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24/06/2011 - 18h22

Câmara: ajuda ao Corinthians sai na terça, mas Andrés não garante abertura da Copa

Roberto Pereira de Souza
Em São Paulo

Houve apenas um confronto em mais de cinco horas de audiência pública realizada na Câmara Municipal para discutir se a Prefeitura de São Paulo deve ou não  conceder isenção fiscal (Imposto sobre Serviços e Territorial Urbano) a quem investir na construção da arena do Corinthians, em Itaquera, Zona Leste da capital paulista. O projeto de isenção de até R$ 420 milhões  só valerá se o estádio for aprovado para abertura da Copa 2014.

 A temperatura do ambiente subiu apenas quando o secretário municipal, Marcos Cintra  (Desenvolvimento Urbano) vinculou o fim da carência social de Itaquera à abertura da Copa do Mundo, na região. A votação deverá acontecer na próxima terça-feira. Sem esse dinheiro, o Corinthians estará fora da abertura da Copa. Até quinta-feira, o presidente corintiano, Andrés Sanchez, definirá se Odebrecht ou Serpal construirá a arena. Há uma diferença inicial de R$ 300 milhões entre os dois orçamentos.

Enquanto a audiência pública estava acontecendo, o presidente corintiano e responsável pela obra do novo estádio, Andrés Sanchez, participava de uma entrevista ao vivo, pela TV Bandeirantes, logo após almoço.

Andrés foi questionado pelo vereador Marco Aurélio Garcia (DEM), em pergunta gravada, quanto à “vergonha que sentiremos caso o estádio do Corinthians não seja construído a tempo de abrir a Copa do Mundo”. A resposta estava pronta:

“Marco Aurélio tem razão. Essa preocupação com a vergonha é comum a outros brasileiros também. Eu mesmo não posso garantir que vamos abrir a Copa do Mundo. Estamos correndo para fazer tudo certo com o determina a Fifa. Por isso esse pacote de isenção é importante. Mas se não der certo, não abriremos. “

Em outro trecho da entrevista o presidente corintiano disse que esteve em reunião no feriado até a madrugada de sexta-feira. Motivos para a correria não faltam. Há uma diferença de cerca de R$300 milhões entre o orçamento apresentado pela Odebrecht  (entre R$ 950 milhões e R$ 1.064 bilhão) e os números defendidos pela construtora Serpal, chamada para o negócio como plano B.  Em entrevista a Uol Esporte, a Serpal defende seus números com certa ironia:

“A Serpal faz a obra acabada por até R$ 700 milhões, pronta para abrir a Copa do Mundo”, disse o engenheiro Marcelo Tessler, responsável pelo orçamento. “ Não vou questionar o orçamento da Odebrecht. Não sei o que eles colocaram,  se há algum pilar de ouro... Não é assunto meu.”

Na audiência pública da Câmara Municipal, os vereadores Adilson Amadeu (PTB) e Cláudio Fonseca (PPS) lideraram o grupo dos descontentes com a vinculação da melhoria social de Itaquera à abertura da Copa do Mundo.

Fonseca vem repetindo suas críticas ao projeto de isenção (PL288/11) alegando que o poder público brasileiro vem sofrendo “coação e pressão para atender os interesses da Fifa”:

“O presidente do Corinthians, Andrés Sanchez, disse aos vereadores que foram visitar o terreno onde será construído o estádio uma coisa muito importante que derruba a tese da urgência defendida pela Prefeitura. Andrés confirmou que construirá o estádio com ou sem o dinheiro da prefeitura ou do BNDES. Ele queria fazer um estádio para 45 mil pessoas com verba privada. Agora a Fifa quer usar o tempo curto para pressionar a liberação de dinheiro público?, pergunta Cláudio Fonseca.

Em seu twitter, o vereador vem repassando mensagens de acadêmicos  que criticam a atitude da Fifa de “rapinar o dinheiro público no Brasil” .

O vereador Aurélio Miguel (PR) pediu vistas ao projeto de isenção encaminhado pelo prefeito Kassab até a próxima segunda-feira. Miguel não participou da audiência pública mas também é contra o de R$420 milhões dos cofres públicos para ajudar qualquer clube de futebol:

“A região de Itaquera precisa de investimentos em sua infraestrutura. Desde 1992 existem projetos para o desenvolvimento daquela importante área da capital paulista. Esses projetos dormem nas gavetas do Executivo. Não seria necessária a construção de uma arena esportiva para desenvolver a Zona Leste da cidade. Ali, as prioridades são hospitais, escolas, moradia e transporte público de qualidade. Porque não se usa o incentivo fiscal de mais de R$ 400 milhões para a construção de creches? Isso sim é dar destino correto ao dinheiro público”, publicou o deputado em seu site.
 Um experiente assessor político foi categórico após a reunião na Câmara Municipal que teve menos de 60 pessoas em plenário. “O projeto vai passar. Mesmo tendo votação qualificada, vai ser aprovado. Até o PT é favorável”.

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