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2º lockdown produz "vírus da depressão" e deteriora saúde mental na França

Segundo lockdown produz "vírus da depressão coletiva" e deteriora saúde mental dos franceses - Mehdi Taamallah/NurPhoto via Getty Images
Segundo lockdown produz "vírus da depressão coletiva" e deteriora saúde mental dos franceses Imagem: Mehdi Taamallah/NurPhoto via Getty Images

20/11/2020 15h40

Não bastassem as consequências da epidemia de coronavírus para a saúde física dos franceses e a economia do país, um outro fenômeno preocupa cada vez mais médicos, sociólogos e o governo: o aumento flagrante de casos de depressão na França.

Não bastassem as consequências da epidemia de coronavírus para a saúde física dos franceses e a economia do país, um outro fenômeno preocupa cada vez mais médicos, sociólogos e o governo: o aumento flagrante de casos de depressão na França.

O ministro da Saúde, Olivier Verán, relatou esta semana dispor de indícios de que a saúde mental dos franceses sofreu uma "forte deterioração" entre o fim de setembro e o início de novembro. O segundo lockdown começou no dia 30 de outubro e continua em vigor. O receio de contaminação, a exposição direta ao risco de morte, o distanciamento social imposto pelas medidas preventivas contra a covid-19 e o medo de perder o emprego instauraram, segundo o ministro, "um aumento consequente das síndromes depressivas em todas as categorias sociodemográficas".

O editorialista Serge Raffy, da revista L'Obs, constata que o "vírus da depressão em massa se espalha em alta velocidade".

"Ele é vicioso, insidioso, lancinante e talvez tão perigoso quanto a covid-19", escreve. "Penetra em nossas sociedades nas profundezas do organismo. Afeta a todos nós, silenciosamente, e pode causar danos a médio e longo prazo", acrescenta.

Os sintomas mais frequentes dessa "depressão coletiva" citados pela L'Obs são retraimento, desânimo, irritação, estresse, perda de orientação e de vínculo social. Na França, essas alterações de comportamento são encontradas principalmente entre estudantes universitários, idosos privados de contato familiar e profissionais de setores que não têm a menor perspectiva de retorno à "normalidade", como donos e empregados de restaurantes, cafés, casas noturnas e academias de ginástica.

A central telefônica nacional de emergência para pessoas em situação de depressão e com ideias suicidas, disponível 24h graças ao trabalho de associações, tem recebido 20 mil chamadas por dia, revelou o ministro da Saúde, o que é um sinal evidente de mal-estar de uma parte da população.

A situação dos universitários é particularmente preocupante. Além de um sentimento de isolamento, de falta de contato humano com professores e colegas em virtude do ensino à distância, os franceses que acabam de entrar na faculdade ou aqueles em busca do primeiro emprego vivem um sentimento de abandono e de medo do futuro. Muitos tinham acabado de deixar a casa dos pais para morar mais perto da universidade e são duplamente penalizados pelo segundo lockdown. Em várias cidades francesas, é comum estudantes morarem em cubículos de menos de 10 metros quadrados.

Os jovens reclamam - e com razão - de ouvir diariamente que o mundo entrou em uma era de constante mutação, com novas epidemias e desastres climáticos à vista. Fica difícil encontrar motivação para seguir nos estudos com esta perspectiva de que talvez os esforços não resultem em nada. "Dizer que daqui para a frente devemos nos preparar para viver em alguma forma de alerta constante", nota a revista L'Obs, é profundamente desestabilizador.

Como se não bastasse este "oceano de incertezas", os cientistas, que poderiam transmitir confiança à população, também não chegam a um consenso sobre o que é melhor ou pior para combater a covid-19. No rádio e na TV, "eles afirmam tudo e seu contrário sobre a epidemia no mesmo tom peremptório, reforçando a sensação de que nada está sob controle, dando a impressão de que as elites estão naufragando".

"Essa lenta desintegração da relação com a autoridade, o conhecimento, a razão, é um perigo extremamente sério para a democracia", alerta o editorial da revista L'Obs. É importante não subestimá-lo, conclui o texto.

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