Gastropubs propõem atmosfera e preço de bar com gastronomia de restaurantes

GABRIELA SAMPAIO FERGUSSON

Colaboração para o UOL

Movimentada que é, São Paulo sempre tem uma nova onda de restaurantes e bares abrindo suas portas. Houve a época dos pubs, das casas orgânicas, dos restaurantes/boates, das kebaberias e das lojas de cupcakes, para citar apenas alguns.

Seguindo esta tendência, o conceito da vez parece ser o de gastropub ou gastrobar. A ideia vem do exterior e identifica, geralmente, bares que oferecem comida de restaurante a preços moderados e ambiente descontraído.

Há quem diga que é britânica e veio do “renascimento” gastronômico do país nos últimos anos. Outros juram de pés juntos que é algo “made in USA”, pois um pub será sempre um pub.

Independentemente da origem exata, e por coincidência (ou não), no final de 2010 a Vila Madalena, em São Paulo, viu a inauguração do Vila Jardim e do Back Gastrobar, ambos seguindo a proposta citada acima.


Acessível e gastronômico
O primeiro, inaugurado em outubro passado e reaberto esta semana após algumas reformas, é propriedade dos chefs e sócios Santiago Nucci e Darcio Santos. Com seus 650 m2, comporta bar e restaurante -cada ambiente tem menu diferente- mas dividem a ideia de “acessibilidade e alta gastronomia”, música ao vivo e ambiente de pub.

Mas não espere um pub britânico clássico, com muita madeira e iluminação baixa.O Vila Jardim tem decoração bem moderna, áreas abertas e jardim. Um estilo que Nucci descreve como parecido com os gastropubs “à beira do Tâmisa”, como o Geronimo Inns, rede na qual ele trabalhou por alguns anos em Londres.


A cozinha também não tem nada dos tradicionais bares da ilha, como Bangers and Mash (linguiças com purê de batatas) ou Fish and Chips. O cardápio do Vila Jardim tem influência mediterrânea, com produtos da estação e bases francesas e italianas. “No almoço é possível gastar entre R$ 20 e R$ 25 com um principal e bebida. Já no jantar nenhum prato passa dos R$ 40”, afirma o chef.

Entre os favoritos de Nucci estão o Trio de Vegetais (com alcachofras recheadas com cogumelos, tomates com couscous marroquino e cebola com farofa de pão, todos com três tipos de pesto, R$ 19) e a Paleta de Cordeiro com Lentilhas em Molho de Romã (R$ 37).  Em relação às bebidas, Nucci conta que os vinhos “têm preço de supermercado”.


Híbrido de bar e restaurante
A 300 metros dali, na Rua Girassol, fica o Back Gastrobar, do trio de sócios Dudu Borger, Beto Tempel e Karina Rapaport, também proprietários do restaurante Le French Bazar, em Pinheiros. A inspiração para o local veio da “ex-colônia”, mais precisamente de Nova York.

O Back tem esse nome porque fica nos fundos de uma loja de roupas e é um trocadilho com a ideia de “voltar” na língua inglesa.  “Quero oferecer a experiência de bar com a comida de padrão de restaurante”, diz Beto Tempel.

Segundo ele, a vivência de bares no Brasil se limita bastante ao modelo de boteco carioca e boêmio. Por isso quiseram apostar num local onde amigos pudessem dividir porções grandes, sem regras, couvert e as entradas de um restaurante, ao som de música eletrônica ambiente e de decoração moderna.

A cozinha é influenciada por culinárias apreciadas pelos sócios. No menu entram elementos brasileiros, franceses e asiáticos, como o Sanduíche de Galinha Caipira Confit (R$ 27),o Camembert de Cabra em Crosta de Macadâmia e Mel Trufado (R$ 23, veja a receita aqui) e o Rock Tempurá (R$ 39), com pedaços de camarão empanados cobertos com ovas e wasabi. Uma seção é dedicada a itens como conservas, queijos e frios garimpados pelo Brasil e pelo mundo.

Entre as bebidas do Back, há de vinhos, cervejas artesanais, importadas, chope e clericots, drinque à base de vinho ou espumante (de R$ 54 a R$ 60 a jarra de um litro).


Novos formatos
Quem frequenta o circuito de bares e restaurantes paulistanos há algum tempo pode, com certa razão, olhar para a possível nova onda de gastropubs e gastrobares com certa desconfiança. Afinal, o que eles teriam de diferente de outros bons estabelecimentos da cidade a não ser o rótulo?

Nesse sentido até Beto Tempel concorda. “A Adega Santiago e o Bar da Onça são exemplos de bons bares em São Paulo. Mas ainda há espaço e gastrobares eram uma lacuna de mercado”, diz.

Para Luiz Américo Camargo –crítico do caderno Paladar– é interessante ver os empreendedores se aventurando por novos formatos. “Em São Paulo ainda é possível fazer sucesso se você tem um bom ponto, um bom arquiteto, um bom promotor e não necessariamente pela boa comida. Acho que isso começa a mudar. Se os tais gastrobares forem relevantes gastronomicamente, podem ter futuro. Se a questão for apenas a moda, é provável que tenham o destino de dining clubs, lounge bares e outras iniciativas similares”, conclui.

Já Santiago Nucci, do Vila Jardim, acredita que sobreviverá à moda, em especial durante uma época em que as pessoas querem gastar menos em alimentação, mas ainda assim se sentir à vontade em um lugar. A proximidade com o Back e a abertura de outras casas do gênero não o preocupam. “Acho fantástico. As pessoas vão comer melhor.”
 

Back Gastrobar
Rua Girassol, 273, Vila Madalena, São Paulo
Tel: (11) 3034-6094
Fecha às segundas
www.backgastrobar.com.br


Vila Jardim
Rua Fidalga, 501, Vila Madalena
Tel.: (11) 2645-5638
Fecha às segundas
www.restaurantevilajardim.com.br

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