Pelé do skate exalta influência brasileira antes de rara apresentação em São Paulo

Bruno Freitas

Em São Paulo

  • Robert Cianflone/Getty Images

    Norte-americano Tony Hawk é considerado o maior nome da história do skate vertical

    Norte-americano Tony Hawk é considerado o maior nome da história do skate vertical

O público brasileiro terá uma rara oportunidade neste final de semana, quando o norte-americano Tony Hawk se apresenta em São Paulo. Considerado o melhor skatista de vertical de todos os tempos, nivelado internacionalmente a nomes do esporte como Pelé, Lance Armstrong e Michael Jordan, o ídolo radical volta a se exibir no país depois de um recesso de 23 anos.

QUEM É TONY HAWK

Nome:
Anthony Frank Hawk

Nascimento:
12 de maio de 1968, na cidade de Carlsbad (Estados Unidos)

Façanhas:
- 12 títulos mundiais de vertical
- 9 medalhas de ouro, 3 de prata e 2 de bronze nos X Games
- Primeiro skatista da história a executar a manobra dos 900º

Em São Paulo, o norte-americano participa do Jump Festival, evento de demonstração que reúne no ginásio do Ibirapuera o brasileiro Sandro Dias, hexacampeão mundial de vertical, e skatistas amadores. A exibição principal está marcada para a manhã de domingo.

Antes da apresentação, Hawk disse ser uma honra se apresentar em um país cujo estilo de skate tanto influenciou a identidade do esporte internacionalmente.

"O skate se beneficiou muito da influência brasileira, e existe muito apoio no país como pude ver", afirmou o ídolo. "Os skatistas brasileiros são apaixonados pelo que fazem. Por isso tantos deles fazem sucesso. Eles nunca deixam de se desafiar, mesmo se estão dominando as competições", acrescentou Hawk.  

Esta é a segunda aparição no Brasil da lenda do skate, que hoje, aos 43 anos, se exibe ao redor do mundo. Tony Hawk esteve no país em 1988, em outra realidade do skate, então uma atividade rotulada de marginal. Na oportunidade, o norte-americano participou de uma exibição depois de enfrentar uma infecção alimentar por cinco dias.

DE CRIANÇA AGITADA A ÍDOLO DO VIDEOGAME

Tony Hawk foi uma criança hiperativa, em questão com reflexos escolares, e acabou achando no skate um caminho para se encontrar na adolescência. Por volta dos 12 anos já sabia que estar equilibrado sobre rodas era o que queria para o resto da vida. Virou profissional com 14.

Certamente os planos do menino Tony no início dos anos 80 não passavam de simplesmente andar de skate. No entanto, gradualmente, o californiano conseguiu criar todo um universo ao seu redor, turbinado por uma sequência de títulos sem fim. Assim, multicampeão, Hawk virou uma espécie de empresa ambulante, repleto de projetos a patrocinadores, abrindo um horizonte que hoje tem como beneficiários nomes como Sandro Dias e Bob Burnquist.

Numa destas frentes de trabalho profissional, a lenda por trás do nome de Tony Hawk acabou também erguida através da imagem do skatista em videogames, com títulos populares em plataformas diferentes de jogos.

A lenda por trás do nome de Tony Hawk cresceu também através de vários jogos de videogame que levam sua marca. Na imagem acima, "Tony Hawk's Pro Skater 2" - Foto: Reprodução

MANOBRA 900 GRAUS É SUA OBRA DE ARTE

Hawk tem uma coleção de títulos mundiais e medalhas nos X Games, mas deixou para a cena competitiva um legado de várias manobras que nasceram em sua cabeça e ganharam vida em seu skate. A mais famosa dela é a do 900 graus, um capítulo à parte em sua trajetória.

O skatista soube de uma tentativa do compatriota Danny Way de executar a manobra de duas voltas e meia, registrada em vídeo em 1989. A partir daí fez do 900° sua obsessão no mundo competitivo. Hawk compartilhou sua batalha com o público do esporte e diante deles falhou em dez saltos seguidos. Mas finalmente a rotação saiu redonda na edição de 1999 dos X Games, em San Francisco, em cena considerada como clássica na história do skate. Ainda hoje, poucos atletas de elite conseguem reproduzir o 900°.

Pouco depois disso, Hawk se cansou dos torneios profissionais e inaugurou uma bem-sucedida trajetória como skatista de exibição. Em recente entrevista ao UOL Esporte, Sandro Dias falou sobre a saída de cena do ídolo, refletindo sobre a falta de motivação do mesmo em nível competitivo.

"O Tony Hawk era bom em tudo. Só que chegou um momento em que ele não precisava dar o máximo para ganhar. Mas ao mesmo tempo, se ele não desse o máximo, diriam que ele não era o mesmo. O único adversário era ele mesmo. Acho que por isso ele acabou parando", declarou o brasileiro, conhecido no mundo do skate como Mineirinho.

PROGRAMAÇÃO EM SÃO PAULO NO FINAL DE SEMANA

Visão do complexo radical do Jump Festival no Ginásio do Ibirapuera - Marcelo Mug/Divulgação

O Jump Festival reúne atletas de skate vertical, street, bicicletas BMX e motos FMX. O ginásio do Ibirapuera recebe as ações no sábado, das 8h às 17h, e no domingo, das 9h às 12h (de Brasília).

Tony Hawk entra dá as caras no sábado para um reconhecimento de pista ao lado de Mineirinho. Mas o grand finale está reservado para o domingo, com a apresentação principal do evento, a partir das 9h. 

"Andar por diversão ao invés de competição. Isso significa que nós podemos tentar nossas manobras mais complexas, e voltar e tentar de novo se cairmos. Também podemos fazer sessões coreografadas, os dois andando ao mesmo tempo", afirmou Hawk, sobre a expectativa de dividir a pista com Sandro Dias.

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