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Sem Frescura: por que tanta gente não gosta da própria voz quando a escuta?

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Gabriela Ingrid

Do VivaBem, em São Paulo

12/10/2020 04h00

Você já ouviu uma gravação da sua voz e teve a sensação de que era outra pessoa falando? Pois saiba que não gostar do resultado de uma caixa de som reproduzindo a nossa fala é algo bem comum.

Esse estranhamento todo ocorre porque, na verdade, não ouvimos realmente a nossa voz quando falamos.

Nós captamos a nossa voz de duas formas ao mesmo tempo. A primeira é pela mesma maneira que as outras pessoas nos escutam, ou seja, pelo ar. Ao falarmos, o ar dos pulmões faz as pregas vocais vibrarem e gerar um som neutro, que vai ganhando nuances conforme passa pelo trato vocal, composto pelas estruturas de garganta, boca e nariz.

Isso explica, por exemplo, porque homens e mulheres têm vozes com tons diferentes. Mulheres têm estrutura corporal geralmente menor do que a dos homens e, com isso, cordas vocais mais finas e longas, o que dá o tom mais agudo de suas vozes.

Uma vez que emitimos esse som pela boca, ele é captado pelo nosso ouvido e forma uma das camadas da voz que ouvimos.

Já a segunda camada de voz vem da vibração interna da nossa cabeça. E essa provavelmente é a principal razão que faz a nossa voz ser mais agradável quando a ouvimos "diretamente". Isso porque a nossa cabeça funciona como uma caixa acústica e filtra algumas frequências da voz, especialmente as mais agudas.

Dessa forma, o som passa por uma espécie de tratamento que deixa nossa voz mais grave e aveludada. É possível, inclusive, ouvir essa segunda camada de voz quase que totalmente isolada. Para isso, basta falarmos enquanto fechamos nossos ouvidos. Tente fazer isso e você vai perceber a diferença de quando escutamos nossa voz com os ouvidos "abertos".

Infelizmente, as pessoas e dispositivos como gravadores e telefones captam a nossa voz sem qualquer tipo de "tratamento". Sendo assim, não adianta reclamar: a sua voz é sim aquela que você ouve em gravações. E é bom se acostumar porque, por mais que ela mude um pouco com o passar dos anos, ela nunca ficará tão agradável como a que você ouve quando fala.

Roteiro: Rodrigo Lara. Fontes: Claudia Eckley, otorrinolaringologia do Fleury Medicina e Saúde; Bruna Rainho Rocha, fonoaudióloga do Hospital Paulista; Fernão Costa, otorrinolaringologista da BP - A Beneficência Portuguesa de São Paulo; Márcio Salmito, otorrinolaringologista da unidade Campo Belo do Hospital Alemão Oswaldo Cruz; Daniel Destailleur, otorrinolaringologista do Hospital Santa Catarina.