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21/06/2011 - 17h26

Plano B do Corinthians contraria Odebrecht e banca arena por R$ 700 milhões

Roberto Pereira de Souza
Em São Paulo
  • Sanchez tensão para definir melhor preço da arena

    Sanchez tensão para definir melhor preço da arena

A construtora Serpal (convidada pelo Corinhians como plano B) garante que entregará a obra acabada  no prazo e que o custo final não ultrapassará os R$ 700 milhões, contrariando as previsões da Odebrechet, R$ 300 milhões mais caras. Para isso, as fundações precisam começar nos próximos nove dias para que a arena seja entregue em 30 meses a tempo de  abrir a Copa do Mundo de 2014.  A pressão subiu nos últimos dias.O engenheiro Marcelo Tessler, responsável pelo orçamento da Serpal respondeu a algumas críticas e bateu o martelo sobre suas planilhas de preço:

 “Temos de definir a semana que vem, não sou eu que digo, é o governo, é o clube é  a Fifa. A pressão é muito grande nesse momento. Se não começarmos em julho, não entregaremos a tempo”, disse o engenheiro que fez o orçamento enviado ao clube, em nome da construtora Serpal.

Apesar da convicção de Tessler, o presidente do Corinthians tem sobre sua mesa dois orçamentos bastante diferentes no preço final: a Odebrechet orçou a obra por um preço que pode chegar a R$1,064 bilhão. Em tese, R$ 300 milhões a mais que o da concorrente Serpal. Hoje também a Câmara Municipal votará o projeto dos Certificados de Investimento e Desenvolvimento,que beneficia empreendimentos realizados na Zona Leste, em especial na região do Itaquerão, que tem um dos índice mais altos  de pobreza da cidade.

Tessler esteve envolvido na tentativa de construção do estádio corintiano desde a vinda do fundo americano Hicks and Muse, na gestão do ex-presidente Alberto Dualib, há dez anos. Sua empresa foi contratada pela Serpal para orçar a arena de Itaquera, em setembro. Na época, era um estádio para 50 mil lugares.

 

PREÇO ESTIMADO DA ARENA CORINTIANA

Capacidade 48 mil lugares 65 mil lugares
Odebrecht R$ 580 milhões R$ 1,064 bilhão
Serpal R$ 400 milhões R$ 700 milhões

“Mas perdemos a licitação para a Odebrecht, que considero uma empresa do mais alto nível. Há 40 dias, o Corinthians nos convidou de novo a apresentar um outro orçamento para um estádio com 65 mil lugares, que pudesse abrir a Copa do Mundo. Eu te garanto que entrego a obra completa por R$700 milhões, dentro da especificação da Fifa.“

A Odebrecht apresentou um orçamento de R$ 950 milhões para o mesmo estádio e, depois, com “ajustes de inflação projetada e custos financeiros”, o preço chegou a R$ 1,064 bilhão. Diante do impasse, o Corinthians encontrou uma saída bizarra: pediu aos técnicos da Odebrecht “que qualificassem o orçamento mais barato da Serpal”.

Demonstrando pouco humor para detalhar a fase atual dos preços apresentados, o engenheiro Marcelo Tessler negou que estivesse participando desta última rodada de negociação.

“Eu te garanto que faço a obra por até R$ 700 milhões, mas não estou participando dessa qualificação do meu orçamento. Nem quero comentar isso para não falar coisas erradas, nesse momento de tanta pressão”, disse, mostrando certa indignação.

O orçamento da Serpal foi criticado por algumas pessoas envolvidas no processo de decisão porque não contemplava duas fases da obra: a terraplanagem e a estação de tratamento de esgoto, porque a região  não conta com ramal sanitário da Sabesp.

“Eu sei de onde veio essa informação. Mas é uma bobagem eu colocar a estação de tratamento no meu orçamento. Eu vou fazer a parte hidráulica interna do estádio mas para onde vai esse material coletado é problema do Estado, do governo. É um absurdo, isso. O Governo Federal diz que vai gastar R$ 40 bilhões com a Copa do Mundo e o empreendedor privado tem que se responsabilizar pela linha de esgoto externa? Isso não é minha obrigação.”

Quanto a não inclusão da terraplanagem no custo final, o engenheiro contratado pela Serpal foi categórico: “se o Corinthians já fechou essa parte com a Odebrecht que eu respeito sob qualquer aspecto, porque eu deveria  incluir essa despesa novamente”?

Algumas pessoas que participam das discussões com o Corinthians alegam que o barateamento do orçamento da Serpal na construção arena corintiana só é possível “se a obra for entregue inacabada. “

Tessler rebate as críticas:

“A obra será entregue acabada. Nosso preço, que ainda não está fechado, não passará dos R$ 700 milhões. Não orçamos a terraplanagem, o desvio dos dutos da Transpetro nem a estação de esgotos”.

Só a terraplanagem custará certa de R$ 40  milhões. Somando a estação de esgoto e os custos financeiros, técnicos acreditam que os dois orçamentos são muito parecidos. Mas o orçamento da apresentado pela Odebrecht (entre R$ 950 milhões e R$ 1,064 bilhão) trabalha com custos mais altos para atender as exigências da Fifa.

“ A lista da Fifa custa cerca de R$ 300 milhões no projeto da Odebrecht”, afirma um fonte.

Esse número é questionado por Marcelo Tessler: “A lista Fifa custa para nós cerca de R$ 70 milhões”.

Os diretores da Odebrecht  foram procurados pelo UOL Esporte  mas não quiseram dar entrevista até que o orçamento seja fechado, alegando “confidencialidade com o cliente”, Corinthians.

Sobre a mesa da diretoria do Corinthians está o relatório parcial dos preços da Odebrecht.

“O custo ideal para um estádio moderno é  entre R$ 10 mil a R$ 11 mil por assento. Se analisarmos em detalhes, chegaremos a R$ 715 milhões. Somando as exigências da Fifa para instalações de camarotes blindados, elevadores, etc, ficaremos  entre R$ 950 milhões a R$ 1,064 bilhão. Não há milagre nessa conta”, garantiu outra fonte.

Até mesmo  a isenção fiscal da Prefeitura, gerada com os tais certificados de incentivo e desenvolvimento (CID), que podem deduzir até 60% do imposto devido sobre serviços (ISS) e predial urbano (IPTU) contemplam o luxo exigido pela Fifa. Os incentivos só serão concedidos se a arena corintiana estiver “apta para a abertura da Copa”.

Defendendo seu orçamento que varia entre até R$1,07 bilhão, a Odebrecht  passou a semana desenhando o que alguns técnicos chamam de engenharia financeira, tendo do lado oposto da mesa o presidente corintiano, Andrés Sanchez.

A construtora montou um roteiro financeiro que inclui o chamado “target price”, terminologia do mercado internacional para grandes obras patrocinadas pela iniciativa privada em co-gestão.

Uma fonte  que participa dessa negociação explicou os caminhos a serem seguidos, mas pediu para que seu nome fosse mantido sob sigilo.

“Na prática, o que está sendo apresentado é um cálculo de captação de dinheiro no mercado, tendo um preço –base. A Odebrecht fala, digamos, em valor entre R$950 milhões e R$1,07 bilhão. Como funcionaria a co-gestão? O Corinthians teria acesso a todas as planilhas de custo, atualizadas em tempo real e fiscalizaria cada centavo gasto”.

Pela engenharia proposta pela Odebrecht, o que faltar para a conclusão da obra será captado no mercado financeiro seguindo a  seguinte operação: a prefeitura emitiria os Certificados de Investimento e Desenvolvimento (CID) até o limite de R$420 milhôes. O BNDES vai liberar o empréstimo-padrão a todas as sedes,  no valor de mais R$400 milhões. O que faltar, a Odebrecht buscará no sistema financeiro, até o limite de R$300 milhões. O pagamento desse residual sairia da receita do estádio, a partir de 2.014.

“Somando tudo, teremos o necessário para a conclusão da obra no padrão exigido pela Fifa, para a abertura do Mundial, com capacidade para 65 mil pessoas, incluindo os camarotes blindados, elevadores, esgotos etc. “, explicou a mesma fonte.

Um estádio de padrão internacional para 45 mil pessoas custa R$300 milhões a menos que um estádio de abertura de Mundial.

Se tudo der certo, uma empresa será criada para construir e fazer a gestão da obra da nova arena corintiana. Os próximos dias serão ainda mais tensos, considerando a escalada dos orçamentos apresentados.

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