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Covid-19: ONG Médicos sem Fronteiras pede reforma urgente do sistema Covax

Para o representante da MSF, o sistema da OMS deveria ter sido o maior comprador mundial de vacinas contra a covid-19 - iStock
Para o representante da MSF, o sistema da OMS deveria ter sido o maior comprador mundial de vacinas contra a covid-19 Imagem: iStock

24/06/2021 12h22

Um ano e meio depois do surgimento da Covid-19, o nacionalismo vacinal se tornou uma regra, e a doação de doses, uma exceção. O símbolo desse fracasso é o mecanismo Covax, o programa para distribuição igualitária de vacinas implantado pela Organização Mundial da Saúde (OMS), denuncia a ONG Médicos Sem Fronteiras (MSF).

Até a metade de junho, o sistema Covax havia entregue apenas 87 milhões de doses aos países pobres, onde apenas 0,4% de vacinas contra a Covid-19 foram administradas. O sistema conta com um total de US$ 10 bilhões de investimentos, suficientes para adquirir 3,8 bilhões de doses de imunizantes.

O problema é que a maioria dos lotes deve ser entregue apenas em 2022, o que prova que o Covax "não funciona", diz Manuel Martin, conselheiro na organização MSF para o acesso aos tratamentos. "O Covax estava destinado ao fracasso porque segue as regras da indústria farmacêutica, em que o fabricante sempre vende para quem paga o melhor preço", explica. "Foi um erro pensar que as empresas iriam respeitar o princípio de igualdade", resume.

O sistema da OMS deveria ter sido o maior comprador mundial de vacinas contra a Covid-19, explica o representante da MSF, o que teria permitido, também, obter os melhores contratos. Mas, na realidade, os Estados preferiram negociar diretamente com os fabricantes, enfraquecendo o mecanismo, que se baseia principalmente nas doações de doses dos países ricos.

"O futuro do Covax ainda é incerto. Se o sistema continuar sendo pouco eficaz, não poderá nos ajudar a superar a próxima pandemia. Nem acabar com essa", lamenta Manuel Martin. A ONG pede que o funcionamento do dispositivo seja revisto, facilitando a transferência de tecnologia e pedindo aos grupos farmacêuticos que prestem conta dos financiamentos públicos recebidos para as pesquisas.

EUA doam doses

Os Estados Unidos vão doar mais 14 milhões de doses de vacinas anticovid à América Latina e Caribe por meio do programa, informou na última segunda-feira (21) o governo de Joe Biden.

Brasil, Argentina, Colômbia, Peru, Equador, Paraguai, Bolívia, Uruguai, Guatemala, El Salvador, Honduras, Haiti, países da Comunidade do Caribe, República Dominicana, Panamá e Costa Rica foram contemplados. Os 25% restantes do total de 55 milhões que serão doados, o que corresponde a 14 milhões de doses, serão distribuídos diretamente para "prioridades regionais e outros beneficiários", disse a Casa Branca.

O governo americano não especificou a quantidade de vacinas que cada país receberá das doses enviadas pelo Covax à região, nem quais serão enviadas diretamente. Além das doses que irão para América Latina e Caribe, outras 16 milhões foram destinadas à Ásia e em torno de 10 milhões à África.

Biden também anunciou, dias atrás, a compra de 500 milhões de doses da vacina Pfizer/BioNTech pelos Estados Unidos a fim de doá-las a outros países deste verão boreal até junho de 2022.

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