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Estudos científicos equivocados favorecem desinformação sobre vacinas

Dado Ruvic/Reuters
Imagem: Dado Ruvic/Reuters

31/07/2021 15h43

Estudos científicos com metodologias falhas e conclusões imprecisas estão intensificando a crise de desinformação sobre a covid-19, o que desestimula a vacinação e coloca vidas em risco. O especialista americano Emerson Brooking, do Laboratório de Pesquisa Digital Forense do Atlantic Council, alerta que a correção das informações não é suficiente para reverter o impacto na opinião pública.

O intenso interesse público pela pandemia e o debate polarizado nos Estados Unidos sobre como abordá-la facilitam a disseminação de trabalhos de pesquisa equivocados na internet. Os opositores à vacina recuperam esses dados e transformam em argumentos para denegrir os imunizantes. Quando o autor de um estudo se retrata, já é tarde demais.

"Assim que o artigo é publicado, o dano é irrevogável", disse Emerson Brooking, principal pesquisador residente do Laboratório de Pesquisa Digital Forense, que se especializa na identificação e exposição da desinformação.

As publicações científicas equivocadas "colocaram lenha na fogueira para os céticos da covid-19 e os teóricos da conspiração. Com frequência, viralizam na internet. Suas conclusões também são baseadas em artigos provocativos e enganosos de sites marginais", explicou Brooking.

A informação errada sobre as vacinas é especialmente perigosa, em um momento em que sua aceitação diminuiu nos Estados Unidos. As autoridades de saúde americanas afirmam que quase todas as mortes recentes por covid-19 ocorrem entre quem não está imunizado.

A França enfrenta a mesma situação, de acordo com um estudo publicado nesta sexta-feira (30).

Revistas científicas têm parte de responsabilidade

A revista médica Vaccines publicou um artigo revisado por pares no final de junho chamado "A segurança das vacinas anti-covid-19: deveríamos repensar a política". O texto concluía que as injeções contra o coronavírus estavam causando a morte de duas pessoas em cada três que se salvavam. Esta suposta descoberta se espalhou rapidamente pelas redes sociais.

Um tuíte sobre este artigo de Robert Malone —um cientista crítico da vacina contra a covid-19— obteve milhares de retuítes. Um vídeo da conservadora Liz Wheeler, que disse que o estudo "vai deixar vocês boquiabertos", foi visto mais de 250 mil vezes no Facebook.

No entanto, a revista Vaccines depois se retratou pelo artigo que havia publicado, dizendo que continha "vários erros que afetam fundamentalmente a interpretação das conclusões". Ao menos quatro membros do conselho da Vaccines foram demitidos como resultado da divulgação dessa pesquisa, incluindo Katie Ewer, professora associada e imunologista principal do Instituto Jenner da Universidade de Oxford.

"Deveriam saber que este documento teria um grande impacto", disse Ewer, que não participou de sua publicação. "O fato de ninguém na revista ter se dado conta disso (...) é muito preocupante, especialmente para uma revista dedicada a vacinas".

O tuíte de Malone sobre este artigo não está mais disponível, mas o vídeo de Wheeler ainda aparecia no Facebook semanas depois.

Algumas das revistas científicas mais importantes, incluindo a The Lancet e a New England Journal of Medicine, se retrataram por artigos relacionados à crise do coronavírus, mas um número, ainda limitado, de estudos imprecisos pode causar grandes danos na internet.

Com informações da AFP

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