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20/08/2011 - 07h00

Belo Horizonte supera todas as sedes da Copa e Mineirão será entregue em 2012

Roberto Pereira de Souza
Em São Paulo
  • Fachada do novo estádio do Mineirão

    Fachada do novo estádio do Mineirão

Quando o assunto é Copa-2014, Belo Horizonte vem ganhando de goleada das outras 11 sedes. O novo Mineirão com capacidade para 65 mil pessoas será entregue dezembro de 2012, dois anos depois de iniciada a reforma que alterou completamente a arquitetura do estádio. BH é candidata a sediar a abertura do Mundial junto com o Itaquerão, que custará quase o dobro do preço e só será entregue em 2014, três anos depois de iniciada a obra.

A comparação entre Belo Horizonte e outras sedes da Copa é inevitável. A semelhança do modelo mineiro com o modelo usado pelo Corinthians, por exemplo, se restringe à busca do empréstimo junto ao BNDES. O estádio corintiano é privado, o mineiro é do Estado. O atraso das obras no Itaquerão se deve à elaboração de um modelo que possa ser aceito pelo sistema financeiro e esbarra no rigor do BNDES  na exigência de garantias de até 130% do valor emprestado. No caso mineiro, o Estado abriu mão da gestão da arena por 25 anos em troca da reforma. Esse contrato é chamado de parceria público-privado.

O sucesso de BH chega a impressionar a burocracia de Brasília, que vem trabalhando com os pedidos de empréstimo para construção das arenas e projetos de mobilidade urbana. Os técnicos em projetos enxergam Belo Horizonte como “ um exemplo no preenchimento de todos protocolos estabelecidos”.

A celebração vem também das obras de mobilidade urbana. Dos oito projetos encaminhados para melhoria dos transportes coletivos da capital mineira, todos foram contratados junto à Caixa Econômica. O dinheiro está no PAC da Copa, na carteira do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço. O total a ser investido na execução dos projetos é de R$ 1,48 bilhão mas a CEF deve financiar cerca de 80% desse valor: R$ 1,02 bilhão.

Mineirão x BNDES

“Entre todas as sedes, Belo Horizonte é a que vem apresentando o melhor índice técnico na elaboração dos projetos, considerando detalhes técnicos e sociais como desapropriações  e impacto ambiental”, explicou um executivo ligado ao processo de adequação de projetos e liberação de dinheiro, do Distrito Federal.

E se a cidade está sendo recortada por novos corredores de ônibus e estações de embarque e desembarque de passageiros, o novo Mineirão avança no formato de parceria público privada ( PPP), a um custo estimado em R$ 665 milhões. O consórcio Minas Arena ainda não conseguiu contratar o empréstimo de até R$ 400  milhões junto ao BNDES. O pedido está sendo analisado pelos gerentes do banco estatal.

Por enquanto, tudo está dando certo: “Com esse modelo de parceria, o Estado não desembolsa recursos durante a execução da obra e não há aditivos. Não há alteração no valor da obra nem no cronograma”, explicou a assessoria da Secretaria da Copa, montada apenas para fazer a gestão estratégica do  mundial de 2014.

  • Sylvio Coutinho/Divulgação

    Operário trabalha na estrutura interna do Mineirão

  • Guyanne Araújo/Divulgação

    Mulheres conquistam espaço nas obras do estádio

Para reformar o Mineirão dentro do padrão exigido pela Fifa, 3 construtoras (Egesa, Hap e Construcap) criaram a empresa Minas Arena para dialogar diretamente com o governo estadual. As três empresas bancam toda a obra e recebem, em troca, a concessão de uso  da arena por 25 anos, sem renovação automática.

Caso o novo estádio não gere a receita esperada por qualquer motivo, caberá ao governo mineiro diminuir o impacto do prejuízo remunerando os concessionários.

“Em caso de atraso há sanções ao parceiro privado”, explicou a assessora da Secopa. “O desembolso posterior do Estado  é diluído em 25 anos, no caso do Mineirão, e vai depender do desempenho do negócio ( quando mais o Mineirão der lucro menos o Estado remunera o parceiro privado).

O que muda no Mineirão

Para atender as exigência da Fifa, o gramado foi rebaixado 3,4 metros, o que deve melhorar a visibilidade em todos os 65  mil lugares do estádio. O projeto prevê a construção de uma área Vip, de cerca de 8 mil metros quadrados, abrigando 100 camarotes (1.500 lugares), restaurante panorâmico, lounge e sanitários.

O estacionamento terá 2 mil vagas cobertas e 600 descobertas, todas com sistema de segurança. A área reservada à imprensa terá espaço para 2.955 profissionais, mil mesas de trabalho equipadas com monitores e telefones, além de 480 lugares para comentaristas. O espaço terá ainda sala de conferência, estúdios de entrevistas e transmissão.

Preparada para operar o sistema comercial da Copa e candidata a sediar a abertura do Mundial, o Mineirão dedicará uma área de 3.300 m2 (interna e externa ao estádio) para patrocinadores do evento.

A nova arquibancada inferior terá 17.600 lugares bem próximos ao gramado. O chamado nível 1, terá 6.676 lugares em arquibancada Vip, camarotes e salas operacionais de iluminação e cabine de som.

O nível 2 de arquibancadas superiores receberá 40.400 assentos, com praça de alimentação e sanitários. E como a estrutura do ginásio Mineirinho também fará parte da Copa, uma ponte de 15 metros de extensão deverá facilitar o acesso ao estádio.

Apesar de tudo estar dentro do cronograma de execução e futura entrega, o secretário extraordinário da Copa, Sergio Barroso, não parece estar nem um pouco surpreso:

 “Minas mantém o cronograma em dia porque o planejamento para ser sede começou desde a candidatura do Brasil”, lembrou o secretário. “ Nossa principal obra da Copa é a modernização do Mineirão. O estádio será entregue em dezembro de 2012”, garantiu Barroso ao UOL Esporte.

Obras para a Copa de 2014
Obras para a Copa de 2014

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