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Operários fazem manifestação por melhores condições de trabalho no Maracanã

Operários fazem manifestação por melhores condições de trabalho no Maracanã

02/09/2011 - 08h00

Sindicato mantém greve no Maracanã e manda operários para casa

Maria Clara Serra e Pedro Ivo Almeida
No Rio de Janeiro*

A sexta-feira amanheceu tensa nos arredores do Maracanã, na Tijuca, Zona Norte do Rio. Lutando por melhorias nas condições de trabalho das obras no estádio, cerca de mil operários se reuniram em frente ao portão 13 com caminhão de som e muita disposição para reivindicar. A paralisação continua e o Tribunal Regional do Trabalho (TRT) marcou uma audiência de conciliação entre os trabalhadores e o Consórcio Maracanã 2014 para a próxima segunda, às 13h.

A manifestação desta manhã deu um nó no trânsito da Avenida Maracanã e cerca de sete viaturas da Polícia Militar, além de guardas municipais, fazem a contenção dos trabalhadores. Do alto do caminhão de som, o presidente do Sitraicp (Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias da Construção Pesada), Nilson Duarte, mandou os trabalhadores para suas casas e garantiu que ninguém volta a trabalhar se as reivindicações não forem atendidas.

"Vamos dar a chance a quem é de direito que converse com a gente. Não adianta ceder às pressões públicas e continuar essa indignação. Temos que manter a paralisação. Só assim as condições de trabalho poderão melhorar. Vamos tomar como exemplo o caso do Mineirão. Estamos de braços cruzados até que os pedidos sejam atendidos. Não vamos recuar. A greve não é por acaso. Vamos lutar pelos nossos direitos", disse Nilson em discurso para os trabalhadores, se referindo à manifestação em Belo Horizonte, onde os operários do Mineirão pararam de trabalhar por cinco dias e, após audiência de conciliação, conseguiram aumento salarial e na cesta básica, participação nos lucros, plano de saúde e adicional de 100% para horas extras.

A greve no Maracanã começou na madrugada da última quinta. No final da tarde, o Consórcio Maracanã 2014, formado pelas empresas Odebrecht, Delta e Andrade Gutierrez, emitiu nota afirmando que a greve era abusiva:

"A nova paralisação ocorre 10 dias após o Consórcio chegar a um acordo com representantes dos trabalhadores. Dessa forma, o Consórcio entende não haver motivo para o movimento e decidiu buscar a Justiça do Trabalho para que a paralisação seja declarada abusiva".

No acordo anterior, as empresas se comprometeram a aumentar cesta básica de R$ 110 para R$ 160 e dar plano de saúde aos trabalhadores, mas prometeram uma nova elevação na alimentação e a ampliação do plano para os familiares dentro de um período de três meses. Os operários reclamam agora da má qualidade da comida servida na obra e da falta de um profissional para auxiliar os trabalhadores. Eles querem ainda o aumento do vale-refeição para R$ 180 e atendimento de saúde para os familiares imediatamente.

E a nota oficial continua:

"O Consórcio Maracanã Rio 2014 reitera que estão sendo cumpridos todos os itens acordados no dia 21 de agosto com o Sindicato dos Trabalhadores da Construção Pesada Intermunicipal do Rio de Janeiro, sendo os principais:

1. Aumento, a partir de 1º de setembro, do valor da cesta básica de R$ 110 para R$ 160, o que é um incentivo à frequência ao trabalho, pago com base no mês trabalhado. A alimentação durante o serviço é realizada no refeitório do canteiro de obras, cujos padrões de qualidade são avaliados diariamente por nutricionistas.

2. Plano de saúde individual para os trabalhadores (titulares), também a partir de 1º de setembro.

3. Abono dos dias parados (17, 18 e 19 de agosto), sem desconto nos benefícios dos trabalhadores, o que foi integralmente pago no último dia 31 de agosto.

Também em 21 de agosto, foi formada uma comissão integrada por representantes dos trabalhadores e do Consórcio para estudar a viabilidade da implantação de outros benefícios. Esta comissão tem até meados de novembro para apresentar a conclusão do estudo. Todos esses itens foram homologados durante audiência no Tribunal Regional do Trabalho realizada no dia 22 de agosto.

Visto que todas as reivindicações dos trabalhadores estão sendo atendidas, o Consórcio entende não haver motivo para a atual paralisação e solicitou ao Tribunal Regional do Trabalho que o movimento seja considerado abusivo. A audiência para conciliação foi marcada para o próximo dia 5 de setembro, às 13h".

Nesta sexta-feira, técnicos da vigilância sanitária municipal visitaram de surpresa o refeitório e a cozinha da obra. Segundo relatório apresentado por eles ao final da vistoria, nenhuma irregularidade foi encontrada com a comida ou sua manipulação.

* Atualizada às 18h15

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