBF”, explicou um assessor do Conselho de Justiça. “Nosso projeto atende os ex-detentos que precisam de emprego. As sedes da Copa 2014 deverão empregar certo número de cidadãos que cumpriram suas penas e precisam de uma nova chance”.

Como formalidade, o CNJ só pode investigar juízes suspeitos de favorecimento nesse tipo de convênio. “Não se pode investigar a Ajufe como entidade privada. Mas se algum juiz recebeu algum tipo de favorecimento ou dinheiro, a corregedoria entrará em ação”, informou o assessor.

Outro problema que cerca a investigação contra Ricardo Teixeira pode estar na própria Polícia Federal do Rio de Janeiro, onde laços de amizade já se estenderam da CBF até a associação dos delegados federais.

“Teixeira participou da posse do delegado Valmir Lemos de Oliveira, superintendente da PF no Rio de Janeiro, recentemente”, informou uma fonte da Justiça carioca. Lemos de Oliveira, como superinendente local,  é o responsável maior pelo inquérito de lavagem de dinheiro, pedido pelo Ministério Público Federal.

UOl Esporte enviou ao superintendente Lemos de Oliveira perguntas sobre sua relação pessoal com o presidente da CBF, Ricardo Teixeira, que, agora, passa a ser alvo de investigação. Até as 20h30 desta terça-feira (11/10), nenhuma resposta foi fornecida.

O delegado Lemos de Oliveira estava na diretoria da associação dos delegados federais quando a CBF decidiu abrir seus cofres para financiar uma atividade da entidade. Detalhe: Teixeira é investigado ou suspeito de ter cometido lavagem de dinheiro desde os anos 1990.

  Logo após o relatório da CPI do Futebol (2000-2002), que encontrou fortes evidências de  lavagem de dinheiro em operações financeiras das empresas de Teixeira (Sanud e RJL Participações), quatro processos foram trancados pela Justiça Federal.

Mas a operação para inocentá-lo teria começado antes, na própria PF. A pedido do MPF, um delegado de fora do Rio de Janeiro foi chamado para o trabalho de relatar quatro investigações.

Em 30 dias, o policial fez todos relatórios, pedindo arquivamento dos inquéritos.

O inquérito que está na Delegacia de Crimes Financeiros,  na Polícia Federal/RJ,  vai apurar novas denúncias contra as duas empresas de Teixeira por remessa ilegal de dinheiro para o Brasil.

No ofício enviado à PF, o procurador da República Marcelo Freire diz que “Ricardo Teixeira e sua quadrilha podem ter cometido novos crimes de evasão de divisas”, usando a Sanud. O prazo inicial para as investigações é de 90 dias.

Agora, o caso ganha força pela entrada do CNJ na apuração da conduta de juízes que se relacionam com Ricardo Teixeira. Outro ponto  novo:  documentos que listam operações de suborno de mais de U$150 milhões citam também a Sanud com o beneficiária, em processo que corre na Suíça.

 “O caso está na Suíça mas os documentos serão requisitados pela Justiça brasileira”, informou uma fonte do Ministério Público Federal, habituada em investigações de crimes internacionais.

Da lista de empresa usadas para pagar propinas a dirigentes da Fifa, constam algumas empresas que podem esconder nomes de brasileiros, além de Ricardo Teixeira.  Wando, Beleza, Sicuretta, Renford Investments e Gilmark Tradings, com sede em Hong Kong, lideram os repasses ilegais, segundo investigadores europeus.

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