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09/07/2011 - 07h00

Dirigentes são-paulinos reclamam do Itaquerão, mas negam "chororô" clubístico

Gustavo Franceschini
Em São Paulo

A concessão de incentivos fiscais ao Corinthians incomodou profundamente o São Paulo. Durante dias, cartolas atuais, antigos e até gente da oposição foi contra a manobra. Com o pacote de benefícios consolidado, os são-paulinos agora tem de aturar a acusação de que estão fazendo “chororô” e dizem defender convicções políticas sem clubismo.

A enxurrada de protestos ocupou várias mídias, mas em especial a internet. Pelo Twitter, Julio Casares, vice de comunicação e marketing, reclamou, cobrou os vereadores que acabariam aprovando o projeto de lei na Câmara Municipal e mobilizou outros torcedores são-paulinos.

Rogê David, recém-nomeado diretor de marketing do São Paulo, foi pelo mesmo caminho e também usou a rede social para externar sua irritação com o assunto.

“Lendo as notícias do Itaquerão, vejo que o prefeito enviou para a votação um texto, que só foi aprovado após uma ‘pequena’ alteração. Alteração essa que mudou todo o contexto, aí os vereadores aceitam com essa mudança. Volta para o prefeito e ele tira essa alteração. Ou seja, é uma ‘manobra’ para aprovar a lei do jeito que ele queria, então para quê existe vereador? Alguém consegue me responder?”, disse David, pelo Twitter, repassando o passo-a-passo da aprovação.

José Francisco Manssur, advogado do São Paulo e homem de confiança de Juvenal Juvêncio, escreveu um texto repudiando o processo, publicado no blog do Juca.

“De forma nenhuma é choradeira. Choradeira vai ser do munícipe, se você aprova uma lei que já é contestada. Esse veto [do Kassab] demonstra que querem aprovar qualquer coisa”, disse Julio Casares, ao UOL Esporte

Marco Aurélio Cunha, ex-superintendente do São Paulo, e Aurélio Miguel, ex-judoca e conselheiro de oposição no clube, brigaram contra na Câmara. Os vereadores tentaram impedir o avanço, mas só conseguiram emplacar a exigência de que o estádio recebesse a abertura, depois derrubada por Kassab.

“Quando eu fui eleito eu não coloquei na minha campanha nenhuma menção ao São Paulo. Seria o primeiro a defender um projeto para o Corinthians, se achasse que era correto, o que não é o caso”, disse Marco Aurélio Cunha.

Ambos se surpreendem com o silêncio do outro grande clube da cidade. O Palmeiras, que está reformando o Palestra Itália, chegou a cogitar pedir incentivos, mas a ideia não avançou. Mesmo assim, os dirigentes alviverdes não repetem a gritaria são-paulina diante do projeto do Itaquerão.

“O Palmeiras tem a Arena Palestra e não se manifestou. Não sei se por vínculos com a CBF ou com o Marco Polo [presidente da FPF]. Eu perguntei para o [Arnaldo, presidente do Palmeiras] Tirone, e ele falou que eu tinha razão. Acho que o Palmeiras tem arena em área importante, já consolidada, devia falar também”, disse Marco Aurélio Cunha.

“Nós estamos preocupados em fazer a nossa arena. O fato de poder ser utilizado para outras ações [como a Copa] é eventual. Com relação à política que adotarem [no Itaquerão], acho que é um problema meramente técnico. O Estado vai tomar [a decisão] pelas razões deles. Estimo que façam dentro da maior licitude. Não acho que tem de estar preocupado com o que está acontecendo na vida do nosso maior rival”, disse Roberto Frizzo, vice de futebol do Palmeiras.

A opinião, curiosamente, não é compartilhada por Rogério Dezembro, diretor de marketing da WTorre, responsável pelas obras da Arena Palestra Itália. “Eu acho que você ter incentivo fiscal para induzir desenvolvimento em áreas carentes é um instrumento super válido. Nesse caso tem tanta exceção que se perdeu o objetivo original”, disse o executivo.

Dezembro foi diretor de marketing do Palmeiras na gestão anterior, de Luiz Gonzaga Belluzzo. Na época, foi ele o responsável pelo pedido de incentivos para a Prefeitura. Hoje, ele defende que os três clubes sejam beneficiados.

“Senão você cria uma situação de desequilíbrio pós-evento. Outros empreendimentos idênticos não tiveram os mesmos benefícios. Você está gerando desequilíbrio competitivo. Tinha de fazer como no Rio Grande do Sul, onde o Grêmio, que está fora da Copa, recebeu os mesmos incentivos do Inter”, concluiu.

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