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11/07/2011 - 14h00

Governo do MT esconde estudo que enfraquece projeto de trem bilionário

Vinícius Segalla
Em São Paulo
  • O deputado estadual José Riva (PP): defesa do VLT baseada em estudo de dez páginas

    O deputado estadual José Riva (PP): defesa do VLT baseada em estudo de dez páginas

O governo de Mato Grosso escondeu da população um estudo que encomendou e mostra que a construção de três corredores de ônibus (BRT) é a obra de mobilidade urbana ideal para Cuiabá. O estudo contraria a escolha feita pelas autoridades locais, de construir o VLT (Veículo Leve sobre Trilhos), opção que custa o dobro do preço. O trem foi o modal escolhido pelo estado para ser construído dentro do plano de desenvolvimento urbano para a Copa do Mundo de 2014. Conforme o UOL Esporte apontou em reportagem publicada no dia 7/7, os motivos que levaram à escolha do VLT em detrimento do BRT não foram técnicos.

A Agecopa (Agência Estadual de Execução dos Projetos da Copa do Mundo do Pantanal), órgão estadual que produziu o estudo em março deste ano, jamais divulgou seu resultado à população matogrossense. Ao invés disso, o então presidente da agência quando o estudo foi feito, Yênes Magalhães, foi tirado do cargo no dia 15 de abril. Engenheiro especialista em sistemas de transporte e ex-secretário de Transportes de Cuiabá, Magalhães era um defensor ferrenho da ideia de seguir os conselhos dos técnicos em favor do BRT. Em seu lugar, assumiu o então secretário-chefe da Casa Civil, Eder Moraes.

Dois meses depois, atendendo aos apelos do deputado José Riva (PP), presidente da Assembleia Legislativa do Mato Grosso e principal defensor do VLT, a Agecopa aprovou o VLT, sem apresentar qualquer justificativa técnica para a mudança. Até então, o BRT fazia parte do plano oficial do Ministério do Esporte para as obras de mobilidade urbana das cidades-sede da Copa. Já havia sido liberado um empréstimo de R$ 451 milhões da Caixa Econômica Federal para financiar o projeto. O UOL Esporte tenta desde o dia 4/7 buscar um posicionamento da Agecopa e de seu atual presidente sobre o assunto, mas recebe como resposta que Eder Moraes está em viagem e é o único profissional da agência apto a conceder informações à imprensa.

O trabalho encomendado pela Agecopa, de 124 páginas, foi feito pela consultoria Oficina de Engenheiros Associados. A análise aponta que o custo de implantação do VLT será de R$ 1,13 bilhão, enquanto os investimentos necessários para o construir o BRT seriam de R$ 563 milhões. Além disso, sempre de acordo com o estudo da Agecopa, o VLT provavelmente não ficará pronto a tempo de estar funcionando durante a Copa de 2014, já que levaria pelo menos três anos para ser concluído, e a agência estadual ainda não possui sequer um projeto básico, ao contrário do que já existia com o BRT.

O deputado José Riva faz campanha pelo VLT há, pelo menos, dois anos. No dia 5/4 deste ano, entregou ao governo do Estado um estudo que encomendou junto a uma empresa que fabrica sistemas elétricos e de rolagens para trens, a TTrans, que afirma ser o VLT a melhor opção para Cuiabá. O UOL Esporte também teve acesso a este estudo, que tem apenas dez páginas e não é baseado em qualquer estudo sobre a realidade urbanística da cidade, nem apresenta metodologia de cálculos ou contexto econômico. 

No dia 7/7, Riva publicou uma nota de esclarecimento à reportagem do UOL Esporte, onde afirmava que "até hoje ainda não há um estudo conclusivo que aponta o preço final do VLT, principalmente no valor informado na notícia. Os estudos hoje apontam um custo de R$ 700 milhões, mas ainda não é o valor final". Procurado pela reportagem, Riva ainda não se manifestou sobre o documento da Agecopa que contraria sua nota.

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